05
Mar 12

Ora toma: «Uso capitão»!

O novíssimo Público

 

 

      Sim, gosto do novo grafismo do jornal Público. Tem, porém, como os outros jornais, de mudar em aspectos muito mais importantes. Por exemplo? Idálio Revez escreveu hoje, e não parecia que estivesse a brincar: «No caso de Armação de Pêra, quando estão em causa equipamentos públicos, há dezenas de anos sob administração do Estado, “o que há fazer é o recurso ao uso capitão”, a legislação que confere a posse do [sic] parcela a quem lhe dá uso e cuida há mais de 15 anos. A proposta de compra, sublinha, “é mais uma negociata”» («Investigador da Universidade do Algarve defende que compra da praia não se justifica», I. R., Público, 5.03.2012, p. 54).

 

[Texto 1185]

Helder Guégués às 21:21 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Consoantes mudas

Já cansa repetir

 

 

      «Se a Comissão [da reforma ortográfica] encarregada de preparar a simplificação da ortografia portuguesa mantêm [sic] a letra p na escrita do vocábulo recepção, não há ofensa da pronúncia, nem para o Brasil onde soa a dita letra, nem para Portugual, onde não se pronuncia o p, mas se conserva a letra nula pela razão, que já cansa repetir, de que a consoante muda influi no som da vogal precedente, e assim tanto o brasileiro como o português reconhecerão na escrita a pronunciação que dão ao vocábulo» (Fatos da Língua Portuguesa, Mário Barreto. Rio de Janeiro: Presença Edições, 3.ª ed., facsimilada, 1982, p. 323).

 

[Texto 1184]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Sobre «exorável»

Desde o século XVI

 

 

      «É tambêm de notar que nos ficaram e subsistem no uso corrente vocábulos compostos cujos simples não são de nosso idioma. Dizemos inulto (de in e ultus, vingado), e não dizemos o primitivo ulto, e, como êste, outros muitos exemplos: invicto, immundo (de in e mundus, limpo). De uso freqùente é inexorável, mas dá-se o caso de que exorável, de exorabilis, o que se deixa vencer com rogar (de os, oris), se emprega pouco ou nada» (Fatos da Língua Portuguesa, Mário Barreto. Rio de Janeiro: Presença Edições, 3.ª ed., facsimilada, 1982, p. 229).

      Espanta que ainda subsista nos nossos dicionários.

 

[Texto 1183]

Helder Guégués às 09:38 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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05
Mar 12

Léxico: «montícola»

Semelhante, sem dúvida

 

 

      «A modernização levada a cabo no Douro terminou com muitas práticas agrícolas já testadas ao longo das décadas ou até séculos anteriores. Uma das mudanças foi a opção por porta-enxertos mais vigorosos e produtivos, em detrimento do porta-enxerto tradicional, o montícula, muito mais resistente. Outra foi a introdução do sistema de condução da vinha em cordão, que é mais fácil de trabalhar, mas que é mais exigente para a videira» («No Douro recuperam-se práticas antigas para enfrentar os desafios climáticos», Pedro Garcias, Público, 4.03.2012, p. 6).

      Não encontro em nenhum dicionário, somente «montícola», que, contudo, só está dicionarizado na acepção de que é criado ou vive nos montes ou montanhas. Vejo aqui, contudo, que ao porta-enxerto (termo que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não acolhe) de nome Rupestris du Lot (Rup. du Lot) também se chama montícola.

 

[Texto 1182] 

Helder Guégués às 00:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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