26
Mai 12

Tradução: «greguería»

São Paulo, Novembro de 2005

 

 

      E já que falamos de tradução, eis um caso curioso. No último parágrafo do prefácio da tradução de Greguerías, de Ramón Gómez de la Serna, para português, feita no Brasil por Sérgio Alcides, lê-se: «Na tradução para o português, as greguerias perdem o acento. Em compensação, ganham um pingo.» O dicionário da Academia Espanhola regista: «1. Vocerío o gritería confusa de la gente. 2. Agudeza, imagen en prosa que presenta una visión personal, sorprendente y a veces humorística, de algún aspecto de la realidad, y que fue lanzada y así denominada hacia 1912 por el escritor Ramón Gómez de la Serna.»

 

[Texto 1595]

Helder Guégués às 19:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «mazagrã»

Redundante

 

 

      «Para saborear com doce nostalgia, com um mazagrãn numa mão e uma queijada de Sintra na outra» («Sandes/Fatias de um itinerário com recheio», Maria Espírito Santo, «LIV»/i, 26.05.2012, p. 7).

      Está, como hei-de dizer?, demasiado nasalado... Pode ser lapso, mas, para o caso de não ser, é erro.

 

[Texto 1594]

Helder Guégués às 14:50 | comentar | ver comentários (51) | favorito
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Ortografia: «Punjabe»

Eu também escrevo assim

 

 

      «Harveen [Kaur Sidhu] não está sozinha nesta profilaxia de carácter duvidoso em pleno estado do Punjabe, onde ainda se escutam os ecos das leis marciais e das insurreições de há 20 anos» («Um tiro no escuro indiano», Maria Ramos Silva, «LIV»/i, 26.05.2012, p. 3).

 

[Texto 1593]

Helder Guégués às 14:48 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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«Tecto/telhado»

Chegou aos jornais

 

 

      Nas traduções do inglês, é habitual a confusão entre «tecto» e «telhado». Na imprensa, nem por isso. «A Pensão Noite Cristalina ficou sem teto e duas pessoas sofreram ferimentos de pouca gravidade na sequência de um incêndio que deflagrou pelas dez da manhã de ontem neste edifício da rua da Palma, em Lisboa» («Incêndio destrói teto da pensão Noite Cristalina», Diário de Notícias, 26.05.2012, p. 14). O que a fotografia mostra é que o edifício ficou sem telhado. Não só sem tecto, mas também sem telhado. E bem podia ter ficado sem telhado, mas com tecto, ou vice-versa. «O antigo Teatro Laura Alves, na Rua da Palma, entretanto convertido em pensão, ardeu ontem, tendo o fogo sido extinto às 12h10. As chamas começaram num dos quartos e danificaram o telhado» («Incêndio na Baixa», António Pedro Santos, i, 26.05.2012, p. 7).

 

[Texto 1592]

 

Helder Guégués às 14:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Feiticismo»

Não se envergonha

 

      Diana Garrido, na edição de hoje do i, perguntou ao escritor Paulo Bandeira Faria se a primeira frase se mantinha ou se mudava. «Num poema concedo que o primeiro verso me pareça sempre o mais inspirado. Num romance já não sou dado a tais feiticismos.» Ora aí está: vejam se o autor se presta ao servilismo de usar um galicismo que, curiosamente, teve origem num termo português. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora no verbete «feiticismo» remete para «fetichismo», mas não faz o contrário, o que tem as consequências óbvias.

 

[Texto 1591]

Helder Guégués às 13:56 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Logo é historiadora

Não é bem assim

 

 

      «Adelino Filipe Saraiva da Cunha nasceu em Lisboa em 11 de maio de 1971. É casado e tem uma filha. Jornalista de profissão e historiador de formação, licenciou-se na Universidade Lusíada» («Quem é o adjunto de Relvas que se demitiu», Diário de Notícias, 26.05.2012, p. 3).

      Quando há dois anos uma jornalista da rádio entrevistou uma amiga minha, professora de História no ensino secundário, insistiu em tratá-la por historiadora. Que não, recusou a minha amiga, que era licenciada em História. «E não é o mesmo?»

 

[Texto 1590]

Helder Guégués às 13:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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AOLP90 contado às criancinhas

Bom e fácil, mas não o aplicam

 

 

     A propósito da alteração da medida de coacção a Duarte Lima, pudemos ver ontem nas televisões um comunicado do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). «Não existe assim, [sic] qualquer fundamento nas notícias de uma negociação com o arguido Duarte Lima ou com os seus advogados, tendo em vista a alteração da medida de coacção. [...] o arguido Duarte Lima propõe-se vender activos detidos em Portugal [...]. O objectivo era evitar o manifesto de receitas em Portugal [...].»

     Ou seja: a aplicação das regras do Acordo Ortográfico de 1990 é para o povinho crédulo e ignorante. Este é que vê nas legendas, genuflexo no ínfimo degrau, as coações, os ativos e os objetivos e os passa, reverente e de cerviz sempre dobrada, para o papel.

 

[Texto 1589]

Helder Guégués às 08:37 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Mai 12

Um verbo defeituoso

Uma pessoa até se atrapalha

 

 

      Os jornalistas, toda a gente sabe, são uns grandes melgas, e as pessoas até se atrapalham a falar, como aconteceu ontem com o procurador-geral da República: «Já disse aquilo que tinha a dizer. Vamos aguardar o que é que vai acontecer. Sempre que houver... É preciso esclarecer uma coisa: o Ministério Público, o procurador-geral não faz censuras políticas nem patrociona julgamentos políticos. Os julgamentos políticos acabaram com o 25 de Abril. Agora, se se apurar ilícito criminal, não vale a pena estar com muita pressa, se se apurar ilícito criminal, o Ministério Público actuará; se não se apurar, não actua. É tão fácil.»

 

[Texto 1588]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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