26
Abr 12

Léxico: «eglefim»

Poisson de mer de couleur grisâtre 

 

 

      «Outra versão, também antiga[,] diz que a escolha de Hergé foi feita por razões triviais: gostava de haddock, como se chama, quando fumado, ao églefin, uma espécie de bacalhau» («O verdadeiro capitão Haddock», Ferreira Fernandes, «Notícias Magazine»/Diário de Notícias, 22.04.2012, p. 20).

      Na tradução do Ulisses de James Joyce feita por António Houaiss, aparece um «eglefim cascudo», aportuguesamento que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista.

 

[Texto 1434]

Helder Guégués às 22:18 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Como escrevem os políticos

Assim

 

 

      «François Hollande será, salvo qualquer improvável imponderável, eleito, dentro de 15 dias, Presidente da República, mau grado a esquerda permanecer minoritária; Marine Le Pen empenhar-se-á, já nas legislativas de junho, em apresentar um rosto político mais frequentável, de modo a pesar decisivamente na reestruturação da direita francesa; Melanchon deleitar-se-á por mais algum tempo com o seu estatuto de grande tribuno do povo; Sarkozy partirá com a sua energia adolescente rumo ao destino de um grande burguês parisiense, deixando atrás de si os escombros momentâneos de uma direita que não tardará em reconstituir-se» («A França é mais normal do que parece», Francisco Assis, Público, 26.04.2012, p. 46).

 

[Texto 1433]

Helder Guégués às 21:23 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«600 tropas»!

Tropa-fandanga

 

 

      Parte do corpo da notícia na página 19 do Público de hoje: «A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pretende enviar uma missão de 638 soldados para a Guiné-Bissau, já nos próximos dias, com o objectivo de proteger os civis e as instituições de poder, foi ontem confirmado por fonte daquele bloco regional.» O título: «Países da África Ocidental querem enviar 600 tropas».

 

[Texto 1432]

Helder Guégués às 20:45 | comentar | favorito
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«Cuba Livre»

Não impliquem

 

 

      «O coordenador regional da Madeira do PCP, Edgar Silva, criticou ontem a escolha do nome Cuba Livre para a operação judicial que está a verificar as contas da região, pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal. “Todos estamos a acompanhar certamente aquela operação, que, não sei por que obras de arte haviam de chamar Cuba Livre, em vez de chamar Madeira livre da corrupção”, referiu Edgar Silva» («PCP-Madeira contra o nome Cuba Livre dado pelo DCIAP», Público, 26.04.2012, p. 8).

      Isto é implicação pura e não terem nada mais importante para dizer. Que interessa o nome? Até podia ser Merda Madeirense ou Bloody Mary. Interessam os resultados. «Por que obras de arte»? Não me soa. No contenente só conhecemos «por que bulas», «por que raio», «por que carga de água», «por que diabo» e variantes — quase sempre mal escritas.

 

[Texto 1431]

Helder Guégués às 20:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito

«Libertar imagens»

Está a pegar

 

 

      «Os agentes britânicos consideram que há pelo menos 195 razões para pensar que o caso [de Maddie McCann] pode estar próximo de uma solução», disse ontem, no Jornal da Tarde, o jornalista Luís Miguel Loureiro. No Telejornal, Sandra Felgueiras disse que, «a uma semana de se completar mais um aniversário sobre o desaparecimento, libertou esta imagem da criança agora com quase 9 anos». Isto é que é traduzir... Quanto às 195 razões, só em sentido figurado. «Ao todo», disse ainda Sandra Felgueiras, «os ingleses dizem já ter encontrado 195 novas pistas.» Então é isso...

 

[Texto 1430]

Helder Guégués às 09:55 | comentar | favorito
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«Exumar o túmulo»!

Cada cavadela

 

 

     «Em março, o ex-presidente da Câmara de Roma e vice-primeiro-ministro Walter Veltroni e [sic] pediu ao Ministério do Interior para verificar se a basílica está protegida da lei italiana ou se os investigadores podiam exumar o túmulo de ‘Renatino’» («Vaticano quer corpo de mafioso fora de basílica», Lumena Raposo, Diário de Notícias, 25.04.2012, p. 26).

      Com que então, «exumar o túmulo»... Exumar é tirar um cadáver da sepultura, desenterrá-lo. «Abrir o túmulo», poderia ter escrito a jornalista. E uma vez que, em sentido figurado, exumar significa tirar do esquecimento, lembro que o verbo é composto de ex-, «para fora» + humu, «terra» + ar. Também temos o vocábulo «humo», variante de «húmus».

 

[Texto 1429]

Helder Guégués às 09:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Botsuana

Esqueçam o vê-duplo

 

 

      No Diário de Notícias, é claro, escrevem Botsuana: «Entre as perguntas que foram aceites está, por exemplo, saber se o Governo do Partido Popular desaconselhou que a viagem se realizasse no meio de uma crise como a que atravessa Espanha e, caso o tenho feito, porque [sic] razão não foi seguida essa recomendação. Outra: O Executivo conhecia, ao pormenor, a visita privada do Rei ao Botsuana e as atividades a que se ia dedicar?» («Parlamento analisa viagem do Rei», Diário de Notícias, 25.04.2012, p. 27).

      Ficaram por traduzir, neste artigo, os insultos dirigidos pela populaça ao príncipe das Astúrias: «Borbón, cabrón, trabaja de peón!»

 

[Texto 1428]

Helder Guégués às 08:02 | comentar | favorito
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26
Abr 12

Léxico: «botoxizado»

Parece uma tâmia... um esquilo

 

 

      «Segundo a opinião de Ben Behnam, cirurgião plástico de Los Angeles e especialista em rostos, “Carla está excessivamente botoxizada. Já colocou demasiado. Por isso tem aquela cara de surpresa e parece um esquilo”» («Carla Bruni abusa de químicos e fica com o rosto transfigurado», Ana Lúcia Sousa, Diário de Notícias, 25.04.2012, p. 53).

      Pensava que só eu é que via. Bem, parece que o Dr. Ben Behnam é dermatologista cirúrgico e não cirurgião plástico. «Botox has turned Carla Bruni into a chipmunk», disse ele. Esquilo, então. Para não complicar, claro, porque chipmunk não é squirrel. Chipmunk (Tamias striatus) é o esquilo norte-americano, a tâmia. E sim, disse que «Carla is over botoxed». Botoxizada. O que me traz à memória o termo trombosado: «“Não há liberdade sem ferros”, protesta Sacatrapo. “É para lhe dizer, D. Emília, que estou internado com uma trombose em Hammersmith, enfermaria dos trombosados”» (Tubarões e Peixe Miúdo, Alexandre Pinheiro Torres. Lisboa: Editorial Caminho, 1986, p. 123). A respeitabilíssima Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira regista-o.

 

[Texto 1427] 

Helder Guégués às 07:46 | comentar | favorito
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