16
Abr 12

Ortografia: «mal-intencionado»

Cada vez pior

 

 

      «Há breves que se se lêem num instante e nunca mais se esquecem. As estatísticas mentem — mas só quando são mal intencionadas ou exibidas. Mente o lugar-comum: a estatística em si — o cálculo probabilístico — aproxima-se da verdade» («Para a Estela Monteiro», Miguel Esteves Cardoso, Público, 16.04.2012, p. 45).

      É um problema mal resolvido: antes de vogal e h, os compostos com «mal» exigem hífen. Nunca Miguel Esteves Cardoso se lembra disso. Ultimamente, também tenho encontrado um erro recorrente na escrita de professores de Português (!), que é não usarem — mas sempre, não por lapso episódico, pontual — o hífen no nome dos dias da semana: «segunda feira», «terça feira», etc. Julgam, acho eu, que assim estão a respeitar o Acordo Ortográfico. Pobres alunos...

 

[Texto 1374]

Helder Guégués às 10:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Ao pé de/aos pés de»

Muito perto de

 

 

      «Aos pés do castelo de Vincennes, em Paris, realizou-se ontem um ritual pagão dos tempos modernos: François Hollande, o candidato socialista às eleições presidenciais, apresentou-se ao povo para pedir que lhe dêem força suficiente na primeira volta do próximo domingo, 22 de Abril, para ganhar definitivamente, a 6 de Maio» («Hollande promete uma “maioria audaciosa” para mudar a França», Clara Barata, Público, 16.04.2012, p. 16).

      Ainda se o castelo estivesse numa elevação de terreno, mas nada disso: absolutamente plano. Mesmo neste caso, é raro encontrar a expressão no plural. Em letra de forma, só conheço uma frase de um discurso de Salazar: «Muito longe de vós e no entanto convosco pelo coração, eu vi nitidamente chegar esse magnífico cortejo aos pés do castelo que domina a cidade, berço de Portugal.»

 

[Texto 1373]

Helder Guégués às 10:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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16
Abr 12

Léxico: «esparralhar»

Derramada, espalhada

 

 

      Apetecia-me ir por esse País fora, como Leite de Vasconcelos, já não montado numa mula e acompanhado de abades, só para ouvir o bom povo a falar. Sim, é verdade, já não há povo como dantes. Mas ainda há, convenhamos, bons espécimes. A propósito do despiste, anteontem, de um camião que transportava botijas de amoníaco no IC2 entre Coimbra e a Mealhada, entrevistaram o adjunto do Comando dos Sapadores Bombeiros de Coimbra, José Costa, que disse: «A carga totalmente esparralhada no chão.» Fez-me recordar uma frase de Aquilino: «esparralhar aquela gente à paulada».

      E agora reparem nesta frase do jornalista João Adelino Faria na mesma notícia: «O perigo foi afastado quando se descobriu que as botijas estavam vazias.» Não dá que pensar?

 

[Texto 1372] 

Helder Guégués às 01:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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