23
Mar 12

Francês e árabe, desta vez

Pobre leitor

 

 

      «Quem o conheceu na infância, até na adolescência, os amigos com quem convivia, que o encontravam a fumar chicha (cachimbo de água) na discoteca de música argelina raï Calypso, em Toulouse, que fazia soirées sem álcool, não conseguem acreditar. “Quem vai às boîtes não pode ser um salafista a sério”, disse ao Libération um amigo que o conhece desde a adolescência» («Mohamed Merah, uma máquina de matar com um passado de jovem gentil mas irascível», Clara Barata, Público, 23.03.2012, p. 27).

      Na notícia citada antes, Sarko em itálico; neste caso, «chicha», «raï», «soirées» e «boîtes» como sendo do melhor português. Que critérios estão por detrás disto?

 

[Texto 1247]

 

Helder Guégués às 17:27 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Resquícios de francês

Uma edição acidentada

 

 

      «Quem parece ter beneficiado da pausa foi o Presidente, Nicolas Sarkozy. Solene, dirigindo uma nação em choque, disse que “os compatriotas muçulmanos não têm nada a ver com as motivações loucas de um terrorista”. E sublinhou: “Antes de ter como alvo crianças judias, o atirador disparou contra muçulmanos”» («Morto o assassino de Toulouse, Sarko avança com agenda securitária», Maria João Guimarães, Público, 23.03.2012, p. 26).

      Sobretudo num sistema presidencialista, sim, dirige a nação, mas parece que, neste caso, Sarkozy disse o que disse ao dirigir-se à nação. E o anúncio da morte da língua francesa entre nós foi manifestamente um exagero: n’ont rien à voir...

 

[Texto 1246] 

Helder Guégués às 17:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Mais «colapsos»

O editor acha muito bem

 

 

      «Em meados do século XIX, seriam cem mil os linces-ibéricos em toda a Península Ibérica. No início do século XXI foi realizado um censo nacional, mas não foi encontrado nenhum animal. O declínio pode ser explicado pelo colapso das populações de coelho-bravo, a principal presa do lince, especialmente por causa de duas doenças: a mixomatose (nos anos 50) e a febre hemorrágica viral (nos anos 80)» («O mais ameaçado de todos os felinos», Helena Geraldes, Público, 23.03.2012, p. 18).

      Admito que, em certos casos, se pode até hesitar e ter dúvidas, mas não neste: «colapso das populações»? E ninguém vê isto, ninguém sugere algo que se possa dizer português?

 

[Texto 1245] 

Helder Guégués às 16:56 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Temos de adivinhar

O que interessa saber

 

 

      Não são apenas Marisa Soares e Raquel Almeida Correia a escrever daquela maneira, ah, não. «Não interessa discutir se a greve geral teve menos ou igual convocatória da de Novembro passado. Ver o protesto pelo prisma de um mero exercício contabilístico de presenças e ausências, além de ocioso, é irrelevante. O que interessa saber é se a data de 22 de Março de 2012 algo mudou na vida dos portugueses. E a resposta, não tenhamos dúvidas, é negativa» («Um passo maior do que a perna», Nuno Ribeiro, Público, 23.03.2012, p. 4).

 

[Texto 1244]

Helder Guégués às 16:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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23
Mar 12

Como se escreve nos jornais

O desmazelo é que é frequente

 

 

      «Também nos transportes, a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações situou a adesão entre os 70 e os 100%, quando, em 2011, assegurou que foi alcançado, em média, um nível de 96%. Os aeroportos também não sofreram praticamente impactos, quando tinham ficado praticamente vazios a 24 de Novembro. Nesse dia, a TAP foi obrigada a cancelar mais de 120 voos. Ontem, deixou em terra apenas duas frequências» («Governo proibiu empresas públicas de transportes de falarem sobre a greve», Marisa Soares e Raquel Almeida Correia, Público, 23.03.2012, p. 3).

      Um leitor habitual do blogue chamou-me a atenção e fui ler. «Deixou em terra apenas duas frequências». Que é isto? Linguagem iniciática?

 

[Texto 1243] 

Helder Guégués às 16:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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