01
Mar 12

No rio Minho

Safra da lampreia

 

 

      Centenas de pescadores portugueses e galegos do rio Minho estão a ter grandes prejuízos com a falta de chuva. A repórter da Antena 1 Ana Gonçalves foi logo topar com um português atravessado: «E este ano tem-se notado, é muita sequia, não é, e tem-se notado, este ano.» Azar: não falava português nem galego. Sequía: «Non se atopou o termo.»

 

[Texto 1166]

Helder Guégués às 20:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Como se fala na rádio

Mal, muito mal

 

 

      Pedro Lomba escreveu, na sua crónica de hoje no Público, «dicionário Houiass». Uma gralha, de que ninguém está livre. Pior foi à tarde, na Antena 1, um jornalista ter dito que o «Dicionário /Uísse/» ia ser proibido ou algo semelhante (ver texto «Estáquio vs. D’Elboux», aqui).

 

[Texto 1165]

Helder Guégués às 20:21 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Mapa anamórfico»

Mais lacunas

 

 

      Hoje de manhã a minha filha perguntou-me se os mapas existem. Tentei aprofundar a dúvida para responder. E agora mesmo, em contrapartida, acabo de conhecer o conceito de mapa anamórfico, ou cartograma. Que, incompreensivelmente, nem todos os dicionários registam.

 

[Texto 1164]

Helder Guégués às 19:42 | comentar | favorito
Etiquetas:

Isso pergunta-se?

Anda cá que eu já te conto

 

 

      E a criatura perguntou-me então, olhos nos olhos, se isso dos audiolivros era ainda literatura. Ah, depende! Acabei de comprar na Boca o audiolivro Memórias de Um Craque, de Fernando Assis Pacheco. Da Boca para o ouvido.

 

[Texto 1163]

Helder Guégués às 19:14 | comentar | favorito
Etiquetas:

Sobre «fumo»

Já não se vê

 

 

      Ontem ouvi na Antena 1 que não sei que jogadores iam usar, num certo jogo, fumo em sinal de luto pela morte do treinador. Há muito que não ouvia a palavra, e há mais ainda que não vejo a «faixa, tarja de tecido preto liso, geralmente baço, que se usa na cobertura da cabeça, na lapela, no braço esquerdo, em sinal de luto» (como o define a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira).

   «Quando apareceu assassinado na Poça das Feiticeiras tinha um fumo preto no chapéu e usava gravata preta» (Eugénia e Silvina, Agustina Bessa-Luís. Lisboa: Guimarães Editores, 1989, p. 134).

 

[Texto 1162] 

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas:

Pedro Lomba e o AOLP90

Tem razão

 

 

      «Nunca alinhei especialmente nas brigadas pró ou contra a unificação da ortografia. Por falta de competência não iria acrescentar nada ao debate», escreve Pedro Lomba na sua crónica de hoje. Muitos leitores julgarão que isto é modéstia ou falsa modéstia, e bem pode ser, mas o diagnóstico está perfeito, como se comprova pelo que escreveu antes: «Como foi que surgiram entre nós os vocábulos ‘autoclismo’ e ‘retrete’, enquanto os brasileiros escolheram os termos ‘bombeiro’ e ‘privada’? Eu sei que a troika não trata destas coisas. Etimologicamente, aprendo no Houiass [sic], autós significa em grego “por si mesmo” e klusmós “acção de lavar”. Privada entrou mais tarde e sem este amparo clássico. É produto duma outra civilização» («Eterno desacordo», p. 40). Sobre bombeiro/canalizador, descarga/autoclismo, alvitra como o homem da rua: «O que posso dizer é que nenhum acordo de escrita entre Brasil, Portugal e a África lusófona irá erradicar estas diferenças de vocabulário. E muitas outras existem, como toda a gente sabe.» Pois é, mas como se trata de um acordo ortográfico, isso não interessa.

 

[Texto 1161] 

Helder Guégués às 08:19 | comentar | ver comentários (7) | favorito
Etiquetas:

O VOP e o «tato»

Sic, sic, sic

 

 

      Só um parágrafo do texto de Francisco Miguel Valada no Público de ontem: «A propósito, se para este desfecho me tivesse alicerçado na plataforma adoptada pelo Governo português, o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), a “base de legitimação científica” (p. 11) das Autoras, ter-me-ia deparado com mais uma das disparidades entre português europeu e português do Brasil criadas pelo AO90. Contudo, o que se passa é bem mais grave. Diz-nos o VOP do ILTEC que tacto e olfacto apenas se escrevem com cê no Brasil. Isto é francamente estranho. Olfacto e tacto não surgem no Dicionário Houaiss (edição de 2009) e no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (2001), organizado por Malaca Casteleiro, co-autor do AO90, aparece a pronunciação do cê no olfacto do português europeu. As Autoras podem repetir até à exaustão que “a aproximação [?] ortográfica não interfere com (...) a ortoépia” (p. 13), mas, a partir de olfato [sic] AO90, quem tira legitimidade à pronunciação daquele cê? Um vocabulário ortográfico» («Dermatologia e resistência silenciosa», p. 39).

 

[Texto 1160]

Helder Guégués às 00:38 | comentar | ver comentários (6) | favorito
Etiquetas:
01
Mar 12

Sobre «crítico»

Falta pouco

 

 

      «Quantas vezes já lhe aconteceu estar a usar o computador e, por alguma razão, a ligação sem fios à Internet se perder? Se o sistema estiver bem montado, isto é raro acontecer. E, em princípio, as consequências não serão graves, pelo que podemos lidar com estas falhas ocasionais. Mas se tecnologia de transmissão sem fios for usada em sistemas críticos, estas falhas não podem acontecer» («Travões sem fios», João Pedro Pereira, «P2»/Público, 29.02.2012, p. 3).

      Nesta acepção, é anglicismo semântico ainda não acolhido por todos os dicionários. É só esperarmos.

 

[Texto 1159]

Helder Guégués às 00:21 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: