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Abr 12

Como se escreve nos jornais

Felizmente é pequeno

 

 

      «Penélope Cruz brilha e brilha muito na edição de Maio da revista Harper’s Bazaars: aparece com um paletó com incrustações de cristal da Swarovski e uma gargantilha de diamante e zafiras de Armani Privé. Penélope fala do último filmeTo Rome with Love, de Woody Allen –, de moda e de ser mãe. É este ponto que nos interessa: diz que a sua ordem de interesses mudou desde que há quase um ano nasceu o seu filho Leo e que vai diminuir o seu ritmo de trabalho. “Farei um filme por ano, quiçá dois, não mais”. Diz ainda que não quer que os seus filhos cresçam em Los Angeles» («Penélope Cruz brilha na Harper’s Bazaars», Público, 12.04.2012, p. 39).

      Falta um advérbio, amigos. No El País, lia-se: «Probablemente haré una película al año, quizás dos, pero no más porque ahora tengo otras prioridades”.» Copiam mal e fazem mal em copiar. As «zafiras» devem ser o resultado de uma operação de mudança de sexo que correu mal, pois em castelhano diz-se zafiro. Quizá. Quiçá, digo. O paletó veio directamente do Brasil.

 

[Texto 1362]

Helder Guégués às 18:43 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Sobre «iceberg»

Por sorte, não são muitos

 

 

      «Para nós, a palavra Titanic deixou de ser o nome de um navio que embateu contra um iceberg; deixou de ser um mero registo histórico» («Um “sucesso triste”», Pedro Lomba, Público, 12.04.2012, p. 48).

      Seria um mau princípio o que aqui se vislumbra, se não tivesse que ver, como julgo, com a pronúncia do i.

 

[Texto 1361]

Helder Guégués às 18:21 | comentar | favorito
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«Samatra»

Alguns ainda sabem

 

 

      Jornalista Carlos Daniel, no Jornal da Tarde de ontem: «A ilha de Samatra, na Indonésia, foi sacudida por um sismo de magnitude 8,6, o que provocou desde logo também um alerta de tsunami sobre todas as costas que são banhadas pelo oceano Índico.»

      A senhora encarregada de negócios diz «Sumatra», como a maioria dos falantes. Ainda se recordam do que escreveu Vasco Botelho de Amaral na obra Subtilezas, Máculas e Dificuldades da Língua Portuguesa, que já um dia citei a propósito da mesma questão? «Mesmo naqueles casos em que as vicissitudes históricas reflectem mudança de dominador, aconselha a moral das línguas se não substituam levianamente os chamadoiros geográficos» (p. 75). «Não se percebe, aliás, porque é que nós somos tão solícitos em imitar os estrangeiros, e não imitamos os seus nacionalismos de linguagem. Veja-se, por exemplo, se os Ingleses dizem Cidade do Cabo, à portuguesa. É o dizem! Cape Town, e só Cape Town. Fazem eles muito bem» (p. 76).

 

[Texto 1360]

Helder Guégués às 08:47 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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12
Abr 12

Como fala a diplomacia

Curioso

 

 

      Carla Castelo, encarregada de negócios na Embaixada de Portugal em Jacarta, em declarações à Antena 1, ontem: «Não tenho mais qualquer informação de portugueses em Banda Aceh, mas sei que poderão haver mais portugueses na ilha de Sumatra

      Curioso é ver que nas provas de língua portuguesa dos concursos de acesso a adido de embaixada só há reprovados por falta de comparência.

 

[Texto 1359]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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