14
Mai 12

Tradução: «train-génératrice»

Agora pergunto eu

 

 

      «Là-dessus, le train-génératrice lâcha son coup de sirène, mais pas tout de suite à pleine gueule : au début, c’était un peu enroué, comme s’il voulait s’enlever un chat de la gorge.» Sim, de Une journée d’Ivan Denissovitch, de Soljenítsin (ou Soljenitsine, ou...). Alguém têm aí à mão uma (das três, ao que julgo) tradução para português? Que será aquele «train-génératrice»? Um gerador de vapor? Não é, evidentemente, uma locomotiva.

 

[Texto 1522]

Helder Guégués às 23:37 | comentar | ver comentários (16) | favorito
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Tradução: «côtiers»

Não me perguntam, mas eu digo

 

 

      Anteontem, tivemos aqui, pela mão de Vasco Botelho de Amaral, a grafia «Malgache», que o mestre tinha encontrado na obra de Mons. Dalgado, o sábio orientalista. Agora, acabo de ler que a população de Madagáscar, a quarta maior ilha do mundo, é composta por «grupos étnicos malaio-indonésios, árabes e côtiers». Em texto português, nunca tinha lido, nem sequer o equivalente português, embora apareça sempre, mesmo em textos em língua inglesa, o termo francês. Côtiers não designa uma etnia, antes remete para uma divisão entre os grupos étnicos que habitam no planalto central e os grupos que habitam as zonas costeiras ou pelo menos que não vivem no planalto.

 

[Texto 1521]

Helder Guégués às 22:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Mestra-escola»

Perguntam-me e eu respondo

 

 

      «Mestre-escola» tem feminino? Tem, mesmo que não apareça nos dicionários, pelo menos nos que estão mais à mão. «Estava a gente bem servida, se apenas pudesse contar com os dicionários para exprimir-se... Metade da língua portuguesa popular e culta está em potência (e não em acto) nos dicionários» (Estudos Críticos de Língua Portuguesa: contra os Gramáticos, Vasco Botelho de Amaral. Porto: edição do autor, 1948, p. 121).

      «Quanto ao procedimento para comigo, pior do que nunca: exigências de toda a ordem e modos de mestra-escola; tratava-me como se eu fosse exclusivamente coisa sua...» (Maria Adelaide, Manuel Teixeira-Gomes. Lisboa: Portugália Editora, 1938, p. 166).

 

[Texto 1520] 

Helder Guégués às 15:01 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Mini copo d’água!»

Agora sim

 

 

      «Após selarem a união, os noivos fizeram um mini copo d’água numa área reservada do famoso Restaurante Castillo de Gorraiz, nos arredores de Pamplona» («Irmã de Letizia casou-se em segredo», Diário de Notícias, 14.05.2012, p. 53).

      Com a adopção das regras do Acordo Ortográfico é que acabaram com o resto. Já nunca mais se endireitam.

 

[Texto 1519]

Helder Guégués às 11:01 | comentar | favorito
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Ortografia: «debruado»

Até uma costureira

 

 

      «Às 09.50 de 14 de maio de 1962, a princesa Sofia da Grécia, de vestido branco debroado a prata e tiara de diamantes na cabeça, saía do palácio e despedia-se do povo» («Juan & Sofia: 50 anos de um casamento surreal», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 14.05.2012, p. 29).

      Não sei se todos passariam num exame elementar de ortografia. Só de ortografia, que quanto ao resto estamos há muito conversados.

 

[Texto 1518]

Helder Guégués às 10:55 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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«Cristãos-democratas»?

Christlich-Demokratische

 

 

      «O partido de Angela Merkel, CDU (cristãos-democratas) sofreu uma pesada derrota no maior estado federal alemão, a Renânia do Norte-Vestefália, onde vive um quinto da população germânica e cujas eleições regionais são vistas como megassondagem nacional» («Partido de Merkel perde no maior estado alemão», Luís Naves, Diário de Notícias, 14.05.2012, p. 22).

      De Christlich-Demokratische Union, pois claro, mas em português dizemos quase sempre «democrata-cristão».

 

[Texto 1517]

Helder Guégués às 10:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Casa de Borbom

Remonter

 

 

      «O rei Luís XIV de França e a rainha Vitória de Inglaterra são apenas dois dos antepassados ilustres do Rei Juan Carlos, pertencente à Casa de Borbom, uma das mais antigas da Europa, cuja nobreza remonta ao século XIII» («Sangue europeu antigo e ilustre», Eurico Barros, Diário de Notícias, 14.05.2012, p. 29).

      Ora vejam lá se Eurico Barros se importa de escrever Borbom. Se aqui estivesse Leite de Vasconcelos, só iria implicar com o «remontar»: «O já por vezes citado Conselheiro Jaime Moniz escreve no Estudo elementarissimo: “os trabalhos da lavoura no vale do Nilo remontavam a uma passado distantíssimo (p. 29); “civilização que remontou á noite dos tempos” (p. 46). Neste sentido remontar (fr. remonter) deve substituir-se por ascender, ter origem, etc.» (Lições de Filologia Portuguesa, J. Leite de Vasconcelos. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1966, 4.ª ed., p. 354).

 

[Texto 1516] 

Helder Guégués às 10:37 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Centenas de milhar»

Essa não

 

 

      «Em Fátima, centenas de milhar de peregrinos assistiram à eucaristia presidida pelo cardeal D. Gianfranco Ravasi» (Rui Sá, Telejornal de ontem).

      Não é necessário, creio, que venham especialistas dizer que não há qualquer razão gramatical que justifique a falta de concordância de «milhar» quando é antecedido por outro numeral também no plural.

 

[Texto 1515]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | favorito
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14
Mai 12

«Colocar em risco»

Ainda estão a tempo

 

 

      Chegou o Truvada«Doente com sida há mais de oito anos, António vive com o companheiro, João, ele, seronegativo. A notícia de um possível medicamento preventivo do vírus HIV promete uma nova segurança aos não infectados, mas, como a garantia não é de 100 %, António prefere jogar pelo seguro e não colocar o companheiro em risco» (Margarida Cruz, Telejornal de ontem).

   «Colocar em risco», caramba! E em português, é VIH — vírus da imunodeficiência humana.

 

[Texto 1514]

Helder Guégués às 10:28 | comentar | favorito
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