02
Abr 12

Ortografia: «antipraxista»

O mesmo descuido de sempre

 

 

      «Pedem uma intervenção dos órgãos da faculdade no “sentido de esclarecimento dos/as estudantes relativamente aos seus direitos”, alertando no início do ano os novos alunos para a possibilidade de recusarem a praxe, distribuindo material informativo sobre o assunto, envolvendo nessas ações o Núcleo de Estudantes e criando estruturas de apoio aos anti-praxistas» («Docentes de Letras de Coimbra querem interditar formas de praxe indignas e atentatórias», Público, 2.04.2012, p. 8).

      Ortografia não é com eles. Se mete prefixos, pior. E as duas «ações» não são demasiada concessão, mesmo que involuntária, à língua dos bárbaros?

 

[Texto 1310]

Helder Guégués às 23:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Salgalhada/salganhada»

Confusão

 

 

      O leitor Rui Almeida leu no i em linha a palavra «salganhada», e, mais do que a troca do lh pelo nh, interessa-lhe saber se foi usada correctamente, com propriedade. A mim interessa-me mais a troca do dígrafo. Na obra de Urbano Tavares Rodrigues, em que abunda o vocábulo, creio que nunca se encontra «salgalhada», sempre «salganhada». E são todos livros revistos. Só espero é que o autor não venha declarar em errata, como os outros, que a responsabilidade da grafia da palavra salganhada cabe exclusivamente aos serviços de revisão da casa editora...

 

[Texto 1309]

Helder Guégués às 21:58 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Angola vai ratificar AOLP

Mas entretanto

 

 

      «A meio da semana, ainda no âmbito da reunião da CPLP — cuja presidência cabe actualmente a Angola —, Oliveira Encoge, director para os assuntos da Comunidade, garantia que o seu país seguiria o caminho da ratificação [do Acordo Ortográfico], mas quer introduzir termos do vocabulário nacional. Angola é, ao contrário de Portugal e do Brasil, um dos membros da CPLP que não ratificou ainda o AO, que foi assinado pela Comunidade em 1990» («Angola diz que há questões a resolver», Lucinda Canelas, Público, 2.04.2012, p. 24).

      Ainda está muito a tempo — nada está feito. E agora já não há pressa, pois foi o carro à frente dos bois.


[Texto 1308] 

Helder Guégués às 16:19 | comentar | favorito
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Uso descabelado das aspas

Digam-me lá se isto é normal

 

 

      «“As pessoas têm uma ligação especial a Guernica, e mesmo eu, que estou aqui ao computador a ver cada imagem ao detalhe, me deixo emocionar às vezes”, admite Humberto Duran, especialista em fotografia e imagem digital, um dos principais responsáveis pelo trabalho do robot que foi desenvolvido por uma empresa privada, em colaboração com a equipa do museu e especialistas do Departamento de Óptica da Universidade Complutense de Madrid» («Guernica está a fazer um check-up», Lucinda Canelas, Público, 2.04.2012, p. 24). E uns parágrafos mais à frente: «A “emoção” que o técnico Humberto Duran sente ao olhar para Guernica é partilhada por muitos dos visitantes do museu — 2,7 milhões em 2011.»

 

[Texto 1307] 

Helder Guégués às 16:12 | comentar | favorito
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De mícron a micrómetro

Milésima parte do milímetro

 

 

      «A precisão, explica ainda o director de conservação, é “muitíssimo grande”: 25 micrómetros, o que equivale a uma resolução de 0,025mm [sic]» («Guernica está a fazer um check-up», Lucinda Canelas, Público, 2.04.2012, p. 24).

      Ainda na semana passada falámos aqui de «mícrones». Não reparámos então num pormenor da definição encontrada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «antiga unidade de medida de comprimento, de símbolo μ, equivalente à milésima parte do milímetro; micro, micrómetro». Antiga. E micrómetro? É a «unidade de medida de comprimento, submúltiplo do metro, de símbolo μm, equivalente à milésima parte do milímetro». Substitui a outra? Esperemos que o leitor Fernando Ferreira esteja bem e em condições de nos dizer algo sobre esta questão.

 

[Texto 1306]

 

Helder Guégués às 15:59 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «passa-cabos»

Da indústria naval

 

 

      «Três novas lanchas passa-cabos, que este mês entrarão ao serviço no porto de Lisboa foram quarta-feira baptizadas nas instalações dos estaleiros Navaltagus, no Seixal. O facto de não ter sido construída em Portugal, nos últimos 30 anos, uma única embarcação para trabalho portuário foi realçado na cerimónia realizada e descrito como sinal de que há futuro para a indústria nacional de construção e reparação naval» («Três novas lanchas portuárias baptizadas no Seixal», Carlos Filipe, Público, 2.04.2012, p. 27).

 

[Texto 1305]

Helder Guégués às 15:03 | comentar | favorito
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Léxico: «renão»

Use-se

 

 

      «Não, não e renão! Não foi um “erro individual” de um deputado: foi uma atitude consciente de Ribeiro e Castro, que explicou considerar que ninguém tinha mandato eleitoral para extinguir o 1.º de Dezembro» («O feudalismo na política», Rui Tavares, Público, 2.04.2012, p. 48).

      Não é nada de novo, pelo contrário, mas temos de estar atentos ao novo e ao velho. É apenas a forma reforçada do advérbio não. Também existe ressim? Existe, mas está registado em poucos dicionários.

 

[Texto 1304]

Helder Guégués às 10:08 | comentar | favorito
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«Guião/roteiro»

Já que falam nisso

 

 

      No Câmara Clara de ontem, José Eduardo Agualusa estava a falar de roteiros para aqui, roteiros para ali, e Paula Moura Pinheiro viu-se na necessidade de lhe lembrar que em Portugal é «guião» que se usa. O autor de Teoria Geral do Esquecimento não se atrapalhou: não é purista, mas «guião» é um galicismo. No Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, diz-se, e não há indicação de que seja brasileirismo, que «roteiro» é o «texto de programa televisivo, radiofónico, teatral ou cinematográfico, com as indicações necessárias para a sua realização. = GUIÃO».

 

[Texto 1303]

Helder Guégués às 08:40 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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02
Abr 12

«Magnidade»!

Assim é mais fácil

 

 

      António Pires de Lima, ontem, na Antena 1, sobre o «caso» Ribeiro e Castro: «O Dr. Ribeiro e Castro teve uma atitude, numa matéria que era de disciplina de voto, e uma matéria importante porque estamos a falar de uma proposta do Governo, teve uma atitude inexplicável, do meu ponto de vista, estou a falar enquanto membro do partido, inexplicável, eu diria mesmo deplorável, mas fui eu próprio a apelar no Conselho Nacional, para que o grupo parlamentar, para o qual o presidente do partido remeteu decisão sobre esta matéria, sobre esta atitude, fui eu próprio a apelar para que o grupo parlamentar use de tolerância e de sentido de magnidade relativamente à forma como trata ou vai tratar esta indisciplina porque me parece que o CDS e o partido não ganham nada neste momento em alimentar polémicas que o descentrem daquilo que é a sua actuação mais importante, a defesa do Governo e a crítica construtiva ao Governo.»

      O presidente do Conselho Nacional do CDS-PP queria, ao que parece, dizer «magnanimidade», mas articular semelhante palavra dá muito trabalho. Erros desta magnitude têm a atenuante — bem o sabemos — da oralidade. Mas «magnidade», a qualidade de magno, existe, ainda que, à semelhança de muitas outras, a não veja em nenhum dicionário.

 

[Texto 1302]

Helder Guégués às 08:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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