03
Abr 12

Acordo Ortográfico

Distraem-se muito

 

 

      «Foi por aí que os três consumaram a fuga, a partir da ala E. Com um pé-de-cabra rebentaram uma espécie de postigo, acedendo, pelo túnel, ao terreno onde até há poucos anos funcionava a cadeia regional, para presos preventivos (agora desativada)» («Três reclusos fugiram por um túnel e fizeram logo ‘carjacking’», Paula Carmo, Diário de Notícias, 2.04.2012, p. 19). Segundo o Acordo Ortográfico de 1990, é «pé de cabra».

 

[Texto 1314]

Helder Guégués às 23:51 | comentar | favorito
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Plural de «banto»

Minhocas e bantos

 

 

      Outra questão linguística a reter da última emissão do Câmara Clara: «Há palavras no nosso português, que falamos aqui, que vêm do quimbundo. Eu não sabia, aprendi consigo», diz Paula Moura Guedes a José Eduardo Agualusa. Bem, não é novidade. E responde José Eduardo Agualusa: «Até palavras muito antigas, quer dizer. Há palavras recentes, então no português do Brasil são imensas. Mas mesmo no português de Portugal, há palavras que estão há tanto tempo, como “minhoca”, por exemplo, que vem de “nhoca”. “Nhoca” significa “cobra” na maior parte das línguas banto.» «Línguas banto»! Isto é que é um plural conforme ao génio da língua...

 

[Texto 1313]

Helder Guégués às 23:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Verboso/eloquente»

Pelos cotovelos

 

 

      «Podia dar-se o caso de os nossos políticos serem especialmente verbosos e telegénicos. Não são. Podia faltar na sociedade portuguesa gente capaz de formar a chamada “classe discutidora”, para usar uma expressão reaccionária com que era catalogada a burguesia liberal. Bem pelo contrário» («O país político e o resto», Pedro Lomba, Público, 3.04.2012, p. 48).

      A terceira acepção de «verboso» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é eloquente; facundo. Por aqui, estaria tudo resolvido. Em Bluteau e ainda em Morais, verboso é somente — e é o que está, pressinto, na mente da maioria dos falantes — sinónimo de grande falador, abundante de palavras. Todos os políticos o são, e até ao (nosso) cansaço, mas não é, evidentemente, o que o cronista queria dizer, porque está a par de uma qualidade: a telegenia. Em conclusão: eu não usaria, neste contexto, «verboso», mas sim «eloquente».

 

[Texto 1312]

Helder Guégués às 13:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Abr 12

«Incêndios» no Chiado

Incidentes no Chiado

 

 

      José Rodrigues dos Santos no Telejornal de ontem: «O ministro da Administração Interna já deve ter na sua posse o relatório sobre os incêndios do Chiado no dia da greve da CGTP. O processo de averiguações foi elaborado por um inspector da Inspecção-Geral da Administração Interna com carácter de urgência. Desde a última sexta-feira foram ouvidas as pessoas envolvidas, entre polícias, jornalistas agredidos, manifestantes e lojistas do Chiado.»

      A troca de «incêndios» por «incidentes» acontece aos melhores, mas acontecerá mais aos desatentos. Grave, caro José Rodrigues dos Santos, foi ter pronunciado a palavra «lojista» com o o escancarado. Com pouquíssimas excepções, nas derivadas, a vogal da sílaba tónica da palavra de que deriva passa de aberta a fechada, como várias vezes chamei a atenção em relação a «drogado», «fretado», etc. E, é claro, porque não é uma das excepções, «lojista». Infelizmente, como já pude comprovar, o Prontuário Sonoro não regista este termo.

 

[Texto 1311]

Helder Guégués às 08:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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