17
Jan 12

Tradução: «now»

Vamos lá ver

 

 

      Creio que foi Montexto que certa vez referiu aqui o «agora» mal traduzido. O «agora» que não é «agora» nem «logo». Nas traduções do inglês, vê-se muito. Há, porém, quem perceba que não deverá ser vertido dessa forma. «Now, I’m not saying that I didn’t enjoy ‘sums’ [...]». «Atenção, não estou a dizer que eu não gostasse de fazer “somas” [...].»

 

[Texto 973]

Helder Guégués às 17:26 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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«Todo o terreno», dAO

«Está? É do ILTEC?»

 

 

      «Dentro do jipe todo o terreno encontrado pela polícia cambojana submerso num lago nos arredores de Phnom Penh, a capital do país, estavam cinco corpos em avançado estado de decomposição» («Cinco corpos no jipe de um francês no Camboja», Luís Manuel Cabral, Diário de Notícias, 17.01.2012, p. 25).

     Um engenheiro, em consulta ao Ciberdúvidas, pôs tudo em causa: será «todo-o-terreno» ou «todo-terreno»? Ou será sem hífen? E o plural? E, estocada final, «o termo “jipe” é aceitável?»

      Nem uma palavra sobre o Acordo Ortográfico. O consultor, porém, quis prevenir futuras consultas, e adiantou que deverá escrever-se «todo o terreno», tendo em conta o estipulado no n.º 6 da Base XV do referido acordo: «Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen [...].» Como o mundo não é perfeito, é com pesar que acrescenta: «Convém ainda assinalar que a não hifenização da palavra não é consensual, porque o Dicionário Priberam mantém todo-o-terreno, com hífen.» Santo Deus! Pronto, é porque estes senhores entendem que é uma excepção consagrada já pelo uso. É lá com eles. De caminho, notou que o Vocabulário Ortográfico do Português do ILTEC não acolhe a palavra, mas esse é um problema menor.

 

[Texto 972] 

Helder Guégués às 10:35 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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«Espectador/espetador»

Espetanço

 

 

      «O responsável pelo pelouro diz-se não só “entusiasmado” com este crescimento no Cabo [sic], como acredita que “os espectadores estão a perceber os esforços” que estão a ser “colocados no trabalho”» («“Espectadores estão a perceber os esforços”», Carla Bernardino, Diário de Notícias, 17.01.2012, p. 51).

      O Diário de Notícias, que já adoptou a nova ortografia, optou por grafar — não, talvez, por convicção, mas para afastar a chacota — o termo com c. Não se espetaram aqui, espetaram-se ali...

      No dia 5 do corrente, a consultora do Ciberdúvidas Anaísa Gordino decretou: «Assim, quer mantenhamos ou eliminemos o c de uma palavra como espectador, a pronúncia da vogal manter-se-á inalterada, à semelhança de todas as outras palavras que sofrerão a queda das consoantes mudas.»

 

[Texto 971] 

Helder Guégués às 09:10 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«De encontro a/ao encontro de»

Pois é, mais uma vez

 

 

      Anne Sinclair vai dirigir a edição francesa do sítio de informação norte-americano The Huffington Post. Vai daí... «O regresso de Anne Sinclair começa a levantar celeuma, sobretudo porque, em França, diz a regra de que um jornalista deve deixar de exercer a profissão enquanto mantiver um relacionamento com um político» («Anne Sinclair deixa figura de ‘boa esposa’ para voltar ao jornalismo», Carla Bernardino, Diário de Notícias, 17.01.2012, p. 53). Talvez lapso... mas: «O regresso de Sinclair à atividade profissional vai de encontro às apreciações dos franceses que, no final de 2011, a elegeram como a mulher francesa mais marcante do ano.» Não, Carla Bernardino, vai é de encontro às apreciações dos franceses que não a elegeram «como a mulher mais marcante do ano».

 

[Texto 970]

 

Helder Guégués às 09:09 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Ao nível dos joelhos»

E o resto...

 

 

      «A decisão de vender [o veleiro Bribón] prende-se com o facto de o monarca ter decidido abandonar este desporto, devido aos graves problemas de saúde de que padece, especialmente ao nível dos joelhos, aos quais já foi operado duas vezes» («Veleiro do Rei Juan Carlos está à venda», Diário de Notícias, 17.01.2012, p. 53).

 

[Texto 969]

Helder Guégués às 09:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Nomenclatura científica

Não é por eu não dizer

 

 

      «Quando Lineu classifica um bicho com um nome repetido (o pargo legítimo é pagrus pagrus) é porque não tem dúvidas. Ao chicharro, comparado com outros carapaus, chamou ele, em 1758, trachurus trachurus. Como quem diz duh...» («Bendito chicharro», Miguel Esteves Cardoso, Público, 17.01.2012, p. 29).

      Não, nada disso: o pargo legítimo é Pagrus pagrus, e o chicharro é Trachurus trachurus.

 

 

[Texto 968]

Helder Guégués às 09:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Sobre/sob»

Outras tantas

 

 

      «“Se há uma situação mais grave, o comandante terá de ter tudo sobre controlo, estar lá onde é preciso”, afirmou [Francesco Schettino, comandante do Costa Concordia] na altura» («Itália teme nova tragédia por causa de derrame de combustível», Susana Salvador, Diário de Notícias, 17.01.2012, p. 23).

 

[Texto 967]

Helder Guégués às 09:05 | comentar | favorito
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17
Jan 12

«Mandato/mandado»

Escreva 50 vezes

 

 

      «Se após a fase de recursos Pedro Medeiros continuar em parte incerta, poderá ser emitido um mandato para a sua captura» («Ex-comerciante condenado a dez anos de prisão por matar assaltante», Paulo Faustino, Diário de Notícias, 17.01.2012, p. 19).

 

[Texto 966]

Helder Guégués às 09:04 | comentar | favorito
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