21
Mar 12

Voltaram atrás?

Acordo e estatística

 

 

      Poucas vezes leio agora o Diário de Notícias, e por isso mesmo fiquei surpreendido: deixaram de aplicar as novas regras ortográficas! Parecia, pelo menos: no texto intitulado «França em alerta contra o assassino da ‘scooter’», assinado pelo jornalista Albano Matos, na página 2, lia-se «Sul de França», «director», «reacção»... O pior: o assassino praticou «os homicídios com sangue frio». O melhor: «Também o candidato socialista, François Hollande, apelou, já em Toulouse (a quarta maior aglomeração populacional de França) para “uma resposta comum e firme de toda a República”.»

      Ter-se-á o jornalista esquecido do Acordo Ortográfico? Não se sabe. O que se sabe é que poucas palavras seriam diferentes. Num romance que revi a semana passada, com 244 páginas, só 163 palavras tiveram de ser alteradas, e destas 39 (!) referiam-se ao nome das estações do ano e dos meses. Só 163, mas apenas 49 palavras diferentes. Assim, a palavra «proteção» repetia-se 23 vezes; «protetora(s)/protetor(es)», 11 vezes; «direção/direções», 10 vezes; «ato», 8 vezes; «ditração/distrações», 7 vezes. Palavras com ocorrência única eram 17.

 

[Texto 1241]

Helder Guégués às 22:02 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Como se fala na televisão

Metem água por todos os lados

 

 

      Nove por cento de analfabetos! Isto há-de ser ainda consequência da famigerada reforma pombalina, quando o marquês, depois de estupidamente ter expulsado os Jesuítas, se viu obrigado a recrutar como mestres-escolas barbeiros, sapateiros, taberneiros e outra gente semelhantemente preparada. Ah, mas não era nada disto que eu queria dizer, mas sim: de manhã, um leitor ouviu um jornalista do Expresso na SIC Notícias a afirmar que, se a situação do défice se agravar, o Governo vai «ter que meter mais medidas». Metê-las onde?

 

[Texto 1240]

Helder Guégués às 20:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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21
Mar 12

«Há/à»

Ele há cada uma

 

 

      «Os especialistas apresentam-nos os assassinos em série com fetichismos que os fazem repetir os artefactos e os modos de agir. Receio que a realidade seja mais simples e já hoje ou daqui a oito dias (e não sexta, como julgamos ser norma neste) alguém vindo de carro e com outro tipo de arma atue em Paris (para onde foi de TGV), dispare, ou mate de outra forma, franceses com antepassados gauleses até há quinta geração» («Retrato do assassino de mota», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 21.03.2012, p. 56).

      «Até há quinta geração»... Acontece. Gralha? Não: distracção. Ferreira Fernandes deixou na caixa de comentários da edição em linha: «No texto estava um “até há quinta geração”, um erro. “Até à…” é obviamente a forma certa. Peço desculpa aos leitores e ao meu jornal. Foi feita a emenda e agradeço aos que, na caixa de comentários, alertarem para a tolice.» Mas também me intriga o uso do modo conjuntivo neste caso.

 

[Texto 1239]

Helder Guégués às 20:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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