10
Jun 12

De novo as escusadas aspas

Aspem-nas

 

 

      «Contrariando a fuga de “cérebros” para o estrangeiro, Miguel Seabra, presidente da FCT, diz ter uma mensagem “positiva”, pois defende que o País está “a criar instrumentos para trazer gente que quer vir para Portugal, mas que não tinha [maneira] porque a burocracia dentro das universidades é complicada”. A meta é ter cerca de mil investigadores, com um objetivo específico para 2012 de 80 investigadores, que se traduz em 3,5 milhões de euros» («FCT vai dar incentivos à investigação», Diário de Notícias, 10.06.2012, p. 16).

      Nem a dicionarização de vários sentidos figurados os aquieta. Nada: temem que os ignorantes dos leitores entendam literalmente que os cérebros, munidos de perninhas, se puseram ao fresco (vai um idiotismo).

 

[Texto 1664]

Helder Guégués às 19:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Assistente de recinto/“steward”»

Em português ou em inglês?

 

 

      «Entretanto, quatro assistentes de recinto foram hospitalizados na sexta-feira depois de terem sido alvo de agressões por parte de adeptos russos no estádio de Wroclaw, após o jogo do Euro 2012 entre a Rússia e a República Checa (4-1), anunciou a polícia polaca» («Adepto espanhol morto numa aldeia da Ucrânia», Madalena Esteves, Diário de Notícias, 10.06.2012, p. 48).

      Digam lá o que disserem, a jornalista Madalena Esteves merece, nos tempos que correm, uma medalha: não usou a palavra inglesa «stewards». Não, escreveu em português — «assistentes de recinto». Agora só espero que não seja despedida por justa causa. Mas... esperem lá: Madalena Esteves, solte a medalha. Então não é que usou a nefanda palavra logo a seguir?! «Num vídeo amador difundido pela televisão polaca TVN24, vê-se um grupo de adeptos a agredirem os stewards a murro e pontapé, mas segundo a polícia não houve ferimentos graves resultantes dos incidentes.»

 

[Texto 1663]

Helder Guégués às 18:49 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Projecto jornalístico

Maus hábitos, isso mesmo

 

 

      Prossegue a bom ritmo o projecto de ensino do inglês da imprensa portuguesa: «O fenómeno popularizou-se nos últimos anos. Os flea markets são espaços privilegiados para quem procura artigos de épocas passadas. Em Portugal, o primeiro flea realizou-se em maio de 2009, no Maus Hábitos, no Porto. A adesão tem sido cada vez maior e o conceito estendeu-se a outras cidades do País. Em Lisboa, a loja A Outra Face da Lua abriu há seis anos. “A tendência chegou finalmente a Portugal e está em crescimento”, diz Nuno Lopes, um dos proprietários» («Negócio está em expansão no País», Diário de Notícias, 10.06.2012, p. 27).

 

[Texto 1662]

Helder Guégués às 07:49 | comentar | ver comentários (24) | favorito
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Produção científica em inglês

Isto interessa-me

 

 

      Na edição de hoje do programa Páginas de Português (Antena 2, 17h00), uma conversa com o professor universitário José Luís Pais-Ribeiro, «co-autor de um manifesto contra a “ditadura” da produção científica em inglês», lê-se no Público. Vem a calhar, porque ainda esta semana me asseguraram que não se podia traduzir o termo inglês toolkit. «É um termo técnico utilizado em Portugal.»

 

[Texto 1661]

Helder Guégués às 07:45 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Ortografia: «céu-da-boca»

Desde 1945

 

 

      «Ainda bem que os jogadores portugueses não ouviam este exercício gigantesco de self-defeating. Enquanto os nomes dos jogadores portugueses eram mencionados como quem não quer falar do primo que está preso na Venezuela, os nomes dos alemães eram pronunciados como quem está no deserto a recordar as mais deliciosas marcas de cerveja alemãs, lambendo o céu da boca quando havia tremas: “Thomas Müller, Philipp Lahm, Schweinsteiger...”» («A derrota desejada», Miguel Esteves Cardoso, Público, 10.06.2012, p. 9).

      Para quem é contra o Acordo Ortográfico, descuida-se um pouco na ajuda aos acorditas. Página 241 do Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves: «céu-da-boca».

 

[Texto 1660]

Helder Guégués às 07:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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10
Jun 12

Ortografia: «caldo-verde»

Não é coisa nova

 

 

      «Camões, o único restaurante português de Pequim, vai servir, domingo, um menu especial em que pontificam as sardinhas e o bacalhau, celebrando à sua maneira o Dia de Portugal. O chef residente, Paulo Quaresma, preparou quatro pratos: bacalhau à lagareiro, sardinhas assadas, caldo-verde e pastéis de nata» («Restaurante leva sardinha a Pequim», Diário de Notícias, 8.06.2012, p. 16).

      Há não muito tempo ouvi alguém dizer que, com o Acordo Ortográfico de 1990, agora até o nome desta sopa tem hífen. Ignorância. Como é que se pode passar uma vida inteira e não ver que uma palavra se escreve desta ou daquela maneira? Na página 199 do Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves, lá está: caldo-verde. Afinal, trata-se ou não de uma unidade sémica?

 

[Texto 1659]

Helder Guégués às 07:39 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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