21
Jan 12

«Espiar uma pena»!

Caem em todas

 

 

      «O rapaz, agora com 31 anos, espia uma pena de homicídio qualificado no Estabelecimento Prisional do Funchal. O Supremo Tribunal de Justiça acaba de lha baixar de 19 para 17 anos, crendo-o “arrependido”, a viver “em sofrimento”» («O psicólogo que matou a amada», Ana Cristina Pereira, «P2»/Público, 21.01.2012, p. 8).

      Nas Reflexões sobre a Língua Portuguesa, de Francisco José Freire, lê-se: «Expiar e espiar têm notável diferença, e não se deve confundir a pronunciação do ex com a do es; porque expiar é reparar o desatino de um crime com acções satisfatórias. [...] Pelo contrário espiar é observar clara ou ocultamente o que se passa.» Uns anos antes, Madureira Feijó escrevera pouco mais ou menos o mesmo. Ou seja, é confusão que já vem muito de trás.

      Do Livro de Estilo do Público (que os jornalistas do Público, essa é que é essa, não lêem): «espiar / expiar — Dois verbos a não confundir: à família do primeiro pertencem espião, espia e espionagem; à do segundo, (bode) expiatório.»

 

 

[Texto 992]

Helder Guégués às 07:13 | comentar | favorito
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Mais colocações

Mas quem fala assim?

 

 

      «Outro colega, Mario Palombo, ex-comandante do grupo Costa, admitiu por seu lado que sempre teve “algumas reservas” em relação a Schettino. “Ele sempre foi muito exuberante. Um indivíduo audacioso. Mais do que uma vez tive de o colocar no lugar dele”, explicou Palombo, recordando-se da época em que era seu superior, indica o jornal britânico Telegraph» («Concordia. O comandante cobarde», Susana Almeida Ribeiro, «P2»/Público, 21.01.2012, p. 5).

 

[Texto 991]

Helder Guégués às 07:11 | comentar | favorito
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«Tragédia humana»

Assim está melhor

 

 

      «Horas antes, a notícia era outra: o navio movia-se à razão de 7 a 15 milímetros por hora, o que levou à suspensão das buscas durante a noite. Aumentava o receio de que à tragédia humana que foi o naufrágio se some uma catástrofe ambiental» («Movimentos do Costa Concordia travaram operações de busca durante quase todo o dia», João Manuel Rocha, Público, 21.01.2012, p. 21).

 

 

[Texto 990]

Helder Guégués às 07:08 | comentar | favorito
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21
Jan 12

Sobre «bonzo»

Bueno, probablemente

 

 

      «Tres licenciados marroquíes en paro tratan de quemarse a lo bonzo en Rabat», lia-se na edição de ontem do El País. Bonzo é, como sabem, o sacerdote budista. E como é isso de se queimarem a lo bonzo? «Rociándose de líquido inflamable, y prendiéndose fuego en público, en acción de protesta o solidaridad.» Neste caso, o DRAE diz que provém do japonês. Não faltam, contudo, autores espanhóis (nem portugueses) que dão como provável ou certa a etimologia portuguesa. Parece que foi S. Francisco Xavier que introduziu a palavra na Europa, e foi em Portugal, muito provavelmente, que ela ganhou a nasalização medial. Alguns dicionários também registam a variante bônzio. Dalgado, que dedica uma extensa entrada ao vocábulo no seu Glossário, regista também, como derivado, «bonzaria», a colectividade de bonzos, e, ainda mais curioso, «bonzeiro», o amigo dos bonzos.

 

[Texto 989]

Helder Guégués às 05:23 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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