10
Mar 12

«Bem no dizem»

O que abunda não dana

 

 

      «Repara o crítico encoberto que eu escreva: “Bem a vi” e “bem no dizem”. Sim, meu senhor, ora de um modo, ora de outro, porque das duas variantes qualquer delas é legítima, pôsto que hoje raro se escreva não no vi, bem no vi; escreve-se não o vi, bem o vi. Ambas as formas prevalecem, e podemos dizer com propriedade aquilo de que o que abunda não dana» (Fatos da Língua Portuguesa, Mário Barreto. Rio de Janeiro: Presença Edições, 3.ª ed., facsimilada, 1982, p. 42).

 

[Texto 1204]

Helder Guégués às 21:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Assim escrevem

Pior impossível

 

 

      «Só nos últimos três anos a PJ investigou 59 rostos sem nome, 28 deles em 2011. Em 35 das pessoas, mais de metade, a PJ conseguiu colocar uma identidade. Um caso recente, contado pelo inspetor António Nogueira, que chefia a BIAD [Brigada de Investigação e Averiguação de Desaparecidos], foi o da “Velha dos Cães”, alcunha por que era conhecida por todos num bairro de Lisboa» («Judiciária procura identidade para 57 cadáveres», Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 9.03.2012, p. 4).

      «Colocar uma identidade». Ao que isto chegou! E a preposição do título também não me parece a mais adequada.

 

[Texto 1203]

Helder Guégués às 12:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «xeribite»

O mestre explica

 

 

      «Nos Pirenéus espanhóis, se bem me lembro, café com cheiro era carajete. Aqui na região saloia o nome profissional é o xeribit. Porquê xeribit? Não faço ideia» («Portuguese coffee», Miguel Esteves Cardoso, Público, 10.03.2012, p. 49).

      Muito simples, caro Miguel Esteves Cardoso: provém do castelhano chiribita, e este do inglês sherry + bitter. Na pronúncia atabalhoada de um inglês bêbedo e aos ouvidos de um espanhol matarruano. Os saloios dirão talvez — não frequento esses lugares, não sei — «xeribite». Nada justifica, pese embora o jerez, arabizar tanto a palavra...

 

[Texto 1202]

Helder Guégués às 08:34 | comentar | favorito
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10
Mar 12

«Auréola/aura»

An aura of mystery

 

 

      «O Chelsea preparou então um contrato milionário de três anos para segurar o “mini-Mourinho”, mas AVB (como passou a ser tratado em Inglaterra) viu a auréola de técnico da moda consumir-se rapidamente no clube londrino ao longo dos últimos oito meses» («Villas-Boas. Ele não é dado a depressões mas ainda deve largar uma “bomba” sobre Londres», Bruno Prata, Público, 10.03.2012, p. 38).

      Já tínhamos visto esta confusão entre «auréola» e «aura» no Assim Mesmo, aqui.

 

[Texto 1201]

Helder Guégués às 08:32 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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