24
Mar 12

«Embalse»?

Bienvenidos a Rábano de Aliste

 

 

      Ao fim de trinta e três anos, a barragem de Veiguinhas, em Bragança, vai ser construída. A jornalista Sílvia Brandão, no Jornal da Tarde de ontem, disse: «O embalse começa a ser construído no Parque Natural de Montesinho dentro de um ano.»

      Pues como ella iba diciendo, embalse: gran depósito que se forma artificialmente, por lo común cerrando la boca de un valle mediante un dique o presa, y en el que se almacenan las aguas de un río o arroyo, a fin de utilizarlas en el riego de terrenos, en el abastecimiento de poblaciones, en la producción de energía eléctrica, etc.

 

[Texto 1255]

Helder Guégués às 23:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito

«Escola de Sagres»

Continua a mistificação

 

 

      «Como é possível que o Expresso, a EDP e a CGD», pergunta, e muito bem, o leitor José R. C. Ameida (sic) na edição de anteontem do Diário de Notícias, «patrocinem uma iniciativa com este conteúdo: “Dos projetos do Infante nasceu um Império. Da sua vontade, uma época de glória nacional. Da remota Escola Náutica de Sagres desenhou-se um Mundo novo, criou-se a civilização transoceânica, renovou-se Portugal.” A Energia de Portugal procura empreendedores com base numa propaganda historicamente descontextualizada. A Escola Náutica de Sagres nunca existiu, não tem base documental, nem arqueológica. “Os bancos da escola de Sagres foram as pranchas das caravelas.” (Luciano Pereira da Silva). Quanto à iniciativa das viagens, foi plural. “Um terço das viagens conhecidas foi por ordem do Infante D. Henrique, os outros dois terços resultaram da iniciativa de vários particulares — cavaleiros, escudeiros e mercadores, e da ação política do regente D. Pedro.” (Vitorino Magalhães Godinho). Este anúncio cheira-me a nacionalismo barato e salazarento, promovido por quem nunca leu A Economia dos Descobrimentos, de Vitorino Magalhães Godinho, ou consultou o Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão. O Expresso, a EDP e a CGD promovem, em nome da propaganda, toda esta ignorância histórica. Notável.»

 

[Texto 1254]

Helder Guégués às 23:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «écarlate»

Gostava de ver

 

 

      «O Vigipirate é um plano de alerta antiterrorista, criado em 1978. O nível acionado foi o escarlate, o mais elevado antes da aplicação de medidas de exceção previstas pela Constituição. Permite suspender tráfego aéreo e transportes urbanos, fechar partes de cidades e limitar ou suspender o abastecimento de água» («Gigantesca caça ao homem tenta evitar novo ataque», Albano Matos, Diário de Notícias, 21.03.2012, p. 24). Niveau jaune, niveau orange, niveau rouge, niveau écarlate. Alguns órgãos de comunicação social traduzem por «alerta vermelho». Gostava de saber como traduziriam rouge se tivessem de verter o nome dos quatros níveis.

 

[Texto 1253]

Helder Guégués às 23:21 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Antilhês»?

Esse não conheço

 

 

      «Terceiro, os alvos: nos primeiros casos foram mortos três soldados de origem magrebina e ferido com gravidade um soldado antilhês; segunda-feira, foram mortos um professor e três alunos de um colégio judaico, o que alertou para o carácter racista dos ataques. Terceiro [sic], a atitude do assassino: a mesma frieza patenteada nos três casos, disparando à luz do dia, perante testemunhas e, depois, afastando-se com toda a calma na scooter» («Gigantesca caça ao homem tenta evitar novo ataque», Albano Matos, Diário de Notícias, 21.03.2012, p. 24).

      Ao natural ou habitante do arquipélago das Antilhas não damos o nome de «antilhano»?

 

 

[Texto 1252] 

Helder Guégués às 23:05 | comentar | favorito
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Chenuda III

Pouco e mal

 

 

      «Dezenas de milhares de pessoas esperaram ontem durante horas para ter a oportunidade de dizer o último adeus ao Papa Chenuda III. O líder espiritual dos coptas, os cristãos do Egito que representam 10% da população daquele país de maioria muçulmana, morreu no sábado, aos 88 anos. Passara quatro décadas à frente da mais importante igreja cristã do Médio Oriente» («Três pessoas morrem esmagadas no funeral no Papa dos coptas», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 21.03.2012, p. 25).

      No Público, além da trapalhada da criança cega e do acólito de olhos vendados, copiam o nome em inglês e quanto ao número de ordem do papa não se fica a saber nada.

 

[Texto 1251]

Helder Guégués às 22:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se fala na televisão

E que Deus nos valha!

 

 

      Jornalista João Fernando Ramos no Jornal da Tarde: «Foram libertadas algumas imagens no interior do apartamento onde foi morto o presumível autor dos atentados de Toulouse após ter estado barricado durante 32 horas. A autópsia já revelou que Mohamed Merah tinha sido cravejado de balas.» A notícia deve ter sido editada por alguma funcionária da limpeza estrangeira.

 

[Texto 1250]

Helder Guégués às 18:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «hidroponia»

Não chegou a todos

 

 

      «Acontecera no Oeste. Quando Álvaro Domingues explica à mulher do Sr. António Ramos que, naquela região a Norte de Lisboa, já deu de caras com umas estufas sem terra, em que as alfaces crescem apenas em contacto com água e nutrientes, a senhora, que acaba de interromper o trabalho para ouvir o geógrafo que o Ípsilon lhe plantou entre os bolbos, nem sabe o que lhe há-de responder. A hidroponia – poderemos chamar-lhe (agri) cultura? – é coisa ainda não testada por aqui. Para o Sr. António Ramos, 70 anos, o campo é “um campo, prontos”» («Álvaro, o geógrafo caça-fantasmas», Abel Coentrão, «Ípsilon»/Público, 23.03.2012, p. 26).

      Já tinha andado na peugada do vocábulo, aqui, e nessa altura ainda não figurava em todos os dicionários. Nem agora, pois o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora continua a ignorá-lo.

 

[Texto 1249] 

Helder Guégués às 07:07 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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24
Mar 12

«Procurador adjunto»

Ainda não

 

 

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora continua a registar: «delegado do procurador da República representante do Ministério Público junto dos tribunais de 1.ª instância». Ora, conforme o leitor A. M. fez aqui o favor de nos lembrar ou informar, «delegado do Procurador da República não há, actualmente, é procurador-adjunto (agente do Ministério Público no tribunal de comarca)».

 

[Texto 1248]

Helder Guégués às 07:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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