31
Mar 12

«Se» apassivante (i)

E mais um fio de água

 

 

      Cristalina, esta. Sobre o “se” apassivante, que tem feito, e não sei bem porquê, correr rios de tinta, escreve Américo F. Alves: «Admite-se no singular um verbo apassivado com “se” quando o seu sujeito for uma oração infinitiva:

      Exs.: 1 — “Havia várias mesas quadradas, às quais se podia jogar as cartas.” 2 — Na madrugada, ouviu-se cantar os galos.” Verificação: Sujeito de “se podia”? — Jogar as cartas. Sujeito de “ouviu-se”? — Cantar os galos» (Nem Tanto Erro!, de Américo F. Alves. Edição do autor, Braga, 1993, pp. 88-89).

 

[Texto 1295]

Helder Guégués às 23:48 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas:

Pronúncia: «ressurreição»

Bem nos parecia

 

 

      Já uma vez, no Assim Mesmo, aqui, tratei da pronúncia do vocábulo «ressurreição», assunto de que o padre Américo F. Alves não pôde fugir: «Ressurreição deve pronunciar “ressurreição”, com “e” mudo. Nada justifica que o digníssimo vocábulo se aproxime, fonologicamente, de “rèpública” (com e bem aberto). Enquanto re de república vem do substantivo res-rei, o re de ressureição é apenas um prefixo, muito frequente na formação de palavras, como: repetição, ressurgir, relembrar, recomeçar, recolher, etc., etc. Não existe o verbo rèssurgir nem o substantivo rèssurgimento; mas ressurgir, ressurgimento, ressuscitar, ressurreição» (Nem Tanto Erro!, de Américo F. Alves. Edição do autor, Braga, 1993, p. 80).

 

[Texto 1294]

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

«Porque/por que»

Fenda gratuita

 

 

      «Porque hão-de alguns portugueses escrever por que (em duas palavras), se não há lógica nem análise possível? Que palavra é aquele “que”? Se responderem que é um pronome, tem de estar em vez de um nome, isto é, há-de ter um antecedente ou referente. Qual é, então, esse nome ou referente, tão íntimo, implícito, subjectivo, que ninguém descortina e serve apenas, como fenda gratuita, para se perpetuarem dúvidas e confusões no ânimo de alguns redactores?» (Nem Tanto Erro!, de Américo F. Alves. Edição do autor, Braga, 1993, p. 33).

 

[Texto 1293]

Helder Guégués às 20:42 | comentar | ver comentários (40) | favorito
Etiquetas:
31
Mar 12

«Nem Tanto Erro!»

Do ioga e da gramática

 

 

      Ontem descobri este livrinho: Nem Tanto Erro!, de Américo F. Alves. Conhece, Fernando Venâncio? Foi publicado em 1993. O que me intrigou durante uns segundos foi esta nota: «Os maiores destinatários são os agentes do culto religioso.» Ora, e porquê, erram mais? O cólofon, ou seja, nem é preciso ler a obra, desvenda o mistério: «Fotocomposto e impresso nas oficinas gráficas da Editorial Franciscana Montariol – Braga – 1993». Ah, assim já percebemos. E do prefácio retemos isto: «Pessoalmente, quero praticar mais este humílimo gesto de solidariedade, visto o exercício do ensino ser a melhor escola para o docente continuar a aprender... e porque é “misericórdia corrigir os que erram”.» Tudo verdades, especialmente no que diz respeito a os docentes aprenderem. Ainda recentemente, o grande mestre do ioga Jorge Veiga e Castro afirmava que é obrigação de quem ensina ioga (mas aplica-se a todas as áreas, naturalmente) praticar tantas horas quantas aquelas que lecciona.

 

[Texto 1292]

Helder Guégués às 20:32 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: