14
Fev 12

«Lacuna/laguna/lagoa»

Tudo passa

 

 

      «La extensa biografía que Walter Isaacson escribió sobre el co-fundador de Apple no se detenía demasiado en su faceta zen, laguna que ahora pretende cubrir The Zen of Steve Jobsnovela gráfica que explora la relación de Jobs con el sacerdote budista Kobun Chino Otogawa», acabei de ler no blogue Papeles Perdidos, do El País.

      Em castelhano, laguna tanto é bacia litoral de água paradas como omissão. Nós divergimos — e ainda bem. Para a bacia litoral, temos laguna e para a omissão temos lacuna, que foi, outrora, um cultismo. Tudo passa. «En los manuscritos o impresos, omisión o hueco en que se dejó de poner algo o en que algo ha desaparecido por la acción del tiempo o por otra causa.» E até divergimos mais, pois também temos, por via popular, lagoa.

 

[Texto 1108]

Helder Guégués às 20:32 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Quem tuteamos

Detido e tuteado

 

 

      Acesa altercação. Já sabem onde. O inspector tratou o detido por tu. O advogado deste não gostou e disse-o. Que era falta de respeito. Que não, não era, respondeu o inspector. Eu só desabafei com um audível «Valha-me Deus!», mas apetecia-me afirmar em voz alta, se fosse ali chamado, que era falta de respeito, sem dúvida. «Só o fez porque o meu cliente é negro.» Isso é que já não sei, senhor Dr.

 

[Texto 1107]

Helder Guégués às 17:52 | comentar | favorito
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«Brisa glaciar»

Humildemente

 

 

      «Agora, sempre que vejo os restos mortais de algum jornal gratuito abandonado no metropolitano, ou esvoaçando, qual melancólico fantasma, pelas ruas flageladas pela brisa glaciar de Fevereiro, lembro-me do Manuel António Pina» («Embrulhar o peixe», Jorge Marmelo, «P2»/Público, 14.02.2012, p. 3).

      Tenha atenção da próxima, Jorge Marmelo, «glaciar» é substantivo e verbo. O que queria era um adjectivo. Ei-lo: glacial. Ora de nada, eu também sou generoso.

 

[Texto 1106]

Helder Guégués às 17:42 | comentar | favorito
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Neste momento

Aguarda-se a todo o instante...

 

 

      Entretanto, na Assembleia da República, na comissão de Educação, Ciência e Cultura, encontra-se o cidadão (outro jurista?) David José Caldas Baptista da Silva para defender a petição (n.º 68/XII), de que é o único subscritor, em que exige um referendo sobre o Acordo Ortográfico. A «questão» que o peticionário quer «colocar» — são os termos da petição, que está aqui — ao bom povo é a seguinte: «Concorda com a existência e implementação do Novo Acordo Ortográfico?»

 

[Texto 1105]

Helder Guégués às 17:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Contra a vontade do povo português»

Não colhe

 

 

      «O queixoso [Ivo Miguel Barroso, assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa] explicou à Lusa que o AO viola a Constituição, porque esta foi escrita seguindo a ortografia anterior ao acordo aprovado em 1990. Daí que seria necessária “uma revisão constitucional” para que a ortografia da Constituição fosse alterada. “Assinalo, porém, que a Constituição já foi aprovada. As alterações, em sede de revisão, são feitas artigo a artigo. Por isso, só alterando todos os artigos que estão em desconformidade com o AO”, adverte Ivo Barroso, segundo a Lusa. E acrescenta que “uma língua não se muda por decreto”, além de que considera que o acordo foi elaborado “contra a vontade do povo português” e contra a maioria dos “pareceres técnico-científicos”.

      Jorge Bacelar Gouveia, professor da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, ainda que admitindo que a iniciativa de Ivo Barroso vem “abrir uma nova frente de discussão” sobre o tema, não concorda que a constitucionalidade do AO esteja em causa. “Não se trata de uma revisão da língua, que não muda”, argumenta o também presidente do Instituto de Direito da Língua Portuguesa. E nota que o AO “não tem uma dimensão punitiva”, continuando os portugueses a poder usar a língua como bem entenderem. Também a constitucionalista e deputada independente pelo PS Isabel Mayer Moreira, salvaguardando não conhecer o teor do requerimento, acha que a ideia da inconstitucionalidade “não colhe”. “O que não pode ser alterado são as palavras no seu significante, não na forma. Se se retirar um ‘c’ antes de um ‘p’, isso não altera o significado da palavra”, diz» («Movimento de oposição ao Acordo Ortográfico cresce em várias frentes», Sérgio C. Andrade, Público, 14.02.2012, p. 10).

      Custa um pouco a crer que um assistente de Direito tenha enveredado por esta via tão pouco promissora.

 

[Texto 1104]

Helder Guégués às 16:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Subjugado pelo AO

Inconvertíveis

 

 

      «Quem fez questão de recusar qualquer associação entre a queixa na Provedoria e a sua luta contra o AO foi João Pedro Graça, o primeiro subscritor da ILC que continua a cuidar de reunir as assinaturas necessárias para apresentar um projecto de lei na AR que revogue o AO. “Não queremos ter só as 35 mil assinaturas exigidas por lei, mas o máximo possível para fazermos valer a nossa causa”, diz o ex-tradutor, que abdicou da sua profissão, e está agora desempregado, por se recusar a trabalhar subjugado pelo AO» («Movimento de oposição ao Acordo Ortográfico cresce em várias frentes», Sérgio C. Andrade, Público, 14.02.2012, p. 10).

      Não sabia. Inevitável é um revisor ter de se submeter, quer queira quer não queira, às novas regras ortográficas. Um tradutor, se for competente, terá sempre clientes, e a conversão é feita na editora ou pelo revisor. Uma questão de princípio, dir-se-á.

 

[Texto 1103]

Helder Guégués às 16:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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14
Fev 12

«Condenação no crime»?

Condenável

 

      «A condenação (e inabilitação durante onze anos) de Baltazar Garzón no crime de prevaricação, por ter ordenado escutas das conversas confidenciais entre os arguidos do processo Gurtel e os seus advogados, não é trama que mereça ficar entre parangonas» («O caso Garzón», Pedro Lomba, Público, 14.02.2012, p. 40).

      É-se condenado no crime ou pelo crime? Condenado na pena de... pelo crime de...

 

[Texto 1102]

Helder Guégués às 09:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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