07
Jan 12
07
Jan 12

Sobre «formatar»

Não era preciso

 

 

      «O Papa Bento XVI nomeou ontem 22 novos cardeais, que receberão o barrete e o anel cardinalício a 18 de Fevereiro, num consistório convocado para o efeito. A lista dos novos purpurados acentua uma composição europeia e italiana do grupo de eleitores de um futuro Papa – mais formatado também à imagem do Papa Bento XVI» («Nomeação de 22 novos cardeais acentua componente europeia em futuro conclave», António Marujo, Público, 7.01.2012, p. 20).

      Não temos acaso uma forma mais portuguesa de dizer o mesmo? Mas vejo que este neologismo da área da informática goza de mais simpatia — não minha — do que outros. Acessar, deletar, inicializar, resetar...

 

[Texto 920] 

Helder Guégués às 05:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Jan 12

Porque, advérbio interrogativo

Só para lembrar

 

 

      Tem razão, caro leitor: ando a citar muito o Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves. Fá-lo-ei ainda mais nos próximos tempos. Só um lembrete: esta obra regista, na coluna da direita da página 812, o advérbio interrogativo «porque». «Porque não responde?; Diga porque não responde; Eis porque não respondo.»

 

[Texto 919]

Helder Guégués às 08:23 | comentar | ver comentários (22) | favorito
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O dalai-lama

Como se fosse um nome próprio

 

 

      Não aprendem de maneira nenhuma: «O budista mais famoso de Hollywood, Richard Gere, resolveu entrar em 2012 cheio de espiritualidade. O actor norte-americano, de 62 anos, foi até à Índia para estar com Dalai Lama no Festival Budista Kalachakra, que está a decorrer na cidade de Bodh Gaya – onde se acredita que Buda alcançou a iluminação. Anteontem, Gere assistiu à palestra do líder espiritual tibetano e, no final da cerimónia, foi cumprimentá-lo. O festival começou a 1 de Janeiro e termina na próxima terça-feira» («Richard Gere na Índia com Dalai Lama», «P2»/Público, 6.01.2012, p. 19).

 

[Texto 918]

Helder Guégués às 08:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os médicos

Oh, Sr. Doutor...

 

 

      Celso Cruzeiro, director do Serviço de Cirurgia Plástica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC): «Eu já vi nos media a passar “implantes cancerígenos”. Ora isto é uma notícia completamente falsa e completamente fora do contexto. Não faz sentido sob o ponto de vista científico. O que nós sabemos é que há mais rupturas, e havendo mais rupturas dum gel que não é próprio, provoca mais inflamação, pode provocar mais dores, pode provocar mau-estar, e portanto isso justifica uma intervenção.»

 

[Texto 917]

Helder Guégués às 07:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os políticos

Indícios

 

 

      Luís Marques Guedes, secretário de Estado da Presidência, ontem: «Esse assunto não foi hoje fechado no Conselho de Ministros e aguardará por mais uma ronda negocial na Concertação Social, que esperamos tenha bons resultados. De resto, há de facto indícios de que podem haver avanços.»

 

[Texto 916]

Helder Guégués às 07:03 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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A língua e as normas ortográficas

Incontáveis as razões de reparo

 

 

      O escritor e filólogo José Soares escreve hoje no Público sobre o Acordo Ortográfico de 1990. Termina assim o seu texto: «Neste Acordo Ortográfico, dito de 1990, aparecem normas e directivas que, por uma certa racionalidade conservadora, contesto. A razia que faz às letras que se não dizem ou lêem e o concomitante apagamento de alguns diacríticos produzem em mim um certo desconforto. É o caso de vocábulos até aqui terminados em -ecto, como directo, recto, tecto, etc., que agora se escrevem direto, reto, teto, etc. Ora, não conhecendo eu as novas regras ortográficas (e mesmo conhecendo-as), posso muito bem (ou muito mal) ler e dizer dirêto, rêto, têto, etc., que é assim que, predominantemente, se lêem ou dizem as palavras em -eto, como folheto, amuleto, esqueleto, etc. É que não foi revogado, nem por fundamentação pertinente da Academia nem muito menos pelo costume, a regra implícita tradicional e etimologicamente correcta do valor fonético daquela consoante c, que faz(ia) abrir a vogal precedente. Mas penso que são incontáveis as razões de reparo que o Acordo oferece. Ou será que passa a ser indiferente qualquer modo de acentuar a tónica como muito bem nos apetecer? Não poderá esta língua aceitar como necessário um paradigma fonético, confirmado na escrita, sem constrangimento dos falares regionais e transnacionais? Penso que sim» («Situações incómodas em português», Público, 6.01.2012, p. 33).

 

[Texto 915] 

Helder Guégués às 06:52 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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06
Jan 12

Léxico: «Kopimism»

Religião oficial?

 

 

      «“Agradecemos-te, Senhor, por este ficheiro que vamos sacar.” A partir de agora, todos os que crêem na cópia e na partilha livre de músicas, filmes ou qualquer outro tipo de ficheiro digital, podem comungar na Igreja do Kopimism, uma congregação oficialmente reconhecida como religião pelas autoridades da Suécia.

      O termo “kopimism” (de “kopimi” – lê-se copy me) é de difícil tradução para o português, mas o principal mandamento desta nova igreja é fácil de compreender pelos falantes de qualquer língua: copiarás e partilharás livremente todos os ficheiros que te aparecerem pela frente» («Partilha de ficheiros já é uma religião na Suécia», Alexandre Martins, Público, 6.01.2012, p. 18).

 

[Texto 914]

Helder Guégués às 06:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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