09
Jun 12

«Bloque»?

Não sabemos

 

 

      Já conhecemos as louváveis — e hoje mais uma vez comprovadas — preocupações de Oscar Mascarenhas, provedor do leitor do Diário de Notícias, com a língua. Hoje, porém, tive, mesmo sem ver mal, de usar uma lupa para confirmar: sim, é «bloque». Gralha ou forma intencional, e muito própria, de aportuguesar «blog»? O autor nos dirá, se já não estiver zangado connosco. Certo é que há quem use o vocábulo «blogo» (o que me causa alguns engulhos) ou mesmo «bloco». «Fui alertado por um leitor para um texto publicado num bloque pelo embaixador Francisco Seixas da Costa» («O papel dos jornalistas é “traduzir” para o público o que é complexo em simples», Oscar Mascarenhas, Diário de Notícias, 9.06.2012, p. 47).

 

[Texto 1658] 

Helder Guégués às 12:33 | comentar | ver comentários (11) | favorito
Etiquetas:

«Montreal/Montréal»

Sem acento

 

 

      E a propósito de Montréal. No Diário de Notícias, é sempre Montreal que usam: «Um responsável da polícia de Montreal anunciou ontem a reabertura da investigação numa série de crimes não resolvidos que, pelos seus contornos violentos e de sadismo, poderão estar relacionados com Luka Magnotta, o autor do macabro homicídio de um cidadão chinês, no final de maio em Montreal, a aguardar extradição em Berlim» («Assassino de Montreal é suspeito de mais crimes», Abel Coelho de Morais, Diário de Notícias, 7.06.2012, p. 18). Monte Real ou Monreal é que ninguém, acho eu, hoje em dia usa.

 

[Texto 1657]

Helder Guégués às 12:14 | comentar | favorito
Etiquetas:

Léxico: «snuff film»

Era justo

 

 

      «Em Maio, Magnotta, de 29 anos, divulgou online um vídeo onde era possível seguir todo o crime: Lin Jun, um estudante chinês com quem o canadiano alegadamente manteria um relacionamento amoroso, nu e amarrado, sucessivamente golpeado no peito com um picador de gelo. A este tipo de vídeos em que se assiste à morte de uma pessoa dá-se o nome de snuff film» («“Desmembrador de Montréal” não vai contestar extradição», Rita Siza e Susana Almeida Ribeiro, Público, 6.06.2012, p. 25).

      Os jornalistas portugueses estão sempre a querer ensinar-nos inglês. Se ao menos aceitassem uma troca. Aquele «manteria», por exemplo...

 

[Texto 1656]

Helder Guégués às 11:55 | comentar | favorito
Etiquetas:

Tradução: «publisher»

Não gostamos

 

 

      «[Ghassan Tuéni] Estudou na Universidade Americana de Beirute (Filosofia) e em Harvard (Ciências Políticas), e, aos 22 anos, passou a liderar o jornal libanês An-Nahar, depois de o seu pai, o fundador, morrer em 1948. Foi editor e publisher de 1948 a 1999, e novamente entre 2005 e 2010, tornando o An-Nahar a publicação mais influente e lida do país» («O diplomata que superou uma vida marcada pela tragédia», Diário de Notícias, 9.06.2012, p. 39).

      Quem redigiu a notícia precisava de ter ali perto o provedor do jornal, Oscar Mascarenhas. «Publisher»? Não há nenhuma palavra portuguesa para dizer o mesmo, querem ver? Está mal. E já cá faltava o «liderar». Nós, leitores do Diário de Notícias, não gostamos.

 

[Texto 1655]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (5) | favorito
Etiquetas:
09
Jun 12

Abaixo o «massacre»

Há sempre quem

 

 

      Há sempre quem, como nós, não goste — sobretudo num jornal — de ver um estrangeirismo quando há um ou vários termos portugueses para dizer o mesmo. «Vou instintivamente pelo argumento de autoridade (reconhecida) e, se Seixas da Costa zurze na notícia, alguma coisa deve estar errado nela. Por mim, só me provocou uma guinada nos meus tímpanos com a parla francófona do “massacre”, quando é muito mais português dizer “chacina” ou “carnificina”. [...] De uma maneira simples, talvez demasiado sintética, a notícia disse o essencial. Tirando o... “coiso”... o “massacre”, não consigo ver nela um “amontoado de disparates”. E o leitor?» («O papel dos jornalistas é “traduzir” para o público o que é complexo em simples», Oscar Mascarenhas, Diário de Notícias, 9.06.2012, p. 47).

      (Só um reparo, caro Oscar Mascarenhas: no título, as aspas no vocábulo «traduzir» não são necessárias. Mal estaríamos se todos os sentidos figurados e extensões de sentido precisassem do amparo das aspas.)

 

[Texto 1654]

Helder Guégués às 08:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: