17
Mai 12

«Apelar para»

Aqui não errou

 

 

      Em Aquilino Ribeiro* vê-se de tudo: o que se deve e o que se não deve imitar. Eis dois exemplos da primeira espécie: «Tanto assim que apelaram para o Parlamento de Paris, que lhes deu razão, desse jeito colocando-se sob a égide de França» (Portugueses das Sete Partidas, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, [1951], 3.ª ed., p. 215). «Do Louvre o infante endereçava-lhe reiteradas instâncias e alvitres: vendesse isto, hipotecasse aquilo, tais alfândegas à Hansa, apelasse para o comércio... para a indústria... para a judiaria...» (idem, ibidem, p. 216).

 

[Texto 1540]

 

 

 

* Ia escrever «Na obra, etc.», mas: «obra, literária e artìsticamente falando, tem significação singular, e não colectiva» — Leite de Vasconcelos.

Helder Guégués às 21:18 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Incoerências ortográficas

Pouco mudou

 

 

      «Hífen a mais. G. Viana, a Academia de Lisboa e agora o Resumido puseram o hífen a alta-roda. Compare-se, porém, com alta sociedade, alta escola, alta cultura, alta estirpe e até alta costura, e ver-se-á a incongruência» (Estudos Críticos de Língua Portuguesa: contra os Gramáticos, Vasco Botelho de Amaral. Porto: edição do autor, 1948, p. 21).

      Se se tivesse aceitado metade das alterações propostas, a seu tempo, por Vasco Botelho de Amaral, estaríamos hoje a escrever de forma sensivelmente diferente. Continua tudo mais ou menos na mesma — mesmo depois do Acordo Ortográfico de 1990. Só «alta-costura» passou, há não muitos anos, a ser grafado com hífen, assim como também passou a escrever-se «alta-fidelidade». Mas já vi «alta-luz», «alta-resolução» e «alta-tensão». E com «alto»? «Alto-comando», «alto-comissário», «alto-contraste», «alto-explosivo», «alto-falante», «alto-forno», «alto-mar», «alto-relevo», e os Brasileiros, não é assim, Paulo Araujo?, têm «alto-astral».

 

[Texto 1539]

Helder Guégués às 20:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «prestação»

Arreda!

 

 

      Sim, a língua evolui, etc., e tal, mas a verdade é que detesto, com todas as veras, a palavra «prestação» na acepção de actuação. Se for na oralidade e a sílaba -ta- for aberta, só me apetece mesmo esbofetear o artista. E muito me agrada ver que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não a acolhe.

 

[Texto 1538]

Helder Guégués às 18:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Há uns meses que...»

Corta!

 

 

      «Volto ao teatro. Há uns meses que faço a pergunta, sem lhe achar a resposta: — “O que mudou essencialmente nas atrizes, nos atores, nos diretores?” Outra pergunta: — “E por que não há mais Duse, nem há mais D’Annunzio?” Imaginem vocês que, de repente, descobri toda a verdade» (A Cabra Vadia: Novas Confissões, Nelson Rodrigues. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 403).

      A Montexto devemos, estarão recordados disso, este ensinamento: não é necessário, nesta construção, a preposição.

 

[Texto 1537]

Helder Guégués às 18:12 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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«Tratar-se de»

Se a conhecem, digam-lhe

 

 

      A propósito dos perigos dos produtos para emagrecer, Sofia Mendonça, técnica alimentar da DECO, declarou ontem ao Bom Dia Portugal: «Tratam-se de produtos que na sua base, na sua composição, vão conter substâncias ou com efeito laxante ou com efeito diurético, e portanto o que acontece é: há uma perda de peso mas com base na perda de água.»

 

[Texto 1536]

Helder Guégués às 08:52 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«Espólio/acervo»

Não é o mesmo

 

 

      «A professora universitária francesa Christiane Ruget-Perrot, pioneira nos estudos geológicos do Jurássico em Portugal, decidiu doar o seu espólio de “vários milhares de exemplares” à Universidade de Coimbra (UC)» («Pioneira do jurássico [sic] doa espólio», Diário de Notícias, 17.05.2012, p. 41).

      Se doou, não é espólio, mas acervo. O conjunto patrimonial não foi transmitido causa mortis, pois «“Madame Ruget”, agora jubilada»...

 

[Texto 1535]

Helder Guégués às 08:50 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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17
Mai 12

Léxico: «florentino»

É o mesmo

 

 

      «Segundo empresários florentinos, os supermercados da ilha já não têm nas suas prateleiras fruta, batata, iogurtes e começa a faltar também o gás butano» («Mau tempo provoca falta de bens essenciais nas Flores», Paulo Faustino, Diário de Notícias, 17.05.2012, p. 15).

      De Florença ou da ilha das Flores, nos Açores — é florentino. O mais habitual é usar-se o adjectivo florense para designar o relativo ou pertencente à ilha das Flores, ou o que é seu natural ou habitante.

 

[Texto 1534]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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