29
Mai 12

E o «a» de Aduaneira?

Eu sei lá

 

 

      «A Autoridade Tributária e Aduaneira, abreviadamente designada por AT, é um serviço da administração, etc.», lê-se no decreto-lei que aprova a orgânica da Autoridade Tributária e Aduaneira. Não é demasiado abreviado? Então o organismo chama-se Autoridade Tributária e Aduaneira e a sigla é AT? Nuns casos, como o do Banco de Portugal, letras a mais: BdP! Noutros, a menos. No Diário de Notícias, pensam o mesmo: «Quanto à fiscalização da Autoridade Tributária (ATA) da Direção de Finanças de Lisboa, Ricardo Ato confirma a presença da entidade, reforçando que as operações também já haviam acontecido nas edições anteriores» («Duas suspensões por falta de higiene», Lina Santos e Elisabete Silva, Diário de Notícias, 29.05.2012, p. 47). Não estarão as jornalistas a brincar com o nome do director de produção do festival? A ATA a fiscalizar o Ato.

 

[Texto 1612] 

Helder Guégués às 23:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Por dormir»?

Dormir por dormir

 

 

      «Quem o garante é Fank [sic] Bruni, um dos mais influentes jornalistas de viagens do jornal norte-americano New York Times, que assinou no último fim de semana uma peça em que conta como um jornalista exausto e por dormir se apaixonou por Lisboa, há dois anos, numa breve escala na viagem que o levava ao Porto e à região do Douro, e não conseguiu deixar de voltar» («‘NY Times’ apaixona-se por liberdade de Lisboa», G. P., Diário de Notícias, 29.05.2012, p. 19).

      Pode dizer-se assim, «por dormir», como quem diz «por barbear»? Pode ser apenas cansaço ou esquecimento, mas parece-me que nunca se me deparara antes.

 

[Texto 1611]

Helder Guégués às 22:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Produzida em massa»?

Agora é tudo em massa

 

 

      Ainda a Lusa, a pistola-metralhadora com nome que «parecia estúpido»: «Porém, nunca chegou sequer a ser produzida em massa, face aos custos previstos» («Metralhadora portuguesa fracassa nos EUA», Paulo Julião, Diário de Notícias, 29.05.2012, p. 17).

      «Produzida em massa»... Então agora já não se diz «produzida em série»? E «face aos» também é um primor.

 

[Texto 1610]

Helder Guégués às 22:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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A importância de se chamar Lusa

Olha quem fala

 

 

      «O nome Lusa [pistola-metralhadora] vai mudar e a arma ficará mais parecida com uma HK, começando a ser comercializada dentro de um mês no mercado norte-americano. “O nome não pegou. Vai passar a chamar-se Night Scout, porque o nome que tinha parecia estúpido, segundo diz quem a comprava”, confessou ao DN fonte do grupo Lusa USA, detentora do modelo, de origem portuguesa» («Metralhadora portuguesa fracassa nos EUA», Paulo Julião, Diário de Notícias, 29.05.2012, p. 17).

 

[Texto 1609]

Helder Guégués às 18:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Podemos dizer «capitã»?

Levar a cabo

 

 

      No início do ano passado, a imprensa noticiou, deliciada, o primeiro casamento homossexual na GNR, entre uma capitã e uma cabo. Assim mesmo: uma capitã e uma cabo. Apesar de tudo, os jornalistas bem sabem que não podiam escrever «uma capitã e uma caba». Hum... e mesmo «capitã», será que é vocábulo usado entre os militares? No sítio do Instituto Superior de Estudos Militares (antigo Instituto de Altos Estudos Militares), vejo que «a Capitão Susana Marques» faz parte do Gabinete do director.

      (Pensando bem ou de novo, aqueles Altos Estudos não teriam sido vertidos directamente do francês hautes études? Como haute culture. Bem me parecia. Tudo muito conspícuo — e francês.)

 

[Texto 1608]

Helder Guégués às 16:14 | comentar | ver comentários (14) | favorito
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«Transhumanismo»!

É o fim do mundo

 

 

      Ai, que susto! «Uma terceira via que pode contribuir tanto para medidas compatíveis como incompatíveis é o transhumanismo.» Então agora é assim, com o agá ali no meio? Vejo que já chegou ao Ciberdúvidas: «O Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora, regista o adjectivo transumano (“além do que é humano”). Assim, apesar de os dicionários consultados não o acolherem, parece-me bem formado o vocábulo transumanismo, dado que não vi hífen, nas obras consultadas, em palavras derivadas contendo o prefixo trans-», respondeu Carlos Marinheiro. Parece-me que os seguidores não querem perder o h. Por mim, pespego-lhe com um hífen. Que dizeis vós?

 

[Texto 1607]

Helder Guégués às 08:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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29
Mai 12

Tradução: «yeah»

Do partido anticiência

 

 

      Mitt Romney, em Agosto de 2011, renegou afirmações anteriores em que reconhecera a existência de alterações climáticas antropogénicas. «Do I think the world is getting hotter? Yeah. I don’t know that, but I think it is. I am not a scientist. Do I think we contribute to it? I don’t know by how much.» Numa tradução libérrima, alguém agora quer que fique assim: «Yeah, não sei bem, mas penso que sim. Não sei se isso é em grande parte causado pelo Homem.» Ou seja, só porque é coloquial (é isso?) é intraduzível... E nem sei se se podem descortinar sempre no seu uso os matizes de sentido que os dicionários registam. Parece-me muitas vezes apenas desmazelo no discurso dos Americanos.

 

[Texto 1606]

Helder Guégués às 07:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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