18
Mar 12

Regência de «necessitar»

Preposicionado, para mim

 

 

      «Era no tempo dos TLP, Telefones de Lisboa e Porto ou “companhia dos telefones” na descrição mais usual, e cada casa, ou melhor, cada assinante, tinha direito a dois volumes: um de páginas brancas (onde procurava familiares, vizinhos ou criaturas a quem necessitasse telefonar); e outro de páginas amarelas, onde se procuravam, por ordem de géneros e alfabética, serviços» («Música na palma da mão», Nuno Pacheco, «2»/Público, 18.03.2012, p. 39).

      A língua é a mesma, mas, em Portugal, o verbo «necessitar» (como o verbo «precisar», por exemplo) rege a preposição de, quer seja seguido de infinitivo quer de substantivo ou expressão substantiva ou pronome. Há, porém, quem defenda que a preposição é opcional. No Brasil, tanto pode ocorrer com preposição como sem ela, e o mais habitual é não aparecer preposicionado. Mas há quem diga, Luiz Carlos Lessa (na obra O Modernismo Brasileiro e a Língua Portuguesa), por exemplo, que «é erro frequente empregar-se também a preposição quando o complemento de precisar é um verbo: Precisar de falar... Em tais casos, o verbo não deve ter preposição: Preciso sair cedo...».

 

[Texto 1233]

Helder Guégués às 18:22 | comentar | ver comentários (27) | favorito
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Léxico: «tercena»

Acrescente este

 

 

      «Depressa surgem conflitos com a Câmara de Lisboa, ao ponto de o rei ter, em 1515, retirado ao município a liberdade de dispor das áreas ribeirinhas para outros fins que não os relacionados com o apetrecho e reparação das naus, descreve o mesmo autor. São as chamadas tercenas, locais dedicados à função naval e representados em vários mapas da época. Mais tarde a mesma designação passa a abranger também o lugar onde se produziam e acondicionavam materiais de artilharia» («No Cais do Sodré há mais do que uma praia escondida debaixo do asfalto», Ana Henriques, Público, 18.03.2012, p. 28).

      Montexto, acrescente mais este vocábulo na 8.ª edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Antigamente, dizia-se taracena, tarezena, terecena, tarracena, terracena e torgena.

 

[Texto 1232]

Helder Guégués às 15:10 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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E agora recolocar

Mais um

 

 

      «E depois de horas de espera, a primeira informação surgiu finalmente. Um porta-voz do hospital avançou à Sky News que Muamba estava em condição “estável”, depois de os médicos o terem recolocado a respirar» («A luta pela vida do desconhecido Fabrice Muamba deixa o futebol em suspenso», Hugo Daniel Sousa, Público, 18.03.2012, p. 45).

      Fazia cá falta. Depois da grande promoção do verbo «colocar», que já vai substituindo, sem muita estranheza dos falantes, meia dúzia de outros verbos, chegou a vez dos derivados. Assim se escreve nos jornais.

 

[Texto 1231]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Questões classificadas»

Classified issues

 

 

      O autor explicava então que certas audiências deveriam ser públicas, «com excepção daquelas em que fossem apresentadas questões classificadas». Parece ser a segunda acepção registada no respectivo verbete do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, «importante». O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa nada diz sobre isto. Não o fará, certamente, por ser um anglicismo semântico: «defeso de circulação geral por razões de segurança; confidencial, secreto», define o Dicionário Houaiss.

 

[Texto 1230]

Helder Guégués às 12:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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18
Mar 12

Léxico: «carocho»

Não todos: os de mau aspecto

 

 

      «O que aconteceu a seguir não foi melhor, continua. “Disseram à minha mãe. Fui obrigado a ir a uma CDT [Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência]. Na sala de espera estava eu, a minha mãe e um ‘carocho’” — “carocho” é o termo depreciativo usado pelos miúdos para descrever toxicodependentes com “mau aspecto”, dependentes de heroína» («Oferta de haxixe junto das escolas duplicou em cinco anos», Andreia Sanches, Público, 18.03.2012, p. 5).

      Se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não acolhe esta acepção, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa regista uma definição que não corresponde exactamente à do artigo: «Indivíduo toxicodependente. = DROGADO». As aparências, afinal, contam.

 

[Texto 1229]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | favorito
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