23
Jan 12

«Poço preenchido»!

Oh tristeza incomparável!

 

 

      «– Há as ruínas de um [poço] mesmo atrás da casa. Descobri-as mal cá cheguei. Mostrei-as ao tio Maurice e ele disse que deve ter havido ali, em tempos, um poço, mas que fora entretanto preenchido com terra» (Tesouro Mágico, Gwyneth Rees. Tradução de Paula Alves e revisão da tradução de Ana Maria Chaves. Lisboa: Edições Asa, 2.ª ed., 2011, p. 178). «Algumas das pedras que, em tempos, tinham debruado o rebordo do poço continuavam a formar um círculo irregular no chão, apesar de o poço propriamente dito ter sido preenchido com terra já há muito tempo e de estar agora coberto de relva» (idem, ibidem, pp. 179-80).

      É tristíssimo ver esta falta de vocabulário. Tradutora, dois revisores certamente... Como dizia a minha avó, quantos mais são, menos fazem (e menos avulta o quinhão, rematava o meu avô). Tomai lá de Eça: «Encontrou enfim o poço atulhado ao pé de dois castanheiros onde pássaros ainda chilreavam» (O Crime do Padre Amaro, Eça de Queiroz). 

 

[Texto 1008]

Helder Guégués às 23:35 | comentar | ver comentários (7) | favorito
Etiquetas:

Pêra/peras

Continuará

 

 

      Há muitos erros generalizados, como este: «Aninhadas na folhagem, havia maçãs de um vermelho rosado e pêras de um amarelo dourado que pareciam suficientemente maduras para serem comida» (Tesouro Mágico, Gwyneth Rees. Tradução de Paula Alves e revisão da tradução de Ana Maria Chaves. Lisboa: Edições Asa, 2.ª ed., 2011, p. 142). Está mesmo no texto do Acordo Ortográfico de 1945 («pêra, substantivo, e pera, preposição arcaica (mas o plural, peras, sem acento)»), mas é claro que isso não é suficiente, pois os falantes não o conhecem. Com o novo acordo, a confusão há-de persistir.

 

[Texto 1007]

Helder Guégués às 23:12 | comentar | favorito
Etiquetas:
23
Jan 12

Revisão

Não brinquem

 

 

      «Em seguida, abriam-no e muitas faíscas começavam a saltar do seu interior, assobiando como as centelhas das fogueiras da Noite do Guy Fawkes – a única diferença é que estas faíscas não se formavam na ponta dos paus, mas estalavam no ar» (Tesouro Mágico, Gwyneth Rees. Tradução de Paula Alves e revisão da tradução de Ana Maria Chaves. Lisboa: Edições Asa, 2.ª ed., 2011, p. 25).

      «Noite do Guy Fawkes»! O Guy Fawkes, como quem diz o Tareco. E metade do nome de uma festividade em itálico, senhores revisores?

 

[Texto 1006]

Helder Guégués às 19:49 | comentar | favorito
Etiquetas: