26
Mar 12

A maldição do «desenhar»

Vamos ver se desta vez...

 

 

      Segundo um estudo americano, jejuar um ou dois dias por semana pode proteger o cérebro contra doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson. O Dr. Martinho Pimenta, neurologista, esteve no Bom Dia Portugal a explicar tudo. Bem, desvalorizou, o estudo foi feito em ratos, por isso vamos ter de esperar. «Os cuidados alimentares fazem parte daquilo que hoje já começamos a desenhar como a prevenção primária das doenças neurodegenerativas, inclusivamente da doença da Alzheimer.»

      Agora só espero que o visado não venha aí, agastado, a defender esta forma de falar e — pior ainda — a confundir o nome do blogue com a minha actividade.

 

[Texto 1270]

Helder Guégués às 22:44 | comentar | favorito
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Como se fala na televisão

Ficamos baralhados

 

 

      Acidente ou suicídio, perguntou Carlos Daniel no Jornal da Tarde, que disse que a correspondente Rosa Veloso já estava em Lloret del Mar. A correspondente (que também diz Loret del Mar) respondeu: «Boa tarde. Assim é, de facto. É o que a Polícia neste momento está a baralhar. Portanto, por isso não começou ainda a autópsia ao corpo do jovem, uma vez que a Polícia esteve ainda durante a manhã a fazer inquirições. Portanto, baralha a hipótese de que se foi queda acidental ou se foi queda premeditada, uma vez que antes do sucedido o jovem teve uma discussão com a namorada dentro do quarto.»

 

[Texto 1269]

Helder Guégués às 21:08 | comentar | favorito
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«Manete das mudanças»

Não é o único, não

 

 

      Na emissão de anteontem do programa Hotel Babilónia, João Gobern supôs que só ele, no País inteiro, é que diz «manete das mudanças». Ora, parece-me que está enganado. Eu digo alavanca das mudanças, mas já ouvi muitas vezes «manete». Do francês manette: «petit levier, poignée de commande manuelle de certains mécanismes.»

 

[Texto 1268]

Helder Guégués às 21:06 | comentar | favorito
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Ortografia: «camone»

Tal como os bifes

 

 

      «Depois do raio-x, do abre-a-mala-e-mostra-o-computador, do desliga-o-telemóvel-e-volta-a-ligar, do espera-pela-mala-que-nunca-mais-chega, a melhor coisa é mesmo ter de explicar a um taxista lisboeta que só precisamos de fazer quinhentos metros até ao fundo de uma avenida que até desceríamos a pé se não tivesse seis faixas de rodagem, e que não, infelizmente não somos cámones prontos a pagar 50 euros para ir para o Estoril» («Elegia pelo TGV», Rui Tavares, Público, 26.03.2012, p. 44).

      Nada disso, caro Rui Tavares: não precisa nem de itálico nem de acento. Que fique assente. E «raio-x»?

      «Os camones podiam ou não levar o corpo sem mais nem ontem?» (Jaime Bunda e a Morte do Americano, Pepetela. Revisão de Felisberto Baptista Rebordão. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 4.ª ed., 2008, p. 34).

 

[Texto 1267]

Helder Guégués às 16:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Só palha

 

 

      Do editorial do Público de hoje: «Mas este “nós” esteve distante do outro “nós”, o dos cidadãos que não vislumbram na catarse partidária o reflexo da situação real do país. Esta distância, que devia preocupar o PSD, foi potenciada pelo enorme bocejo que foi este congresso. Mais do que um evento mediático, os congressos estão a pouco e pouco a transformar-se em fillers, em horas e horas que preenchem a programação dos canais de notícias por um custo baixo» («Muito congresso para quase nada», Público, 26.03.2012, p. 44).

 

[Texto 1266]

Helder Guégués às 16:04 | comentar | ver comentários (13) | favorito
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Léxico: «motoplanador»

Vai, corre! Di-lo

 

 

     «Um homem de 50 anos e residente em Coimbra morreu, ontem à tarde, na queda do motoplanador que conduzia» («Piloto morre em queda de motoplanador», Público, 26.03.2012, p. 29).

      Não encontrei em nenhum dicionário. Vai, corre! Di-lo ao Observatório de Neologia do Português. Ah, só mais uma coisinha: o homem conduzia ou pilotava o motoplanador?

 

[Texto 1265]

Helder Guégués às 15:52 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Critérios e prioridades

Por causa de Muhammad Merah

 

      Não queria deixar passar em claro o esforço vão e ridículo de João Adelino Faria, no Telejornal, a pronunciar o nome (Abdelkader Merah) do irmão do assassino de Toulouse. Nunca vejo semelhante esforço em relação à língua portuguesa. É o que sai. Em contrapartida, porque a vida é assim mesmo, também na RTP, Christian Etelin (e os óculos quadrados do homem? Franceses), advogado de Mohamed Merah, afirmou que «par son entourage qu’il s’était subitement radicalisé», e nas legendas não lemos «entourage», comment quelque paltoquet, perdão, como qualquer bicho-careta, sobretudo se formado em Ciências (!) da Comunicação, seria tentado a traduzir, mas sim «círculo».

 

[Texto 1264]

Helder Guégués às 15:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Mar 12

Tradução: «balconing»

Foi assim

 

 

      «Um jovem de 17 anos residente em Castro Verde morreu ontem depois de cair da janela do 5.º andar do empreendimento hoteleiro onde estava alojado na localidade de Lloret del [sic] Mar (Espanha). Segundo as investigações iniciais da polícia local, tudo aponta para que não se trate de um caso de balconing, prática em que jovens se lançam das varandas para as piscinas» («Estudante português cai do 5.º andar e morre em Espanha», Público, 26.03.2012, p. 11).

      O Dicionário Inglês-Português da Porto Editora regista-o: «actividade que consiste em saltar de uma varanda para outra ou de uma varanda para a piscina de um hotel, geralmente praticada por turistas embriagados ou sob o efeito de drogas». Muito curiosa, esta definição. E é, última palavra, intraduzível? Desjanelado ou defenestrado não satisfariam o falante dos nossos exigentes dias.

 

[Texto 1263] 

Helder Guégués às 08:44 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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