11
Abr 12

Como se fala na televisão

A culpa é dos bivalves

 

 

      Repórter Ana Luísa Rodrigues no Telejornal de anteontem: «O pescador na Ericeira foi uma das quarenta pessoas que acorreram ao hospital com uma intoxicação alimentar.» Mais à frente, a jornalista disse que se tratava de «problemas gastroindustriais, alegadamente por ingestão de bivalves». Grande deslize... a somar à «intochicação», também nos deixa achacados.

 

[Texto 1358]

Helder Guégués às 12:24 | comentar | favorito
Etiquetas:

Tradução: «tonton»

Deixe-me anotar

 

 

      O correspondente Paulo Dentinho foi ontem fazer uma reportagem no restaurante frequentado por Marine Le Pen e pelo pai há anos, em Nanterre, nos arredores de Paris. «O restaurante chama-se Chez Tonton, literalmente “A Casa do Tiozinho”, e o tiozinho é o senhor Domingos», um arcuense que deu dois beijos repenicadíssimos e francesíssimos na candidata, que um «apoiante» presente jurou que é de esquerda. (Não será a isto que chamam sábia clarividência etílica, até porque o entrevistado estava mais que sóbrio.) Os dicionários bilingues é que podiam acrescentar «tiozinho» a «titi» e «tio» no verbete deste termo da linguagem infantil.

 

[Texto 1357]

Helder Guégués às 11:59 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Estes treinos podem ser assistidos»

Francamente

 

 

      A jornalista Lígia Sousa, no Bom Dia Portugal de ontem, foi assistir aos treinos da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), em Queluz. «Especial também é o xarel de rédeas longas», disse. E disse bem, que é variante de «xairel». Mas vejam como falou depois: «Estes treinos podem ser assistidos todas as manhãs pelos visitantes do Palácio Nacional de Queluz, onde o carrossel é o ponto alto do treino diário.»

      O verbo «assistir» é, no contexto, em que significa estar presente, para ver e ouvir, num espectáculo, transitivo indirecto, ou seja, é acompanhado de uma preposição, pelo que não se pode usar numa construção participial passiva como a referida. É o mesmo erro sintáctico, o que mais fere a língua, da construção «as crianças foram abusadas», com que os jornalistas nos massacram.

 

[Texto 1356]

Helder Guégués às 11:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Sobre «escabechina»

Uma razia

 

 

      Mais de metade, mais de 520, advogados estagiários foram reprovados no exame de acesso à profissão. «O formador advogado João Medeiros já afirmou que, com 23 anos de advocacia, provavelmente não conseguiria fazer o exame, e por isso recusou corrigir as provas», disse o jornalista José Ramos e Ramos no Jornal da Tarde de ontem. Ontem aprendi a palavra castelhana coloquial para isto: escabechina — «abundancia de suspensos en un examen». O nosso «escabeche» em sentido figurado é menos cruento.

 

[Texto 1355]

Helder Guégués às 10:43 | comentar | favorito
Etiquetas:

Froilão

Tomai tento, Froilão

 

 

      «Felipe Juan Froilán, o neto mais velho dos reis de Espanha, filho da infanta Elena e de Jaime de Marichalar, foi internado segunda-feira numa clínica de Madrid para tratar um pé ferido por um tiro» («Neto dos reis de Espanha ferido», Público, 11.04.2012, p. 39).

      Os Borbões, essa é que é essa, não aprendem. Também temos o nome Froilão. N’O Alfageme de Santarém, de Almeida Garrett, há um padre Froilão. Aliás, também é topónimo, pois não é raro que nome de pessoas passe a denominar lugares. No concelho de Barcelos há Fraião, que deriva deste Froilão.

 

[Texto 1354]

Helder Guégués às 10:11 | comentar | ver comentários (5) | favorito
Etiquetas:

Ortografia: «dessincronia»

Ora, ora

 

 

      «Já que as questões do vocabulário podem avançar paralelamente, também o escritor angolano José Eduardo Agualusa considera desnecessário atrasar-se mais a implantação do acordo nestes países, “sob pena de ficarem prejudicados”, por exemplo, na questão editorial. “Angola e Moçambique importam a maioria dos livros de Portugal e Brasil, livros já escritos segundo o novo acordo” o que, segundo Agualusa, pode provocar alguma desincronia na aprendizagem da escrita» («Angola e Moçambique querem gerir o seu tempo na ratificação do Acordo», Marta Lança, Público, 11.04.2012, pp. 28-29).

      E eu convencidíssimo de que era «dessincronia», como «dessintonia», que se escrevia.

 

[Texto 1353] 

Helder Guégués às 09:37 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Quimbundo» e «quicongo»

Apre

 

 

      «O deputado e escritor João Melo, por exemplo, recorda ao PÚBLICO o já longo contributo angolano para a africanização da língua portuguesa, caso do português do Brasil com vocábulos provenientes do kimbundu, do kikongo e do umbundu, e influenciado na estrutura e no sotaque. E defende que “como o acordo privilegia o aspecto fonético vai facilitar a expansão e aprendizagem da língua entre angolanos”» («Angola e Moçambique querem gerir o seu tempo na ratificação do Acordo», Marta Lança, Público, 11.04.2012, p. 29).

      E eu há anos a cuidar, descuidado, que se escrevia «quimbundo» e «quicongo». É a diversidade gráfica pluricontinental.

 

[Texto 1352]

Helder Guégués às 09:28 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Línguas bantu», de novo

Parece que é científico

 

 

      «Carmo Neto, presidente da União de Escritores Angolanos, diz ao PÚBLICO ser favorável ao acordo – “só ganhamos ao aderir” –, mas insiste no reconhecimento da identidade linguística. Ou seja, a aceitação “da grafia africana das palavras adquiridas das línguas bantu”: “É importante rever contribuições que os angolanos sempre deram à língua portuguesa – na ortografia, semântica, morfologia – para que esta não seja estranha na nossa realidade e contexto.”» («Angola e Moçambique querem gerir o seu tempo na ratificação do Acordo», Marta Lança, Público, 11.04.2012, p. 28).

      «Línguas bantu». Isto é que é respeitar o génio da língua, não haja dúvida.

 

[Texto 1351]

Helder Guégués às 09:17 | comentar | favorito
Etiquetas:
11
Abr 12

«Implantação do Acordo Ortográfico»

Qualquer coisa assim

 

 

    «Fundamentos políticos, económicos, jurídicos. E linguísticos. A implantação do Acordo Ortográfico (AO) na totalidade da CPLP continua em discussão e os encontros de ministros da Educação e da Cultura em Luanda, há uma semana e meia, trouxeram à luz novos argumentos sobre os impasses na ratificação de Angola e Moçambique» («Angola e Moçambique querem gerir o seu tempo na ratificação do Acordo», Marta Lança, Público, 11.04.2012, p. 28).

     Alguns jornalistas ainda não sabem bem, tal é a complexidade da questão, se é «implantação», se «implementação». Eu sou mais adepto da terceira via. Em relação ao 5 de Outubro, também não sabem bem se é «implementação» ou «implantação».

 

[Texto 1350] 

Helder Guégués às 09:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: