19
Jan 12

Sobre «bufete»

Por pouco

 

 

      «El bufete del abogado Mario Pascual Vives», lia-se na edição de ontem do El País, «que defiende a Urdangarin, ha declinado confirmar si hoy está previsto algún encuentro entre el letrado y el duque.»

      Nesta acepção, é galicismo que não chegou a este extremo da Península Ibérica. Uf, foi por pouco. Chegámos, todavia, muito perto, pois uma das acepções de «bufete», em português, é secretária antiga; papeleira. Ao que parece — e ao contrário da maioria dos galicismos, que, ou foram adoptados nos séculos XIII e XIV ou no século XVIII e depois –, começou a ser usado em castelhano no século XVI. De mesa de escribir con cajones passou, já se percebe por que processo, a designar o estudio o despacho de un abogado e mesmo a própria clientela del abogado.

 

[Texto 983]

Helder Guégués às 10:41 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «acosso»

Copiaram, mas está bem

 

 

      «“Nos últimos dias”, explicou o advogado, “a minha cliente foi perseguida sem descanso, dia e noite.” Haverá ainda uma queixa por “acosso”. “Desde há algum tempo, Charlotte Casiraghi está a ser acossada, mas, desta vez, com risco de perigo”, referiu [Alain] Toucas. “A princesa vive um inferno diário.”» («Charlotte Medo de morrer como Diana, «P2»/Público, 19.01.2012, p. 15).

      É substantivo que não está registado nos dicionários mais consultados em Portugal. Já que perguntam — sim, o Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves, regista-o na página 23. Acosso, acossamento. No caso, a fonte terá sido a imprensa espanhola, que usa o termo «acoso». No Diário Digital, lê-se, como em toda a imprensa do país vizinho, «Carlota Casiraghi».

 

[Texto 982] 

Helder Guégués às 10:08 | comentar | ver comentários (15) | favorito
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19
Jan 12

«Adega» e «trisneto»

Não haja dúvidas

 

 

      E por falar em Bic Laranja. Num comentário, assinado por Maria (mas, no cabeçalho, [s. n.]) a um texto sobre a pronúncia adêga, lê-se: «Ainda bem que trás este tema a debate.» Prosseguiu, escrevendo: «Há uns dez anos, escrevi para um jornal sobre justamente estas aberrações fonéticas indesculpáveis.» O comentário tem data de anteontem, mas podia ter sido escrito antes de 1973: «sintàcticamente», «tònicamente», «òbviamente». Para remate, isto: «No mesmo canal [TVI24], creio que no mesmo dia, uma voz feminina pronunciou também em off: “... TRISNETOS”!!! Lindo, não haja dúvidas.»

      Pois é. Adêga não é pronúncia antiga nem aberrante. Vão por essas Beiras e ouçam as pessoas. Falem com a minha sogra ou com a minha mulher. (Não, agora não, é tarde.) Abram aí o Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves, na página 1030: estão a ver «trisneto» na coluna do meio? Será difícil perceber que, por analogia com «bisneto», se formou «trisneto»? Que tem como variante «tresneto» (registada na página 1025). Três, tris.

 

[Texto 981]

Helder Guégués às 00:15 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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