17
Jun 12

Tradução: «IV drip»

Chamem um médico

 

 

      E apareceu, fantasmagórica, uma criatura «wheeling his own IV drip». «Dispensador de soro», pode traduzir-se desta maneira? Ou «fornecedor de soro»? Que algum médico ou enfermeiro nos ajude.

      Mas já vi numa obra: «Um dos paramédicos aplica-lhe uma máscara, enquanto outro o liga a um dispensador de soro» (A Cidade do Medo, Pedro Garcia Rosado. Alfragide: Edições ASA II, 2010, p. 87).

 

[Texto 1697]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | ver comentários (15) | favorito
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Tradução: «rack»

Outras querem a Lua

 

 

      No comboio. Sim, no tal, no commuter train. «We lift our backpacks onto an overhead rack…» «Grade»? Não será antes «prateleira da bagagem por cima das suas cabeças»?

      «Outros acompanhavam a cantadeira ao ritmo de palmas, no intervalo das goladas que bebiam, sôfregos, de pinchos e barris; uma criança choramingava numa birra, querendo que a sentassem na prateleira das bagagens» (Os Homens e as Sombras, Alves Redol. Lisboa: Publicações Europa-América, 1981, p. 91).

 

[Texto 1696]

Helder Guégués às 22:01 | comentar | favorito
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Tradução: «gemologist»

Esqueceram também esta

 

 

      Ora esta, estão sempre a faltar palavras nos dicionários. Apareceu aqui «a Jewish gemologist» (mais um estereótipo étnico), e no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora — nicles. E a palavra correspondente no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora — népia. Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, também a omite. As omite, afinal: gemologista e gemólogo.

 

[Texto 1695]

Helder Guégués às 21:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «rat race»

Venha de lá o muricida

 

 

      Tinha sido professor, «but he quit the rat race» para se tornar... Bem, não interessa. «Competição de ratos», alguém traduziu. Bem, mas é tão literal, na verdade, que em português não tem, tanto quanto sei, um sentido figurado. «Competição insana», vi uma vez traduzido. Porque não «lufa-lufa do trabalho»?

 

[Texto 1694]

Helder Guégués às 16:31 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Barco de vapor»

Não custa nada

 

 

      Já todos leram ou ouviram, suponho, que «barco a vapor» é galicismo, pois em português de lei dir-se-á «barco de vapor». Os mais informados até saberão que Camilo usou uma vez a forma condenada na obra Bom Jesus do Monte. E Augusto Moreno (se leu bem, se leu bem...) afirma que Castilho também a usou. O que eu próprio não sabia, até começar a rever os meus apontamentos, é que a forma recomendada era tão usada.

 

[Texto 1693]

Helder Guégués às 12:53 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Iuri Gagarine

Até russo

 

 

      Ah, não sabia mesmo que o Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa de Magnus Bergström e Neves Reis era «recomendado por Professores e Gestores desde 1950». Merece. Só o consultei porque julgava ter lá lido o nome do primeiro homem a viajar pelo espaço. Sim: «O superlativo relativo pode ainda ser formado através da anteposição de um número ordinal ao adjetivo: Iuri Gagarine foi o primeiro astronauta» (50.ª ed., 2011, p. 59). E não Yuri Gagarin, como leio aqui.

 

[Texto 1692]

Helder Guégués às 12:43 | comentar | favorito
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Um romance inglês

Há alternativas

 

 

      «Há um certo romance inerente a dar a volta ao mundo.» Nesta acepção, «romance» não é anglicismo semântico? Já registado nos dicionários da língua portuguesa, sim (e falta lá algum?), mas anglicismo. Há-de ser a tradução literal disto: «There’s a certain romance inherent in circling the globe.»

 

[Texto 1691]

Helder Guégués às 12:20 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Zero graus»

Pensam demasiado

 

 

      «Zero grau ou zero graus?» A pergunta é boa, mas não é minha. É da minha mulher. E lembrou-se de outra, mera variante: «“A aluna teve zero valores” ou “A aluna teve zero valor”?» No Brasil, é comum usar-se o singular: «Zero é singular. Da mesma forma que dizemos “zero hora”, devemos falar “zero grau”. Vamos observar as comparações: “uma hora” = “um grau” = “um real”; “duas horas” = “dois graus” = “dois reais”. Se zero é singular, é bom tomar alguns cuidados. Um programa que vai das 22h às 24h (das vinte e duas horas às vinte e quatro horas) pode ir das 22h à 0h (das vinte e duas horas à zero hora)», defende Sérgio Nogueira, como o fazem também outros estudiosos e se lê em livros de estilo de vários jornais brasileiros. Posso estar enganado, mas creio que nunca vi no singular num texto escrito em Portugal. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, em mais de uma entrada, leio «zero graus». Não vejo outra razão que não seja a tradição de o fazer assim. Os Brasileiros pensam demasiado.

 

[Texto 1690]

Helder Guégués às 11:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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17
Jun 12

Ortografia: «alto-mar»

Pior que dantes

 

 

      «A Repsol juntou-se ao consórcio da EDP para o desenvolvimento da primeira torre eólica flutuante em alto mar, que já está instalada ao largo da Póvoa de Varzim. A empresa espanhola entra com 31%, a mesma posição da EDP, e assume-se como um dos principais investidores nesta obra de 23 milhões de euros, que foi ontem inaugurada» («EDP e Repsol apostam nas eólicas em alto mar», Ana Baptista, Diário de Notícias, 17.06.2012, p. 39).

      Com a adopção do Acordo Ortográfico de 1990, foi o descalabro. Alto-mar escrevia-se com hífen — e continua a escrever-se com hífen, cara Ana Baptista.

  

[Texto 1689]

Helder Guégués às 09:41 | comentar | favorito
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