19
Jun 12

Álbuns e canções

É pedir muito

 

 

      «Ontem [Bono Vox] conheceu mais uma das lutadoras por quem nutre tanta admiração: Aung San Suu Kyi, líder da oposição birmanesa e Nobel da Paz, a quem há mais de uma década dedicou a música Walk On (do álbum intitulado All That You Can’t Leave Behind)» («Bono fica “deslumbrado” com a birmanesa a quem dedicou ‘Walk On’», Patrícia Viegas, Diário de Notícias, 19.06.2012, p. 19).

      Se compararmos um álbum com um livro, uma canção será então um capítulo, pelo que, até para evitar confusões, devia ser grafada entre aspas: música «Walk On» do álbum All That You Can’t Leave Behind. Mas há tempo e flexibilidade para mudar alguma coisa nos jornais?

 

 [Texto 1707] 

Helder Guégués às 23:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Entre ‘x’ e ‘y’»

Demasiado frequente

 

 

      «Morsi convocou uma conferência de imprensa durante a madrugada de ontem para dizer que foi eleito com 52,5% dos votos, para logo depois ouvir um desmentido de Chafiq, que diz ter reunido entre 51 a 52% dos votos» («Irmão muçulmano reclama presidência egípcia», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 19.06.2012, p. 18).

      Ficamos entre as dez e as onze com estes erros. Parece que só não é simples para os jornalistas.

 

 [Texto 1706]

Helder Guégués às 23:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Longíssimo»

Populares, dizem eles

 

 

      Mais chefes: «O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou ainda que Joana Vasconcelos chegou “longíssimo pelo seu pé e ainda vai chegar mais longe porque é muito nova”» («Joana Vasconcelos é a rainha de Versalhes», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 19.06.2012, p. 48).

      Aqui já o «chefe» está bem, até para variar e evitar formas mais espúrias. E agora vejam o advérbio «longíssimo», que algumas gramáticas previnem que é, juntamente com «pertíssimo», popular. É vê-lo na literatura. «Os montes que longíssimo se alcançam», escreveu Feliciano de Castilho. Mais perto de nós, António Lobo Antunes usa-o muitas vezes.

 

 [Texto 1705]

Helder Guégués às 21:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Juiz-chefe»

Ó chefe!

 

 

      «O jovem português Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista social Carlos Castro em Nova Iorque, vai ficar pelo menos mais dois meses a aguardar julgamento. Em nova audiência no tribunal de Nova Iorque, o juiz-chefe Michael Obus relegou para 23 de julho uma decisão sobre o início do julgamento, mas o advogado de defesa de Seabra, David Touger, afirma ser “improvável” um arranque antes de setembro» («Julgamento de Renato Seabra deverá atrasar-se», Diário de Notícias, 19.06.2012, p. 17).

      Então agora é assim que os jornalistas escrevem: «juiz-chefe». Não há designações analógicas em português nem nada que se pareça. E será que o juiz relegou ou adiou a decisão?

 

 [Texto 1704] 

Helder Guégués às 20:43 | comentar | favorito
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Os ditongos ‘iu’ e ‘ui’ não têm acento

Falar por falar

 

 

      «Mesmo numa escola secundária lisboeta a dar pelo nome de Camões, Os Lusíadas não deixavam de ser um dos receios dos alunos que ontem fizeram as provas de Português do 12. º ano» («As redes sociais ao lado de ‘Os Lusíadas’ e da ‘Mensagem’», Pedro Sousa Tavares, Diário de Notícias, 19.06.2012, p. 39). O que tem uma coisa que ver com a outra, senhor jornalista? Por essa ordem de ideias, diríamos que mesmo num jornal deu estes erros: «O autor, como se previa, saíu mesmo no enunciado. Mas, no final, eram poucos os que se queixavam da exigência do exame. [...] “Penso que terei nota positiva”, disse o estudante, que espera candidatar-se a um curso de cinema mas tem ainda uma disciplina do secundário para tentar concluír. Diogo Bugalho, 21 anos, que veio fazer o exame para concluír o secundário e poder candidatar-se a um curso de Informática, também não sentiu “grandes dificuldades” com os autores e a parte gramatical da prova. Mas o que o deixou particularmente optimista foi o tema do último grupo, em que os os alunos são convidados a escrever um texto, não podia ter sido mais adequado: “para mim foi o mais fácil. Tinhamos de falar sobre as redes sociais e sobre a forma como estas se relacionam com a busca pela popularidade”, descreveu.»

 

[Texto 1703]

Helder Guégués às 08:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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19
Jun 12

Português do além-mar

Portugal Day

 

 

      A comemoração do Dia de Portugal no Central Park, Nova Iorque, juntou 7500 pessoas. Fados, corridinhas, sandes com atum Bom Petisco... Pedro Mota Soares, in halting Portuguese, também marcou presença. Domitília dos Santos, famosa gestora de fortunas a residir nos Estados Unidos, da organização, afirmou: «A idade média destas pessoas é dos 35 aos 50 anos e o seu renda anual é superior a 150 000 dólares.»

 

[Texto 1702]

Helder Guégués às 08:04 | comentar | favorito
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