18
Jan 12

«Ugh/blharc/uh»

Repulsa

 

 

      «— Blharc! — exclamou a Joana. — Está nojenta! Devia mesmo ser de um mendigo. Aposto que até ele a achou velha demais e a deitou fora. Tenho a certeza de que não é uma pista» (Uma Aventura dos Sete, Enid Blyton. Tradução de Susana Ferreira e Bárbara Soares. Revisão de Silvina de Sousa. Lisboa: Oficina do Livro, 2011, p. 45).

      Ouve-se por aí, sem dúvida. Contudo, talvez a interjeição que exprime repugnância mais usada seja... uh! Carla Viana, no Ciberdúvidas, porém, foi de «ugh» que se lembrou numa enumeração de interjeições que exprimem repulsa ou desaprovação. No Assim Mesmo, comentou Bic Laranja: «Ouço pff! ou (p)fu! para repulsa. E hâ!»

 

[Texto 980] 

Helder Guégués às 22:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Das «meias-calças» aos «colãs»

Irreconhecível

 

 

      «Os outros passaram os olhos pela fileira de coisas penduradas na corda: havia lenços rasgados, vestidos de criança, colãs, meias...» (Uma Aventura dos Sete, Enid Blyton. Tradução de Susana Ferreira e Bárbara Soares. Revisão de Silvina de Sousa. Lisboa: Oficina do Livro, 2011, p. 70).

      Ainda se vêem poucos colãs por aí... No original, está stockings. Provavelmente, nas primeiras traduções ler-se-ia «meias-calças». Isto fez-me lembrar as medias calzas castelhanas, que vieram a chamar-se apenas «meias», por contraposição com as calzas atacadas ou enteras, uma mariquice com correias ou atacadores que prendiam as calças, justas, ao gibão, ao passo que as medias calzas subiam somente até ao joelho.

 

[Texto 979] 

Helder Guégués às 22:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Assumiram as suas posições»

É de admitir

 

 

      «As duas equipas separaram-se e assumiram as suas posições» (Uma Aventura dos Sete, Enid Blyton. Tradução de Susana Ferreira e Bárbara Soares. Revisão de Silvina de Sousa. Lisboa: Oficina do Livro, 2011, p. 17).

      Esperava encontrar outra coisa, mas o que está no original é isto: «The two parties separated, and went to each end of Little Thicket.» Assumir é «tomar, atribuir-se, arrogar», lê-se no dicionário de Morais. Nas acepções de supor, pressupor, presumir, assumir é candidato a anglicismo, como escreve, e já aqui o referi, Agenor Soares dos Santos. E, no caso que ora nos ocupa, é português estreme?

 

[Texto 978]

Helder Guégués às 21:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Havia» com verbo no pretérito

Preto no branco (e sublinhado)

 

 

      «O verbo haver é fonte permanente de erros», escreve Públio Athayde no Manual para Redação Acadêmica. Recomenda depois cuidado com vários casos, entre eles, este, já aqui discutido: «d) usa-se havia em locução verbal com verbo no pretérito imperfeito: Estava no cargo havia três anos; nunca: Estava no cargo há três anos» (Belo Horizonte: Editora Keimelion, 2002, p. 131).

      «A música de Pierre Boulez ocupou a segunda parte do concerto, com uma obra que havia quinze anos que não entrava em programas nacionais. Com a colaboração de uma equipa do IRCAM que se responsabilizou pela electrónica, Peter Rundel deu a escutar ...explosante-fixe... (1991-93) [...]» («Cinzelar, burilar, polir», Diana Ferreira, «P2»/Público, 18.01.2012, p. 8).

 

[Texto 977] 

Helder Guégués às 15:12 | comentar | ver comentários (63) | favorito
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Como se traduz nos jornais

David Camarão e os problemas domésticos

 

 

      «Depois de um dia a governar, carregado de problemas domésticos e internacionais, tudo o que David Cameron quer é um jantar tranquilo com a mulher, Samantha, em casa ou num dos seus restaurantes preferidos – o diário britânico The Guardian, que ontem dedicou um pequeno artigo à vida sentimental do primeiro-ministro britânico com base noutro artigo, da Now Magazine, não dizia quais, por razões de segurança» («David Cameron. O que ele faz para namorar», «P2»/Público, 18.01.2012, p. 15).

 

 

[Texto 976] 

Helder Guégués às 12:53 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Ortografia: «electrogravitação»

Era fácil verificar

 

 

      Num texto de Vera Monteiro, o Público de hoje vem revelar «Tudo o que sempre quis saber sobre as agências secretas». Sobre a Operação Paperclip, lê-se: «Foi o nome de código da operação realizada pelas “secretas” dos Estados Unidos para recrutar cientistas especializados em foguetes, electro-gravitação e armas químicas alemães, que tinham servido a causa de Hitler, após a Segunda Guerra Mundial» («P2»/Público, 18.01.2012, p. 18).

      Se se escreve «electrogalvânico», «electrogénese» e «electrografia», todos exemplos registados na página 367 do Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves, é claro que tem de se escrever electrogravitação. E é igualmente claro que isto são minudências para eles. E — espantosa coincidência! — para mim também, só que não desprezáveis.

 

[Texto 975]

 

Helder Guégués às 12:40 | comentar | favorito
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18
Jan 12

«Tratar-se de»

Intratáveis

 

 

      «O PÚBLICO contactou José Sócrates, que não se quis pronunciar. Já Luís Miguel Viana afirmou que se tratam de “afirmações mentirosas, caluniosas e difamatórias”, acrescentando: “A confirmarem-se, irei proceder judicialmente”» («José Manuel Fernandes acusa José Sócrates de contratar cobertura noticiosa especial da Lusa», Maria Lopes, Público, 18.01.2012, p. 8).

      Maria, Maria, que desgosto! Então não é «que se trata» que se diz? Nunca leu nada sobre isto? Não lhe ensinaram?

 

[Texto 974]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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