16
Mai 12

Léxico: «definitividade»

Lá perto

 

 

      «Animaram-se as hostes com a esperança de que, despachada a procuradora, pudesse haver uma decisão final proferida pela juíza. Mas não. Coube a palavra à defesa da assistente. Uma argumentação tipo enxurrada, com muitos pontos e prenhe de palavrões jurídicos e, tão majestosa foi, que ficou a assistência (apenas jornalistas) a saber que há uma nova palavra no léxico nacional: definitividade. O que é? Qualquer coisa que significa definitivamente, ou lá perto» («O deputado, os gravadores, a assistente e a “definitividade”», José Bento Amaro, Público, 16.05.2012, p. 10).

      Faltou lá alguém — alguém que não fosse jornalista — para esclarecer que não é assim, que a palavra «definitividade» existe, está dicionarizada e é muito usada em Direito. O jornalista zurze ainda os advogados e a procuradora pelo mau português. A procuradora estava «claramente desinspirada para alinhavar frases perceptíveis» e «enrolou o português de tal modo que, a determinado ponto, só se percebeu que estava a repreender o escrivão devido à forma como este escrevera a palavra “cercear”». Dia 18 volta toda a gente a tribunal «para então se começarem a tentar perceber os motivos do deputado Ricardo Rodrigues».

 

[Texto 1533]

Helder Guégués às 15:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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A sigla SMS

Ora esta

 

 

      «Relvas recebeu sms e emails de Silva Carvalho com propostas para secretas» (Maria José Oliveira, Público, 16.05.2012, p. 8). Pois é, no Público grafam assim uma sigla de três letras. Isso é muito estranho.

 

[Texto 1532]

Helder Guégués às 15:11 | comentar | favorito
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Onde pára «pardelhas»?

Se se copiam

 

 

      «Soma: vós casais comigo e eu convosco, pardelhas!», exclama Pero Marques na Farsa de Inês Pereira. Ora, os dicionários modernos, porque se copiam uns aos outros, registam apenas pardês e pardeus, mas não pardelhas — em boa verdade!, por Deus!, realmente. Está mal. Em castelhano, usava-se — sempre com o mesmo objectivo: evitar a profanação do nome de Deus, tanto mais que a jura era frequentemente falsa — pardiez e pardiobre, mas estão dicionarizados. O mesmo se passa com bofé, registada por todos os dicionários, que não acolhem a variante bofelhas. Vou-me. Ficai-vos embora!

 

[Texto 1531]

Helder Guégués às 09:44 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Sobre «versátil»

Ora deixe-me ver

 

 

      É bom ser versátil? Depende da acepção em que se usa a palavra. Ora vejam: «Era Claudius dotado de viva inteligência, mas além de pusilânime pecava por versátil. Tanto tecia, como destecia» (Portugueses das Sete Partidas, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, [1951], 3.ª ed., p. 159). Ou seja, neste caso, não se está a afirmar que Claudius se adapta facilmente a situações novas, antes que é propenso à mudança, que é volúvel, inconstante.

 

[Texto 1530]

Helder Guégués às 09:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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16
Mai 12

As malditas aspas

Abuso

 

 

      «O ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares confirmou ontem que recebeu, ainda como dirigente do PSD, “dois sms” do ex-diretor do SIED Jorge Silva Carvalho “com sugestões de nomes” para cargos de chefia dos serviços de informação, mas a que não respondeu» («“Comprometedor era responder aos sms” do ex-espião», Manuel Carlos Freire, Diário de Notícias, 16.05.2012, p. 10).

      Não tenho repetidamente chamado a atenção para o uso excessivo e inadequado das aspas? Ora cá está um exemplo: como sabe quem ouviu, o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares nem sequer disse como o jornalista pretende fazer crer. Miguel Relvas disse «duas SMS». Usar as aspas nestes casos é duplamente abusivo. Que alguém diga a Manuel Carlos Freire.

 

[Texto 1529]

Helder Guégués às 08:43 | comentar | favorito
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