15
Jun 12

«Jórgia/Geórgia»

Nunca estive em Câncio

 

 

      Tenho uma bola de chumbo presa na minha garganta... canta Sofia Ribeiro. Acabei de comprar no iTunes. Mas vou falar de outra cantora: Katie Melua, nascida na Geórgia em 1984. Mas que Geórgia? Actualmente, mas só o percebi quando um jornalista me explicou, é com acento, como eu escrevi, se se refere à república do Cáucaso, e sem acento se se refere ao Estado norte-americano. Ah... Sim, já falámos disto uma vez, mas como hoje me chegou pelo correio o I volume de Topónimos e Gentílicos de Xavier Furtado (Porto: Editora Educação Nacional, 1941), lá procurei e, na página 63, encontrei: «Não confundir Jórgia, estado norte-americano, com Geórgia, região da Transcaucásia.» Mas lá estão Arcansas, Barém, Câncio... Não, não é a Fernanda, é — espantem-se — a forma portuguesa correspondente a Kent.

 

[Texto 1685] 

Helder Guégués às 23:55 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Posto da GNR»

A minha homenagem

 

 

      «Uma mulher, com cerca de 45 anos, foi ontem assassinada a tiro na via pública, por um homem, que veio depois a identificar-se como marido desta. O homicídio aconteceu perto das 20.00, em Alhos Vedros, concelho da Moita, e o autor pôs-se em fuga, segundo algumas testemunhas. No entanto, acabou por se entregar ao final da noite no Posto Territorial de Alcochete da GNR» («Mulher assassinada em Alhos Vedros», Diário de Notícias, 14.06.2012, p. 56).

      Bons tempos em que se dizia apenas «posto da GNR». Tempos em que só os soldados com poucos anos de serviço e os tísicos ainda conseguiam vislumbrar o baixo-ventre. Mas todos, como escreveu Cardoso Pires, mastins dos campos. E terror das vilas, acrescento eu.

      E agora José: «Precauções elementares, seja dito, que Elias não tarda a ver confirmadas no posto da GNR de Vendas Novas, onde no registo de ocorrências se faz menção dum furto de duas bicicletas na tal manhã do salve-se quem puder» (Balada da Praia dos Cães, José Cardoso Pires. Lisboa: Bis/Leya, 2010, p. 41).

 

[Texto 1684]

Helder Guégués às 18:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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A «presidenta», de novo

O espectro obediente

 

 

      «A inauguração da Fundação José Saramago na Casa dos Bicos mostrou ontem que os representantes políticos da direita ainda não abençoam o único Nobel da Literatura de língua portuguesa com a sua presença em eventos capitaneados pela sua presidenta. Mesmo que Pilar del Río tenha enumerado uma longuíssima lista de agradecimentos, se não fosse o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, lá ter estado no dia de Santo António – e do nascimento de Fernando Pessoa em 1888 –, nome algum desse espectro político seria pronunciado» («Casa dos Bicos já abriu portas à obra de Saramago», João Céu e Silva, Diário de Notícias, 14.06.2012, p. 50).

 

[Texto 1683]

Helder Guégués às 17:05 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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15
Jun 12

«Afro-americanos»

Um tabu alheio

 

 

      «Filha de um senegalês e de uma afro-americana, etc.», li num texto. Alterei, sem estorvos nem queixas. Quis fazer o mesmo na semana passada, noutro texto, mas o autor mandou o recado: «Não aceito. É assunto tabu.» Pois é, mas na Terra dos Hambúrgueres, não aqui. Tristes tempos.

 

[Texto 1682]

Helder Guégués às 15:15 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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