27
Mai 12

Ortografia: «islamita»

Eu também escrevo assim

 

 

   «Enquanto o candidato islamita personifica a ruptura com o antigo regime, o antigo general da Força Aérea pressupõe um regresso ao passado, numa autocracia ao estilo Mubarak» («Egipto. Primeira volta põe islamismo frente a frente com antigo regime», Cheila Tavares, i, 26.05.2012, p. 32).

   E a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira não escreve de outra forma. E, é claro, Rebelo Gonçalves, na primeira coluna da página 575 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa. Assim, qual é a dúvida?

 

[Texto 1601]

Helder Guégués às 18:55 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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A mesma — mas diferente

Em que se fala de línguas e orelhas

 

 

      «Há sempre uma espécie de distracção de fundo minha. Tenho pouco sentido do real. Curiosamente só percebi o que seria para mim terrífico quando me encontrei no Brasil. Ia com a ideia de fazer lá vida e depois percebi que sou tão europeu que não podia lá ficar. Por ilusão minha, porque quando fui para o Brasil pensava que ia para um país irmão, como se diz, sobretudo pela língua. Mas a língua, sendo a mesma coisa, é-o de maneira diferente» (Eduardo Lourenço entrevistado para o i por Maria Ramos Silva, ontem, p. 39).

      A minha filha, que tem 5 anos, também diz que é uma língua parecida com o português. Na sexta-feira, porém, já vinha do coro a cantar, com mil requebros na voz, parte de Saudades da Bahia. Acho que é melhor levá-la para o Coro de Santo Amaro de Oeiras. («De Orelhas», digo-lhe eu a brincar, mas o tal tradutor falou, a sério, dos «bonés de orelheiras».)

 

[Texto 1600]

Helder Guégués às 18:35 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Para maior confusão

Nem todos os santinhos

 

 

      E por Vaticano, lembrei-me do programa Quinta Essência, de João Almeida, que ontem de manhã ouvi durante escassos minutos. O entrevistado era Alberto Júlio Silva, autor de Os Nossos Santos e Beatos e Outros Que Portugal Adotou. «Se calhar», disse João Almeida, «[o povo] é humilde e sabe que não tem via directa para Deus, então pede a intercepção, pede um intermediário [...].» Agora, sim, agora é que são elas: interceção, intercepção, intercessão, intersecção, interseção... No caso vertente, impropriamente se diria que é conhecimento de outiva, porquanto o que mais falta é ouvido.

 

[Texto 1599]

Helder Guégués às 17:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Colocar na linha»!

Não é abençoado

 

 

      «A sua nomeação tinha também como objectivo colocar o IOR na linha, depois das polémicas das últimas décadas e de modo a que o próprio Vaticano colaborasse com as autoridades financeiras internacionas na luta contra a lavagem de dinheiro» («Ettore Gotti Tedeschi», António Marujo, Público, 27.05.2012, p. 27).

      Não se dirá de outra forma no futuro: «colocar na linha». Em «de modo a que» é que faz falta uma tesourada. De modo que, de maneira que, de sorte que, de feição que fique uma obra mais ou menos asseada.

 

[Texto 1598]

Helder Guégués às 16:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre: «jaleca»

Mas não são aventais

 

 

      «“Aqui sei que o que sirvo aos clientes, é natural, pois tudo é produzido na horta sem o recurso a pesticidas”, diz José Pinto ao DN, nesta horta com vista para Douro Vinhateiro, com a sua impecável jaleca branca» («O restaurante onde o cliente vai à horta escolher o prato», José António Cardoso, Diário de Notícias, 27.05.2012, p. 20).

      Jaleca, jaleco — já aqui vimos esta questão. Desde que os jornalistas não afirmem que são aventais (com o ámen de alguns leitores), está tudo bem.

 

[Texto 1597]

Helder Guégués às 09:52 | comentar | favorito
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27
Mai 12

Ortografia: «entorse»

Com o inglês, temos de amochar

 

 

      «O primeiro dia foi “espantosamente calmo”. A ambulância não saiu do sítio e não houve situações graves. Normalmente, ali recebem jovens que ingeriram álcool em demasia ou que se magoaram nos moshes, mas, para já, só houve dores de cabeça, alergias ao pólen, uns “entorcezitos”» («Médicos tratam dores de cabeça e entorces», Diário de Notícias, 27.05.2012, p. 48).

      Além de errar a grafia da palavra «entorse», que é com s e não com c, o jornalista resolveu considerá-la do género masculino. Quanto aos moshes, temos de consultar um dicionário de língua inglesa, é claro. No Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, encontro na entrada mosh: «coloquial moshar, dançar freneticamente». Moshar... Felizmente, esqueceram-se de entesourar o verbo no Dicionário da Língua Portuguesa.

 

[Texto 1596]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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