10
Mai 12

Escrever mal em todas as línguas

E ainda ganhar dinheiro

 

 

      «Vidal Sassoon começou a trabalhar aos 14 anos como “shampoo boy” – ajudante de cabeleireiro, que lavava cabeças e misturava tintas» («De “shampoo boy” a “air stylist” de famosos e anónimos», Diário de Notícias, 10.05.2012, p. 43).

      Era, ao que podemos supor, para dar colorido, mas a pintura saiu um pouco borrada — «air stylist»! Francamente, tão pouco cuidado.

 

[Texto 1496]

Helder Guégués às 14:51 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «fofinho»

À atenção do futuro

 

 

      «Parecia um elefante bebé, um pouco mais pequeno ainda, e viveu há milhares de anos em Creta. Ontem, um grupo de investigadores britânicos revelou a sua verdadeira natureza: o pequeníssimo elefante, com 1,13 metros de comprimento e 350 quilos, era na verdade um mamute anão, o mais pequeno de sempre até agora identificado. Entroncado e peludo, mas baixote, tinha duas presas. “Provavelmente era muito fofinho”, resumiu Victoria Herridge, paleontóloga do Museu de História Natural de Londres e a coordenadora da equipa que reclassificou a espécie» («Mamute mais pequeno viveu em Creta», Filomena Naves, Diário de Notícias, 10.05.2012, p. 30).

      «Probably quite cute.» Lá está, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o coloquial fofo, amoroso, adorável. Há-de ser o adjectivo mais empregado, em redacções e na oralidade, por miúdas entre os 10 e os 15 anos. Os escritores vindouros terão de ter isto em conta, quando puserem personagens destas idades nossas coevas a falar.

 

[Texto 1495]

Helder Guégués às 10:24 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «convalidação»

Estranhamente

 

 

      «Os casamentos religiosos realizados pelo falso padre Agostinho Caridade – condenado a dois anos e meio de prisão e que na terça-feira acabou detido – “são nulos”, mas os noivos podem proceder à sua “convalidação” perante uma testemunha oficial da Igreja, explicou à Lusa um responsável da arquidiocese de Braga. José Paulo Abreu, juiz do Tribunal Eclesiástico e Metropolitano Bracarense, lembrou que “o matrimónio é um contrato” e, como tal, “tem regras”, previstas no Código de Direito Canónico» («Casamentos do falso padre são nulos», Diário de Notícias, 10.05.2012, p. 23).

      E há alguma razão para «convalidação» estar entre aspas? Apeteceu-lhes. Estranhamente, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o regista, tal como também não regista o verbo «convalidar».

 

[Texto 1494]

Helder Guégués às 10:05 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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10
Mai 12

Prova de Português

Prova de aferição de Português

 

 

      «Em ano de despedida destas provas, que ficará completa amanhã com os testes de Matemática, o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação e Ciência parece ter decidido subir a fasquia de dificuldade. Para uma prova de 90 minutos, destinada a crianças de nove anos, o enunciado tinha 22 páginas (incluindo uma de rascunho), o primeiro texto era um poema de Papiniano Carlos com 22 linhas e havia pelo menos uma pergunta a exigir conhecimentos de gramática que muitos adultos não terão» («Prova “mais longa e exigente” a preparar testes ‘a doer’», Pedro Sousa Tavares, Diário de Notícias, 10.05.2012, p. 6).

      Estive a ler a prova (aqui) e foi em vão que procurei essa famosa pergunta. Bem, depende dos adultos, não é assim? É que 10 % da população portuguesa ainda é analfabeta. Na legenda à imagem da prova, porém, afirmava-se que «algumas perguntas impunham conhecimentos gramaticais exigentes até para adolescentes». O legendador preferiu seguir a opinião da presidente da Associação de Professores de Português: «Edviges Antunes Ferreira apontou como exemplo o item 10 do primeiro grupo, em que os alunos eram desafiados a aplicar em algumas frases a conjunção causal “porque” e em outras as palavras “por” e “que”. “Esta é uma diferença que envolve um conhecimento muito específico da disciplina. Acredito que muitos adolescentes teriam dificuldade em responder corretamente”, disse.»

 

[Texto 1493] 

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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