14
Mar 12

«Viking/víquingue/viquingue»

Se me permitem

 

 

      «Estava eu finalmente posta em sossego a ler A Zona de Desconforto de Jonathan Franzen, livro que acaba de ser publicado pela D. Quixote, quando, a páginas tantas, mais precisamente na 21, tropeço numa palavra inédita, se me permitem o eufemismo», escreveu Ana Cristina Leonardo no blogue Vias de Facto. Fiquei curioso. E inédita em que sentido? Não publicada? Nunca vista? Original? «O que raio seria um viquingue?!» Ah, «viquingue»... Então é na segunda acepção que Ana Cristina Leonardo usou o termo «inédita», o que relativiza logo tudo. Nunca vista... por ela. Desde a infalível (obrigado, Montexto) Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira aos Cadernos de Lanzarote, de Saramago, passando por Altino do Tojal, José Gomes Ferreira, Fernando Namora, Luísa Costa Gomes, José Eduardo Agualusa, entre outros, não foram poucos os autores que usaram esta palavra aportuguesada.

      «Ali sentado, a apreciar o entusiasmo dela, senti-me um viquingue.» E com acento ou sem acento? Isso vejam no Assim Mesmo, aqui.

 

[Texto 1220] 

Helder Guégués às 21:09 | comentar | ver comentários (14) | favorito

E o bilião?

A unidade seguida de doze zeros 

 

 

      «Desde que rebentou a crise financeira internacional, há cinco anos, o balanço do banco central quase triplicou. Em Agosto de 2007, antes de anunciar o primeiro empréstimo extraordinário à banca europeia, o montante de activos detido pelo BCE superava ligeiramente os 1,15 milhões de milhões de euros. Agora, bastaram duas operações de refinanciamento de longo prazo (LTRO, na sigla em inglês) para a autoridade monetária engrossar o seu balanço com outro milhão de milhão» («BCE. O porto de refúgio do euro está a tornar-se tóxico?», Ana Rita Faria, Público, 14.03.2012, p. 18).

      Até fui a correr aos dicionários. Ah, afinal um milhão de milhões ainda se designa por bilião. Uf! Agora era bom que a jornalista também soubesse. Pode alguém dizer-lhe? Ah, já lhe disseram.

 

[Texto 1219]

Helder Guégués às 18:12 | comentar | favorito
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Observatório de Neologia do Português

Para uns quantos

 

 

      Da abertura de hoje do Ciberdúvidas: «Aproveitamos para lembrar que o ILTEC tem um serviço de registo de neologismos e que conta com a participação de todos para o reforço da sua base de dados. Consultar o Observatório de Neologia do Português aqui.» Fomos aqui. «Neste momento, o ONP tem uma base de dados contendo cerca de 7000 neologismos, que pode ser consultada, para fins de investigação, mediante solicitação à coordenadora do projeto – mafalda.antunes@iltec.pt». Interessante: com a participação de todos, mas apenas para consulta de alguns... Eu colaboro: corrijam a última frase: «Para a constituição da MorDebe, corpus de exclusão do ONP, a equipa contou com e agradece a colaboração da Porto Editora

 

[Texto 1218]

Helder Guégués às 13:24 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Pronúncia africada

Dantes era assim

 

 

      «Tudo isto onera os custos de produção», lançou-lhe a repórter Sílvia Brandão, mas o Sr. Carlos, ovinocultor do planalto mirandês entrevistado para o Bom Dia Portugal, não se atrapalhou. «Não chove. O ano passado, já em Abril e Maio, também não choveu nada.» Não se vê nada, não é assim? Não se vê, claro: o Sr. Carlos pronunciou o ch como tx ou tch.

 

[Texto 1217]

Helder Guégués às 10:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Há coisas que não mudam

Pelo menos isso

 

 

      Jornalista Teresa Nicolau, no Telejornal de ontem: «Em Sete, na aldeia do concelho de Castro Verde, a novena a Santa Bárbara junta o povo nove noites seguidas para nove orações para ver se é no dia seguinte que o céu deixa de ser tão azul.» Só teremos sérios motivos de preocupação quando as novenas deixarem de se fazer em nove dias consecutivos.

 

[Texto 1216]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Agora é assim

 

 

      «É que esta árvore compete com as plantas nativas pelos recursos, nomeadamente pela água, e altera o funcionamento do solo. Agora, as duas universidades acreditam que podem ajudar a fazer a diferença no combate à exótica que a Universidade de Coimbra acredita ser a mais agressiva em solo de Portugal Continental» («Cientistas detectam “revolução” invisível das acácias contra plantas nativas», Helena Geraldes, Público, 14.03.2012, p. 27). Can help to make the difference...

 

[Texto 1215]

Helder Guégués às 08:32 | comentar | favorito
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14
Mar 12

O juiz decidiu

O pior é o exemplo

 

      Por uma ordem de serviço datada de 23 de Janeiro último, um juiz do Tribunal de Viana do Castelo, Rui Estrela Oliveira, proibiu em todos os processos do 2.º Juízo Cível a utilização da grafia do novo Acordo Ortográfico, alegando que os tribunais não estão abrangidos pela resolução do Governo e que o Acordo Ortográfico ainda «“não entrou em vigor na ordem jurídica portuguesa” e a sua antecipação poderá ser “um bocadinho forçada, tendo em conta as características do direito”. “À partida, o prazo de adaptação deve ser o mais longo possível para os tribunais”», segundo disse ao jornal Público («Juiz de Viana proíbe novo Acordo Ortográfico», Andrea Cruz, p. 12). No fundo, três razões, mas a primeira, a meu ver, é a que tem mais peso. Veja-se agora o resto da notícia: «Outra “preocupação” plasmada na mesma ordem de serviço prende-se com a própria interpretação jurídica dos textos, conforme seja aplicada a nova ou a antiga grafia. “Se há campo onde há mais mudanças, na intensidade de utilização de certas palavras, é no direito. Pode provocar, com o mesmo texto, um sentido totalmente diferente. Isto nunca foi pensado nem acautelado de nenhum modo. Juridicamente é muito importante o que se diz e o modo como se diz”, afirmou.» Por exemplo? «Apontou como exemplo uma construção da sua autoria, envolvendo “corretores” da bolsa e a função de “corrector”, esta pela antiga grafia. “De início, o corretor da sala 3 assumia a função de corretor do corretor da sala 2, para depois passar a ser o corretor de todos, até do corretor da última sala que, confrontado com a situação, esboçou um sorriso”, apontou o juiz, para logo depois concluir: “Uma vez que corrector perdeu o C, o sentido é indecifrável.”» O exemplo, a meu ver, não podia ser mais infeliz, Sr. Dr. Quer dizer, é preciso outro acordo por causa destes casos, é isso? O acordo é mau, mas, valha-me Deus!, como podia acautelar estes casos e a sua incidência no Direito? Francamente...

 

[Texto 1214]

Helder Guégués às 08:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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