08
Jun 12

Onde está o «fideputa»?

Faz falta

 

 

      «Câmara do Porto mandou retirar de todos os espaços municipais o último número do guia de restaurantes Porto Menu, em cuja capa figura uma imagem, ao que tudo indica alterada digitalmente, na qual aparece um dos torreões do Mercado do Bolhão com um suposto grafito, no qual se lê, em maiúsculas, a frase “Rio és um fdp”» («Câmara do Porto vai processar revista em cuja capa se vê um insulto a Rui Rio», Jorge Marmelo, Público, 8.06.2012, p. 36).

      «Grafito», muito bem. Ou «pichagem». Com a ameaça de processo, o director da publicação já veio defender-se: «Manuel Leitão nega ainda que a frase “Rio és um fdp” seja uma ofensa ao autarca. “Que eu saiba, ‘Rio’ é um substantivo próprio que significa um curso de água e o resto são três iniciais, um verbo e um artigo”, disse ao PÚBLICO.» A propósito, porque é que os dicionários não registam o gil-vicentino «fideputa»? Aliás, em Gil Vicente era fi’ de puta.

 

[Texto 1653]

Helder Guégués às 22:03 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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Quase esquecido

Apesar de tudo

 

 

      «O diagnóstico da existência, ou não, de uma má formação no feto pode passar a ser feito de forma não invasiva, segundo um estudo desenvolvido por especialistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos» («Análise de sangue pode substituir amniocentese», Filipa Ambrósio de Sousa, Diário de Notícias, 8.06.2012, p. 40).

      Lá vão esquecendo, insensivelmente, a «malformação». Apesar de ser galicismo, não ser de formação regular em português nem estar registado no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves, Rodrigo de Sá Nogueira foi, contudo, de parecer que não devíamos repudiar o termo «malformação».

 

[Texto 1652]

Helder Guégués às 18:30 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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08
Jun 12

«Duopólio Putin-Medvedev»?

Só sei que são dois

 

 

      «No Boris Godunov que preparou para Sampetersburgo (Gergiev escolheu a versão original, de 1869), são múltiplos os “sinais” que ligam a ópera à atualidade russa: manifestantes brandindo palavras de ordem, que são reprimidos violentamente por uma polícia especial antimotim, de uniformes decalcados dos envergados por aqueles que hoje carregam sobre os manifestantes em Moscovo; a cena final replica a sala da Duma e, nas costas da tribuna, um graffiti diz “o povo quer mudanças!”, um dos slogans mais ouvidos nas manifestações dos últimos meses – incluindo, como elementos do cenário, câmaras do Canal1 de televisão estatal; e a cena da coroação de Boris como czar é transformada numa autocoroação, aludindo ao duopólio Putin-Medvedev» («Contestação a Putin chega aos palcos da ópera», Bernardo Mariano, Diário de Notícias, 8.06.2012, p. 20).

      Duopólio é a situação de mercado em que existem somente duas empresas vendedoras e um grande número de compradores. Era isto que o crítico musical do Diário de Notícias pretendia dizer? É óbvio que não. Queria dizer, isso sim, «duunvirato» — funções supremas exercidas por dois magistrados, aqui por extensão de sentido, exercício do poder por duas pessoas em conjunto. Extensão de sentido que, a propósito, está ausente, e não devia estar, dos dicionários.

 

[Texto 1651]

Helder Guégués às 09:44 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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