22
Jan 12

Fora o «rating»

Menos sabujos, é isso

 

 

      Lê-se na edição de hoje do El País: «El tono bajista impregna de forma mayoritaria las calificaciones que emiten las principales agencias de valoración de riesgo, pero sus cuentas de resultados no dejan entrever ni atisbo de ese pesimismo.»

      Nem vestígio da subserviência dos meios de comunicação social portugueses: são agencias de valoración de riesgo e não agencias de rating. Neste caso, o jornal espanhol esteve perto da recomendação, datada de Julho do ano passado, da Fundéu: «En nuestro idioma rating agencie puede traducirse por agencia de calificación (en plural, agencias de calificación, no agencias de calificaciones).»

 

 

[Texto 1005] 

Helder Guégués às 19:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Existir/haver

Falta o melhor

 

 

      Repórter André Castro Ribeiro, no Jornal da Tarde: «A chegada ao novo ano faz-se esta noite, e, nos próximos dias, provavelmente, existirão mais chineses nas salas de jogo. É que muitos acreditam que há uma maior probabilidade de ganhar neste início do ano do Dragão.» E mais: «Diz o horóscopo chinês que este novo ano do Dragão será bom para colocar em prática projectos há muito pensados.»

 

[Texto 1004]

Helder Guégués às 19:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Também foi revisor

Uma homenagem

 

 

      «[Stieg Larsson] Durante 20 anos trabalhou na maior agência de notícias sueca, a TT, primeiro como dactilógrafo e revisor, depois como artista gráfico, a desenhar mapas e diagramas» («O enigma de Stieg Larsson/Café, cigarros e comunismo», Diana Garrido, «Liv»/i, 21.01.2012, p. 9).

      Só peço aos leitores isto: nos comentários, indiquem apenas os nomes de pessoas conhecidas que foram revisores. Um, dois, três... Vitorino Nemésio, Luiz Pacheco...

 

[Texto 1003] 

Helder Guégués às 16:53 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Revisão

Não acreditamos

 

 

      «Isso não o incomoda nada. Kyrill de Saxe-Coburg — que detesta ser tratado por Kyrill da Bulgária (“por ser uma invenção das revistas del corazón”, diz) — garante também que ser alvo da atenção quase permanente dos fotógrafos nunca interferiu na sua vida profissional» («O príncipe surfista que gere fortunas», Sónia Bento, Sábado, n.º 402, p. 87).

      Na redacção não leram bem o texto ou, o que é mais duvidoso, têm outra opinião e, numa legenda, lê-se: «Kyrill da Bulgária e Rosario Nadal casaram-se em Palma de Maiorca em 1989».

 

[Texto 1002] 

Helder Guégués às 16:50 | comentar | favorito
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Proeminente ≠ preeminente

1001

 

 

      «Em poucos anos, [Eugen Sandow] ganhava 150 libras por semana num teatro de Leicester Square, com figuras proeminentes a quererem falar com ele e ladies vitorianas a testá-lo com murros nos peitorais definidos, nos bastidores» («O primeiro Schwarzenegger», Ricardo Dias Felner, Sábado, n.º 402, p. 75).

     Proeminentes, só se fossem os narizes ou aqueles incríveis chapéus, os mais farfalhudos, que as vitorianas usavam.

 

[Texto 1001]

Helder Guégués às 16:47 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Despensa ≠ dispensa

É o milésimo

 

 

      «Uma vez, quando aspiravam montinhos de areia que encontraram na dispensa, o tubo do aspirador ficou bloqueado com fezes dos animais» («Confissões das empregadas», Susana Lúcio, Sábado, n.º 402, p. 73).

 

 

[Texto 1000]

Helder Guégués às 13:38 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Como se escreve nas revistas

«Caso acompanhe a queixa»?

 

 

      O empresário António Ferreira, marido da fadista Mariza, apresentou queixa-crime contra um administrador da empresa Plurijogos, da qual é sócio. «Caso o Ministério Público angolano acompanhe a queixa, está prevista uma pena de prisão entre dois a oito anos ou, em alternativa, “degredo temporário”» («Marido de Mariza apresenta queixa por falsificação», Sábado, n.º 402, p. 18).

 

[Texto 999]

Helder Guégués às 12:52 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Como falam os políticos

Nem advérbios, nem preposições...

 

 

      Guimarães, Capital Europeia da Cultura em 2012. Ontem, antes do stravinskiano O Pássaro de Fogo, Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, afirmou: «A cultura, o conhecimento e a inovação não são meros adjectivos, pelo contrário, são elementos substanciais de qualquer processo de crescimento ou de relançamento económico.»

 

[Texto 998]

Helder Guégués às 12:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Quase Destouches

Mas bem pensado

 

 

      «Ne chassez pas la nature, elle revient au galop.» Assim acaba Vasco Pulido Valente a sua crónica de hoje, toda dedicada a Cavaco Silva, que quer ser um de nós e não é. A frase, porém, está um tudo-nada deturpada. «Chassez le naturel, il revient au galop», escreveu Destouches na peça Le Glorieux, em 1732, inspirado, diz-se, numa frase de Horácio nas epístolas: «Naturam expellas furca, tamen usque recurret.» O que conta é a intenção...

 

[Texto 997]

Helder Guégués às 11:33 | comentar | favorito
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Reforma ortográfica de pantufas

Dona Aspulqueta

e as infidelidades de Oscar

 

 

      Oscar Mascarenhas, provedor do Diário de Notícias, parece que não está nem a favor nem contra o Acordo Ortográfico. Parece, porque no meio de tantas palavras fica-se aturdido. «Ou segundo o Acordo ou segundo o desacordo. O DN que escolha. Com a brevidade que o serviço ao leitor exige.»

      «Tenho assistido – sem grande vibração, diga-se – à troca de opiniões, mais ou menos acaloradas, mais ou menos profundas sobre a questão do Acordo Ortográfico. Descaracterização da língua, submissão ao brasilês, com tudo se argumenta, até com o “matriotismo” obstinado do “foi assim que me ensinou a minha santa professora da escola primária”. [...] Pois é, não me venham com fidelidades às nossas professoras porque há muito que as traímos – eu sempre a contragosto – quando aceitámos uma outra reforma ortográfica, que veio de pantufas não sei quando e nos mandou deixar para trás o critério fonético da ortografia, partindo do princípio que “toda gente” sabe pronunciar as palavras, pelo que não é preciso estar com muitos rigores. Essa sim, foi a reforma que desfigurou a nossa ortografia – mas onde estavam os que deviam protestar e me deixaram (ainda hoje) vox clamantis in deserto?» («(Des)Acordo Ortográfico separa os “maquisards” dos vende-pátrias”?», Diário de Notícias, 21.01.2012).

      Afinal, por quantas reformas ortográficas passou Oscar Mascarenhas, que nasceu em 1949?

 

[Texto 996] 

Helder Guégués às 08:56 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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A convidada anfitriã

Vá para bordo

 

 

      «Porque da fúria ao humor a distância é curta, já estão à venda em Itália T-shirts com a frase “Capitão, volte para bordo”, usando a frase do oficial da guarda-costeira [sic] que falou com Schettino depois do naufrágio» («Tripulação do navio tentou negar naufrágio», J. A. V., i, 21.01.2012, p. 11).

      Não, não, J. A. V., a frase não é essa. «Já circulam por Itália t-shirts onde se lê a frase “Vada a bordo, cazzo!”, o que, em versão suavizada quer dizer qualquer coisa como “Regresse a bordo, porra!” Ou seja, a cobardia do comandante Francesco Schettino já entrou no anedotário nacional» («Concordia. O comandante cobarde», Susana Almeida Ribeiro, «P2»/Público, 21.01.2012, p. 4). «Vá para bordo, caralho!» Veja aqui. O texto tem outros erros. «Ontem, [Domenica] Cemortan, anfitriã do cruzeiro, veio garantir em entrevista a um jornal moldavo que não é amante do capitão como foi sugerido.» Convidada do capitão — é anfitriã. E não é amante como foi sugerido — mas de outra forma, talvez. Enfim, assim se escreve nos nossos jornais. Cazzo.

 

 

[Texto 995]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Megagrupamentos»!

Primeiro estranha-se,

depois detesta-se

 

 

      «Ensino profissional e alunos de risco excluídos de megagrupamentos», era o título que se podia ler na página 7 da edição de ontem do i. Verdade seja dita que no artigo, assinado por Kátia Catulo, não aparecia. Deve ter sido o «criativo» da redacção.

 

[Texto 994]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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22
Jan 12

«Se dúvidas houvessem»!

Em breve numa livraria

 

 

      «E se dúvidas houvessem sobre a veracidade da história, o agente da PSP desfez todas e mais algumas» («A teoria do número Primo ou o estranho caso do primo invisível», Sílvia Caneco, i, 21.01.2012, p. 31).

      Quando se escrever a história da língua, dir-se-á que, no início do século XXI, a forma canónica era residual. À cabeça da contestação, estavam os jornalistas. Absolutamente lamentável.

 

[Texto 993]

Helder Guégués às 07:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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