19
Abr 12

Esculápios e vatéis

Ora digam lá

 

 

      «Afasta-se a trindade de esculápios, olha à volta, e só vê sorrisos nos lábios dos outros doentes» (Tubarões e Peixe Miúdo, Alexandre Pinheiro Torres. Lisboa: Editorial Caminho, 1986, p. 132) «Depois de discutir o assunto com todos os vatéis portugueses que se encontravam na Terra dos Fetos, conhecia muitos e com alguns trabalhara nos chavascais que eram as suas cozinhas, não conseguiu, apurados bem os factos, descobrir mais que cinquenta e três» (idem, ibidem, p. 172). De «esculápio», o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora diz que é «raramente usado»; de «vatel», diz que tem sentido figurado. Os verbetes não mereciam o mesmo tratamento?

 

[Texto 1400]

Helder Guégués às 17:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «desdiabolizar»

Mas registam «diabolizar»

 

 

      «“O mais importante é sair do euro”, considera Tourteau Gerome, que apoia uma das ideias mais polémicas – e que mais credibilidade retira à candidatura de Marine Le Pen, que tentou desdiabolizar o partido, investindo no programa económico. “É um veneno que vai acabar por nos matar”» («Marine, a redentora», Clara Barata, Público, 19.04.2012, p. 23).

      Alguns dicionários ainda registam «desdemonizar», mas não chegam a «desdiabolizar».

 

[Texto 1399]

Helder Guégués às 16:59 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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De envergonhar

Não são conjecturas, não

 

 

      «Como queremos que funcione o sistema universitário em 2020 numa conjectura em mudança?», perguntam os organizadores do 1.º Curso de Transição Universitária em Portugal, que decorrerá na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, no Campo Grande, nos dias 28 e 29 de Abril e terá como «facilitadores» Amandine Gameiro, André Vizinho e Gil Penha Lopes. O curso começa com as «boas vindas» e acaba, como podem ver aqui, com uma festa. E assim vai o ensino em Portugal.

 

[Texto 1398]

Helder Guégués às 14:34 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Regência de «namorar»

Mai’nada

 

 

      «O verbo namorar é transitivo: Manuel namora Maria. [...] Na linguagem de Lisboa, porém, sobretudo na gente de pouca cultura, é vulgar ouvir-se dizer: “Fulano namora com Fulana”, “Fulana namora com Fulano”. Por analogia com expressões como ter ou andar de amores com» (Estudos de Filologia Portuguesa, J. Leite de Vasconcelos. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1961, pp. 162-63).

      Agora os gramátegos defendem as duas construções. Assim, ninguém erra. Mais um contributo de peso da capital para todo o País. E antigas colónias.

 

[Texto 1397] 

Helder Guégués às 10:38 | comentar | ver comentários (18) | favorito
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Pontuação

Mas não

 

 

      «O facto de o AO não concitar qualquer consenso nem contribuir para unificar seja o que for, é razão suficiente para, no mínimo, se suspender a sua aplicação e fazer respeitar a Constituição (que protege explicitamente a qualidade do ensino e o uso da língua nacional) e a Lei de Bases do Património Cultural (pela qual a língua, “fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português”)» («A CPLP e a consagração do desacordo ortográfico», António Emiliano, Público, 19.04.2012, p. 51).

      Uma vírgula a separar o sujeito do predicado? Está-se mesmo a ver...

 

[Texto 1396] 

Helder Guégués às 10:27 | comentar | ver comentários (28) | favorito
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«Sentir/lamentar»

Caçadas

 

 

      «Foi um gesto sem precedentes de um rei que nunca tinha sido tão criticado desde que, há 36 anos, assumiu o trono com a missão de unir Espanha. “Sinto muito. Errei e não voltará a acontecer”, disse Juan Carlos, ao deixar o hospital onde foi internado depois da queda sofrida quando caçava elefantes no Botswana» («Inédito mea culpa de Juan Carlos para travar “maior crise” da monarquia», Ana Fonseca Pereira, Público, 19.04.2012, p. 23).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista que é um sentido figurado, o que, apesar de desmentido por outros, é irrelevante. Neste contexto, com esta origem, eu não traduziria desta maneira, escusadamente próxima do original: «Lo siento mucho. Me he equivocado y no volverá a ocurrir.» E não seria melhor Botsuana?

 

[Texto 1395]

Helder Guégués às 10:13 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Plural das siglas

Mais do que desaconselhável

 

 

      «No passado dia 30 de Março decorreu em Luanda a VII Reunião de Ministros da Educação [ME’s] da CPLP para, entre outros assuntos, discutirem a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 [AO]» («A CPLP e a consagração do desacordo ortográfico», António Emiliano, Público, 19.04.2012, p. 51).

      Sigla pluralizada? Alguns querem... Mas com apóstrofo, sinal de elisão, a elidir o quê? E os parênteses rectos?

 

[Texto 1394]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | favorito
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19
Abr 12

«Valores-recorde»!

Só neste jornal

 

 

      «Pode uma campanha política ser mais do que uma marcha infrene de “paixões tristes”? Duvido. E em 2012, à beira do abismo, ainda mais. Um facto certo em França e por toda a Europa, no momento em que as sondagens prenunciam valores-recorde de abstenção, é a extraordinária incapacidade de uma imensa parcela do eleitorado se sentir representada no actual “jogo” político» («Paixões tristes», Pedro Lomba, Público, 19.04.2012, p. 52).

      Isto, se não for, e quase de certeza não é, alteração feita pela revisão, desaprendeu Pedro Lomba com a leitura do mesmíssimo Público, único jornal que escreve desta forma.

 

[Texto 1393]

Helder Guégués às 09:16 | comentar | favorito
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