27
Mar 12

O grande modismo

Crimes à medida

 

 

      Este já pegou de estaca: «Devem ficar expostos a investigações e inquéritos como qualquer cidadão, ou a leis, processos e tribunais especiais? Devem responder por crimes gerais ou também por crimes especificamente desenhados para as suas funções? E por que géneros de crimes?» («À justiça o que é da justiça», Pedro Lomba, Público, 27.03.2012, p. 52). Sobre a expressão «judicialização da política», escreve Pedro Lomba: «A expressão não me parece bem empregue.»

 

[Texto 1278]

Helder Guégués às 09:05 | comentar | favorito
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Tradução: «nerd»

Totó? Maníaco? Fanático?

 

 

      «Natural de Leiria, era o típico nerd no início da adolescência. Findo o ensino secundário, foi para Lisboa para a Faculdade de Belas Artes [sic]. Não se adaptou e acabou por se mudar para a Escola Superior de Arte e Cinema. José Fialho Gouveia conversa com David Fonseca, músico que começou a brilhar liderando [sic] os Silence 4» (Público, 27.03.2012, p. 41).

      A palavra inglesa é tão rica, tão rica, que até ficamos sem saber o que significa em português no contexto.

 

[Texto 1277]

Helder Guégués às 09:04 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Gralhas e erros

Insustentável

 

 

      «“De 200 a 250 mil libras é [acesso] de primeira linha... Quando falamos dos vossos donativos, a primeira coisa que queremos fazer é levá-los aos jantares Cameron/Osbourne”, disse Cruddas, referindo-se também a George Osbourne, o ministro das Finanças» («Cameron divulga dadores após escândalo», Público, 27.03.2012, p. 22). O ministro das Finanças do Reino Unido chama-se Osborne e não Osbourne. Isto não é, evidentemente, uma gralha. Como também não é gralha o que o leitor Rui Almeida viu recentemente numa edição de bolso de A Insustentável Leveza do Ser: «Finalmente, depois de morto, Franz pertence à sua esposa legítima como nunca lhe pertenceu em vida. De tudo Marie-Claude se encarrega: organiza as obséquias, põe participações no correio [...]» (edição da Bis/Leya, p. 349).

 

[Texto 1276]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «anecdote»

Agora pensem

 

 

      «Paul Clement, que representa a acusação, é considerado um prodígio. Aos 45 anos, é um velho conhecido e um veterano litigante no Supremo Tribunal, tendo já discutido um número recorde de 57 casos desde o ano 2000, mais do que qualquer outro advogado nos EUA. Mas não é por isso que é considerado um fenómeno: cada vez que se apresenta perante o colectivo do Supremo, Clement é capaz de enumerar factos, citar legislação, apontando as páginas e os parágrafos dos documentos a que se refere, ou de recordar um comentário ou uma anedota sem nunca recorrer a notas ou outros auxiliares de memória – discute todos os casos de cabeça» («O advogado conservador que é um prodígio», Público, 27.03.2012, p. 21).

      Para que precisa um advogado de recordar anedotas em tribunal? E os advogados menos prodigiosos lêem anedotas em tribunal? Os culpados também são os dicionários, que para anecdote só dão a tradução «anedota». Escreve Agenor Soares dos Santos no Guia Prático de Tradução Inglesa: «Do sent. etimológico, “coisas não publicadas”, ficaram mais do que lembranças em ing. e, embora os dic. desta língua variem muito nas def., nenhum põe ênfase maior no lado “jocoso ou curioso” de um relato, ou em particularidade engraçada de uma figura histórica ou lendária”, a que a evolução semântica deu preferência em port.» (p. 87). Tradução perfeita seria com recurso ao termo castelhano anécdota.

 

[Texto 1275]

Helder Guégués às 08:59 | comentar | favorito
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Tradução: «accommodative»

Enviesado ou obscuro

 

 

      A frase do dia, para o Público, foi proferida por Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, que disse: «Novas melhorias na taxa de desemprego exigem uma expansão mais rápida da produção (...), o que pode ser apoiado por políticas acomodatícias.» No original, «accommodative monetary policy». Está traduzido de uma forma enviesada, e o leitor comum não compreenderá. Accommodative é adaptável, favorável.

 

[Texto 1274]

Helder Guégués às 08:54 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Sobre «hub»

Ainda a tempo, porém

 

 

      O título do artigo, assinado por Raquel Almeida Correia, é «British e Iberia vão manter hub de Lisboa se comprarem a TAP», mas só a meio do segundo parágrafo (e o leitor ainda está com sorte) é que explica o que significa hub: «Mas imediatamente se colocou a questão do hub (placa giratória), temendo-se que este fosse destruído e transferido progressivamente para Madrid.»

 

[Texto 1273]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Regência do verbo «dissuadir»

Um pouco baralhado

 

 

      E num texto de apoio também assinado por José Bento Amaro: «Os detidos transportavam pequenas quantidades de haxixe e cocaína e foram detectados nos postos fronteiriços do Caia e Vila Real de Santo António. A operação de fiscalização, denominada Ibiza, pretende dissuadir os jovens a não consumirem estupefacientes ou álcool em excesso.» Dissuadir rege a preposição de: «dissuadir os jovens de consumirem». Isso mesmo: o advérbio está a mais. Há-de ser cruzamento de expressões: «dissuadir de fazer» e «aconselhar a não fazer». É o confusionismo de que fala Montexto.

 

[Texto 1272]

Helder Guégués às 08:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Mar 12

Sobre «dependência»

Por sorte também temos

 

 

      «O que se sabe é que o jovem, de acordo com um funcionário do hotel citado pela Lusa, terá tido um pequeno arrufo com a namorada e que, no momento da queda, se encontraria sozinho na dependência. O apartamento que ocupava tinha capacidade para quatro pessoas, sendo constituído por um quarto e uma sala» («A morte voltou a manchar as viagens de finalistas a Espanha», José Bento Amaro, Público, 27.03.2012, p. 11).

      Em português «dependência» também é compartimento de uma casa, mas a frequência de uso da acepção é baixíssima, pelo que o jornalista foi certamente influenciado pelo que afirmou o funcionário do hotel. Dependencia: Cada habitación o espacio dedicados a los servicios de una casa.

 

[Texto 1271]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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