29
Mar 12

Sobre «soletrar»

Parece-me que não

 

 

      Pedro Lomba presta hoje homenagem, na sua crónica do Público, a Millôr Fernandes, que, como todos os bons autores, mais do que homenageado, precisa de ser lido, e escreve isto: «Em Portugal Millôr não sabia que tinha um leitor no governo: Salazar. Diz-se que, comentando com algum ministro as suas crónicas, Salazar terá soletrado: “Este gajo tem piada. Pena que escreva tão mal o português.”» («Millôr, génio sem dor», Pedro Lomba, Público, 29.03.2012, p. 52).

      Adequar-se-á ao contexto este verbo, «soletrar»? Sim? Não?

 

[Texto 1283]

Helder Guégués às 17:10 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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29
Mar 12

Em 1965, era assim

Revisão da casa editora

 

 

      O leitor Rui Almeida está a ler a obra O Fenómeno Humano, de Teilhard de Chardin (Porto: Livraria Tavares Martins, 1965, com tradução de Léon Bourdon e José Terra), e encontrou esta «Nota dos Tradutores», a anteceder uma página de «Erratas» (!): «A responsabilidade da grafia das palavras cosmoverisímilinverisímil e seus derivados, evolver e suas flexões cabe exclusivamente aos serviços de revisão da casa editora. Os tradutores pedem que se restabeleçam por toda a parte as formas cosmos, verosímil, inverosímil, evoluir, etc., as únicas por eles admitidas. Repare-se ainda que Maquerodos (pág. 160) é aportuguesamento da forma científica Machairodus

      No Vocabulário da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves, o que podemos ler é que «cosmo» é «forma preferível a cosmos»; «verisímil» é «forma apenas de uso português» (pelo que também está legitimada a forma «inverisímil») e «evolver» é «forma preferível a evoluir (gal.)». No tocante a «Maquerodos», nada há que dizer, parece-me. Léon Bourdin, apesar de pertencer à Academia das Ciências, ainda tinha desculpa, parece-me, mas José Terra, tradutor de obras de autores franceses, não. Ou será ao contrário?

 

[Texto 1282] 

Helder Guégués às 10:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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