01
Mai 12

Como se fala na rádio

Na parada

 

 

      «O olhar da repórter Olívia Santos no Largo de Camões, em Lisboa, na parada do Mayday, uma das muitas iniciativas da CGTP para assinalar este Dia do Trabalhador», disse Augusta Henriques no noticiário das 3 da tarde na Antena 1. Parada do Mayday...

      Marco Marques, do movimento Precários Inflexíveis, disse à repórter que a proposta de lei — «Lei contra a Precaridade», esclareceu o engenheiro florestal que «nunca trabalhou na sua área» — que apresentaram ao Parlamento «foi assinada por 36 mil assinaturas».

 

[Texto 1449]

Helder Guégués às 16:10 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Os milhares»

Em branco

 

 

      Daniel Ribeiro, correspondente da Antena 1 em França, no noticiário da 1 da tarde: «“Eu voto branco. Vocês façam como quiserem.” Foi assim que Marine Le Pen se dirigiu às milhares de pessoas que se reuniram na Praça da Ópera, em Paris.»

      Daniel Ribeiro, então já não sabe de que género é a palavra «milhar»? Marine Le Pen disse: «Dimanche, je voterai blanc.» A tradução não deveria ser «domingo, votarei em branco»?

 

[Texto 1448]

Helder Guégués às 13:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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01
Mai 12

Léxico: «insucedido»

Dá acontecência ao insucedido

 

 

      «Foi um jornalista que lançou três publicações efémeras, insucedidas no mercado, mas duradouras na memória de quem as leu» («Porque escrevemos sobre Miguel Portas?», Pedro Tadeu, Diário de Notícias, 1.05.2012, p. 17).

      Que não tiveram sucessão ou sucessoras? Não é termo de todos os dias. É mesmo mais visto na área do Direito: «mortos intestados ou insucedidos», é a frase de Rui Barbosa abonada pela Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. O mais estranho é que já o vi a pretender significar o antónimo de «bem-sucedido» — como é provável que signifique no texto do Diário de Notícias. Pois é... «Como é que as vias de ensino técnico-profissional podem deixar de ser consideradas para os pobres, os insucedidos, os “jovens em risco”?» (Casa Pia de Lisboa: Um Projecto de Esperança, Conselho Técnico-Científico da Casa Pia de Lisboa. Lisboa: Principia, 2005, p. 370). E a significar aquilo que não aconteceu: «Se tinham algum fundo de verdade os murmúrios do povo, as insinuações, os risos de caxexe, isso não sei. De resto, pouco importa: entre nós o boato sempre foi mais poderoso que a verdade. Ele faz acontecer, dá acontecência ao insucedido» (A Feira dos Assombrados e Outras Estórias Inverosímeis, José Eduardo Agualusa. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2001, 2.ª ed., p. 58).

 

[Texto 1447] 

Helder Guégués às 09:41 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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