08
Mai 12

Pronúncia: «apoplexia»

A evolução

 

 

      «Apoplexia [ks]», lê-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Contudo, nos Estudos Críticos de Língua Portuguesa: contra os Gramáticos, de Vasco Botelho de Amaral (que acabo de adquirir por 5,80 euros), lê-se na página 24: «Viana foi mais perfeito. Em apopléctico e apoplexia, por ex., indica que o c tende à surdez e que o x = ss, nesta palavra. De facto, a pronúncia cs do Vocabulário de 1940 não é natural. A evolução fonética chegou já a — plèssía

 

[Texto 1484]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

«À discrição»

Caem em quase todas

 

 

      «Além dos bilhetes gerais e diários, pela primeira vez a organização do festival vende bilhetes VIP. Com um custo de 240 euros, o público tem acesso a todos os espaços da “cidade do rock” e também a serviço de estacionamento e de comida e bebida à descrição» («Bilhetes VIP pela primeira vez no festival», Diário de Notícias, 8.05.2012, p. 49).

      Há-de ser bom, mas está errado, senhor jornalista: diz-se «à discrição». Ou seja, em abundância, à livre escolha. Isto não é falar com discrição. Pobre locução verbal, quase sempre deturpada.

 

[Texto 1483]

Helder Guégués às 09:42 | comentar | ver comentários (7) | favorito
Etiquetas:

Ensino do Latim

Queriam exemplos, eis um

 

 

      «Um aluno português, António Gil Cucu, estudante do 11. º ano da Escola Rodrigues de Freitas, do Porto, venceu este ano, pela primeira vez, o concurso internacional de latim “Certamen Horatianum”, que decorreu em Venosa, na Basilicata, na Itália» («Português vence concurso de latim», Diário de Notícias, 8.05.2012, p. 16).

      (Só um reparo, senhor jornalista: devia ter evitado a repetição «na»... «na»: «em Basilicata, na Venosa, Itália».)

 

[Texto 1482]

Helder Guégués às 09:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
08
Mai 12

«Espectador/espetador»

Coerência facultativa

 

 

      «Independentemente das possíveis ilegalidades em torno de um hipotético dumping, da evidente provocação às comemorações do Dia do Trabalhador ou de estas ações de marketing espetaculares indiciarem, muitas vezes, pelo seu aspeto disparatado, desesperado e precipitado, graves dificuldades das empresas que as lançam [...] Antes de tudo isso, gostava de saber junto de todos os envolvidos e de todos os espectadores o seguinte: é mesmo este país que querem?» («Eu era tipo para ir ao Pingo Doce mas...», Pedro Tadeu, Diário de Notícias, 8.05.2012, p. 9).

      Escrevem «espetacular» sem nenhuma dúvida ou remorso, mas cedem, temerosos, às vozes dos que pontificam que «espetador» é ridículo. Será? E onde fica a coerência no meio disto tudo? Ou também é facultativa?

 

[Texto 1481]

Helder Guégués às 08:44 | comentar | favorito
Etiquetas: