06
Mar 12

Léxico: «mediclina»

Astrolábio náutico

 

 

      «Queria dizer: medicina, declina, l=declina, medulina?» Nada disso, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Eu queria mesmo dizer medeclina ou mediclina. O Dicionário Houaiss responde: «alidada que gira em torno do centro do astrolábio».

 

[Texto 1189]

 

Helder Guégués às 15:18 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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Sobre «fronda»

Anne d’Autriche e Mazarin!

 

 

      «Não sou economista, nem partilho do optimismo da casta. Mas há qualquer coisa nesta fronda anti-económica em 2012, unindo sectores à esquerda e à direita, que neste momento me parece leviana e primária» («A economia», Pedro Lomba, Público, 6.03.2012, p. 52).

      Para o Dicionário Houaiss, na versão em linha, a etimologia de «fronda» é o «fr. Fronde (1651) ‘revolta que estourou no início (1648) do reinado de Luís XIV (1638-1715) dirigida contra Anne d’Autriche e Mazarin; o nome do partido que a originou’». Anne d’Autriche e Mazarin! (Caro Paulo Araujo, é preciso corrigir o verbete.) Para três homónimos franceses, temos nós três vocábulos diferentes: «funda», «revolta» e «fronde».

 

[Texto 1188]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Omissão de cadáver»

Claro que «omissão» é «falta»

 

 

      «O enfermeiro e militar da Marinha que confessou ter morto [sic] um director dos CTT, em 2007, foi ontem condenado por homicídio qualificado a 20 anos e seis meses de cadeia – por homicídio qualificado e omissão do cadáver – e terá de indemnizar os familiares da vítima» («Condenado autor do homicídio de director dos CTT», Público, 6.03.2012, p. 10). Em Portugal, não é essa a expressão por que é designado o crime, pelo menos habitualmente. No Código Penal, art. 254.º, o verbo usado é «ocultar». No Brasil sim, é «omissão de cadáver», expressão corrente pelo menos na jurisprudência.

 

[Texto 1187]

Helder Guégués às 09:08 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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06
Mar 12

«Racionar/racionalizar»

Raciocinemos

 

      «Mais de metade das culturas da Cova da Beira estão destruídas por causa da falta de chuva. A seca extrema faz com que as pastagens estejam secas. Os agricultores estão desesperados, as únicas reservas que tinham estão esgotadas», diz a repórter Sandra Salvado, da RTP. O agricultor Carlos Batista, por sua vez, diz: «Tenho um poço já seco, tenho controlado a água para as minhas necessidades, mas tem-se [sic] perdido algumas coisas. Tenho de racionalizar a água. Tem sido muito difícil.»

     Racionalizar significa submeter ao domínio da razão, tornar racional. Racionar é limitar a quantidade, distribuir ou usar de forma regrada.

 

[Texto 1186]

 

Helder Guégués às 09:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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