24
Fev 12

Quais estrangeirismos?

Este é que era sensato

 

 

      «Rui Barbosa, no lugar indicado da sua Réplica que eu cito sempre que posso e com loa pela muita erudição que encerra e pela fadiga e trabalho que deve ter custado a seu autor, salvou palavras e construções do injusto ferrete de galicanas, e mostrou o quanto é delicada e exposta a equivocações a divisão exacta dos vocábulos em estranhos e castiços, pois pululam grande número de vozes, que, ainda que parecem novas e de fisionomia tirante ao francês, são de mui antiga e acrisolada ascendência. É preciso, pois, que se ponha suma atenção ao qualificar as palavras e frases que se supõem suspeitosas do pecado de estrangeirismo, para que não suceda que, por excluir as forasteiras, vindas de França, arrojemos tambêm do seu próprio solar palavras lusitaníssimas» (Fatos da Língua Portuguesa, Mário Barreto. Rio de Janeiro: Presença Edições, 3.ª ed., facsimilada, 1982, p. 117).

     Faz lembrar o provérbio (alemão?) que diz que não se deve deitar fora o bebé com a água do banho, que ainda ontem ouvi na rádio. Como a pessoa que estava ao meu lado elevou para mim um olhar interrogador, posso supor que é menos universal do que eu pensava? Não. Se estivéssemos a ouvir a BBC Radio 4Throw out the baby with the bath water either —, o olhar já teria sido de entendimento.

 

[Texto 1141] 

Helder Guégués às 13:46 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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24
Fev 12

De como a revisão faz falta

Estas contas

 

 

      Eu não dava mais de 70 anos a Almeida Faria, mas, pelo que leio na Ípsilon, tem 88! «Muito novo, Almeida Faria deu sinais de não jogar de acordo com as regras habituais da carreira literária: surgiu cedo e com brado, publicando “Rumor Branco” em 1943, com 19 anos – uma raridade, face à maturidade do livro» («O regresso do estilista esquivo», João Bonifácio, p. 20). A falta de revisão nota-se sempre: «Em termos estilísticos, o livro representa um salto na sua obra – é mais narrativo e mais ensaístico do que toda a sua produção, mas acima de tudo menos barroco, mais limpo e as longas elipses que usava.» As longas elipses que usava... desapareceram.

 

[Texto 1140]

Helder Guégués às 13:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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