30
Mar 12

AOLP

Feitisos pzeudo-etimolojicos

 

 

      «Como muitos outros autores antes dele, sonhou com uma língua universal. No final dos anos 1950, publicou PAKGrafia Abreviada Kosmos, unificando e simplificando a ortografia luso-brasileira, mas que depois desenvolveu, visando a criação de um idioma universal, na linha do esperanto. Se ainda fosse vivo, provavelmente não defenderia o actual Acordo Ortográfico (AO), mas por o considerar demasiado conservador. Em PAK, propõe uma “grafia sem luxo nem lixo”, e o próprio livro é redigido na ortografia que concebeu. Numa antecipação, em versão radical, das críticas que hoje são feitas aos adversários do AO, escreve: “Quem n’ gostar disto p’ q’ n’ regressar ao ph, i grego, ao K i ao W? ainda avera abenseragens apaixonados deses ‘feitisos pzeudo-etimolojicos’.”» («Paulo de Cantos: a redescoberta de um gráfico de vanguarda», Luís Miguel Queirós, Público, 29.03.2012, p. 27).

 

[Texto 1286]

Helder Guégués às 00:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Árabe magrebino

Por clareza

 

 

      «Um dos seus livros mais notáveis – no grafismo e conceito – é o Dicionário Técnico (1942), com chapas metalizadas numa capa em relevo. Os verbetes são organizados em cinco núcleos, a explanação dos termos é por vezes mais analógica do que descritiva, e inclui um esquema de índice cruzados que antecipa o hipertexto da era digital. Os verbetes estão traduzidos não apenas nas principais línguas europeias vivas mas também em latim, magrebino, russo ou japonês» («Paulo de Cantos: a redescoberta de um gráfico de vanguarda», Luís Miguel Queirós, Público, 29.03.2012, p. 27).

      Magrebino é como quem diz. Árabe magrebino, deveria ter escrito Luís Miguel Queirós. É um dialecto do árabe falado em Marrocos, na Tunísia, na Argélia e na Líbia.

 

[Texto 1285] 

Helder Guégués às 00:52 | comentar | favorito
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30
Mar 12

Desgraçado verbo «haver»

Uma médica a falar assim...

 

      Uma mulher entrou no Hospital Garcia de Orta, em Almada, para ser operada às varizes... e acabou amputada a uma perna. Ana França, directora clínica do hospital, disse ao repórter da RTP: «Eu lamento profundamente a ocorrência e lamento sobretudo que desta situação tenham havido tantas complicações que podem ser inerentes à própria doente, mas que teve um factor desencadeante que não era da doente.»

 

[Texto 1284]

Helder Guégués às 00:49 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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29
Mar 12

Sobre «soletrar»

Parece-me que não

 

 

      Pedro Lomba presta hoje homenagem, na sua crónica do Público, a Millôr Fernandes, que, como todos os bons autores, mais do que homenageado, precisa de ser lido, e escreve isto: «Em Portugal Millôr não sabia que tinha um leitor no governo: Salazar. Diz-se que, comentando com algum ministro as suas crónicas, Salazar terá soletrado: “Este gajo tem piada. Pena que escreva tão mal o português.”» («Millôr, génio sem dor», Pedro Lomba, Público, 29.03.2012, p. 52).

      Adequar-se-á ao contexto este verbo, «soletrar»? Sim? Não?

 

[Texto 1283]

Helder Guégués às 17:10 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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29
Mar 12

Em 1965, era assim

Revisão da casa editora

 

 

      O leitor Rui Almeida está a ler a obra O Fenómeno Humano, de Teilhard de Chardin (Porto: Livraria Tavares Martins, 1965, com tradução de Léon Bourdon e José Terra), e encontrou esta «Nota dos Tradutores», a anteceder uma página de «Erratas» (!): «A responsabilidade da grafia das palavras cosmoverisímilinverisímil e seus derivados, evolver e suas flexões cabe exclusivamente aos serviços de revisão da casa editora. Os tradutores pedem que se restabeleçam por toda a parte as formas cosmos, verosímil, inverosímil, evoluir, etc., as únicas por eles admitidas. Repare-se ainda que Maquerodos (pág. 160) é aportuguesamento da forma científica Machairodus

      No Vocabulário da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves, o que podemos ler é que «cosmo» é «forma preferível a cosmos»; «verisímil» é «forma apenas de uso português» (pelo que também está legitimada a forma «inverisímil») e «evolver» é «forma preferível a evoluir (gal.)». No tocante a «Maquerodos», nada há que dizer, parece-me. Léon Bourdin, apesar de pertencer à Academia das Ciências, ainda tinha desculpa, parece-me, mas José Terra, tradutor de obras de autores franceses, não. Ou será ao contrário?

 

[Texto 1282] 

Helder Guégués às 10:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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28
Mar 12

Sobre «nicles»

Indas ontem

 

 

      «Em Camilo (A corja, cap. VI, pág. 199) encontramos a palavra nicles que significa nada, coisa nenhuma: “E a respeito de espórtulas, nicles.” Nicles é o citado latim medieval nichil que se tornou nikel, nicle, e depois nicles com o s paragógico de certos advérbios populares: somentes, principalmentes, felizmentes, indas (indas me alembra, indas ontem: “Pois, abade, somentes lhe digo uma coisa.” (Cam., Eusébio Macário, cap. V, p. 74)» (Fatos da Língua Portuguesa, Mário Barreto. Rio de Janeiro: Presença Edições, 3.ª ed., facsimilada, 1982, pp. 165-66).

 

[Texto 1281]

Helder Guégués às 13:42 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Conhece o «idioting»?

Bartoon

No Bartoon de hoje

 

 

      Queria mostrar aqui o Bartoon, de Luís Afonso, no Público de hoje. Não o consigo fazer, mas transcrevo. A cliente está a ler o jornal: «A polícia prendeu um homem pelo crime de cash trapping, que consiste na utilização de uma placa metálica para impedir a saída de dinheiro nas caixas multibanco.» Comenta o empregado do bar: «Cash trapping, balconing, bullying, phishing, trading... Tudo isso é fruto do idioting.» «Idioting?», interroga a cliente. «Consiste em indivíduos portugueses utilizarem o inglês para explicar coisas a outros portugueses.» 

[Texto 1280]

 

 

Actualização às 14h40: agora já aqui fica a imagem.

Helder Guégués às 13:15 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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28
Mar 12

Plural de «mícron»

Há opções

 

 

      «No centro desta investigação estão materiais fotocatalíticos, que são activados pela luz solar, provocando várias reacções. Um composto é colocado numa cápsula polimérica, que o sol faz abrir os poros e o químico é libertado. Mas tudo é feito à escala de mícrones (milésimos de milímetro) e os materiais dentro das cápsulas são ainda mais pequenos» («Cientistas portugueses criam repelente de mosquitos activado pela luz do Sol», Público, Samuel Silva, 28.03.2012, p. 24).

      Consultei três dicionários e nenhum indica o mesmo: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não indica o plural; o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa indica o plural «mícrones»; o Dicionário Houaiss indica «mícrones» e «mícrons».

 

[Texto 1279] 

Helder Guégués às 09:21 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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27
Mar 12
27
Mar 12

O grande modismo

Crimes à medida

 

 

      Este já pegou de estaca: «Devem ficar expostos a investigações e inquéritos como qualquer cidadão, ou a leis, processos e tribunais especiais? Devem responder por crimes gerais ou também por crimes especificamente desenhados para as suas funções? E por que géneros de crimes?» («À justiça o que é da justiça», Pedro Lomba, Público, 27.03.2012, p. 52). Sobre a expressão «judicialização da política», escreve Pedro Lomba: «A expressão não me parece bem empregue.»

 

[Texto 1278]

Helder Guégués às 09:05 | comentar | favorito
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