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Jun 12

Plural: «néon»

Mehr Licht

        

 

      Não sei quem foi, e talvez nem um rigoroso inquérito fosse concludente, mas não aceitou o plural «néones». Quer «néons». Vá para o Brasil e escreva «neons», o mais aproximado. Rebelo Gonçalves, na segunda coluna da página 704 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa: «néon, s. m. Pl.: néones

      «Tudo numeroso: os néones intermitentes, as letras que escorrem dos lumes coloridos, o frio pesado» (Gente Feliz com Lágrimas, João de Melo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2003, 17.ª ed., p. 332).

 

 [Texto 1726]

Helder Guégués às 20:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «watering hole»

No buraco

 

 

     O jornalista descrevia então «the trendiest watering holes» daquela cidade. O tradutor, alguém, aposto, como o leitor e como eu, com duas pernas, dois braços e uma cabeça, verteu assim: «descreveu os furos mais em voga». O Dicionário Merriam-Webster, por exemplo, define a locução como «a social gathering place, such as a bar or saloon, where drinks are served».

 

 [Texto 1725]

Helder Guégués às 20:30 | comentar | favorito
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Ainda ontem

Um erro valente

 

 

      «Agora, a mais de meio caminho, talvez seja a altura para falar das perplexidades que me trouxe o Euro 2012. Não que não tenha visto os jogos de Portugal com um relativo prazer e até com uma certa ansiedade; e não também que não se tenha já escrito centenas de páginas sobre o assunto» («Rir ou chorar?», Vasco Pulido Valente, Público, 23.06.2012, p. 56).

      É melhor chorar. Se até Vasco Pulido Valente já escreve assim, que nos resta nesta triste vida?

      Qual padre António Vieira... Pode ser o cunhado de Jorge de Sena a responder: «Com efeito, e em que pese a todas as Imitações de Cristo que se tenham escrito ou exemplarmente vivido, nem mesmo um crente católico pode considerar como sendo já definível um Modelo acabado (ou, em termos psicanalíticos, um Superego) daquela plenitude humana moral e estética acessível a qualquer pessoa, quando as próprias estruturas de relação social humana permanecem instáveis, sabe-se lá por quantos séculos ainda» (Entre Fialho e Nemésio, Óscar Lopes. Lisboa: INCM, 1987, p. 534).

 

 [Texto 1724]

Helder Guégués às 17:33 | comentar | favorito
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Uma variante perdida

O que fica pelo caminho

 

 

      «O Resumido só marca antístite. G. Viana fez melhor em registar também antiste. Aquela forma tira-se do acusativo, esta vulgarizou-se quer por necessidade haplológica quer por molde do nominativo latino antistes» (Estudos Críticos de Língua Portuguesa: contra os Gramáticos, Vasco Botelho de Amaral. Porto: edição do autor, 1948, p. 23).

      O cânone ortográfico vertido no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves veio a acolher apenas «antístite». «antístite, s. m. Inexacta a forma antiste» (p. 87). Antístite é o chefe dos sacerdotes; pontífice; prelado.

 

 [Texto 1723] 

Helder Guégués às 12:46 | comentar | favorito
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Acordo Ortográfico

Não tinham mais nada para fazer

 

 

      Vasco Graça Moura, na Antena 1 na segunda-feira passada: «Hoje estamos com um problema muitíssimo maior. Há três grafias da língua portuguesa: a que é usada no Brasil, a que é usada em países como Angola e Moçambique, tem uma enorme importância para o português de Portugal, e a que é usada em Portugal, que é a pior delas todas e a mais inautêntica, e que é completamente ilegal e subverte o próprio Acordo Ortográfico. É nessa situação que estamos. Há que esperar que alguém tenha um acesso de bom senso.»

 

 [Texto 1722]

Helder Guégués às 10:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Só os antigos

Por entranhado respeito

 

 

      «E, tal como faziam os Celtas há três mil anos, tudo é colocado num recipiente de cobre. “São os quatro elementos mais fortes do universo: terra, ar, água e fogo (representado pelo sol)”, elucida o mestre de cerimónias que depois de tudo misturar e munido de uma vara de Aveleira [sic] (símbolo do poder do sol) aguarda o nascer do Sol» («Marão recebeu dezenas para verem solstício», José António Cardoso, Diário de Notícias, 23.06.2012, p. 13).

       Já aqui tinha falado disto: para os jornais, mas não só, também em traduções, por exemplo, gentílicos com maiúscula, só os antigos. Uma regra inventada por eles.

 

 [Texto 1721]

Helder Guégués às 07:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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24
Jun 12

«Colocar em risco»

Rei morto, rei posto

 

 

      Jornalista João Fernando Ramos no Jornal da Tarde de ontem: «O arcebispo de Filadélfia foi condenado a sete anos de prisão pelo crime de pedofilia. Os juízes consideraram Monsenhor William Lynn, de 61 anos, culpado. No julgamento, que decorreu durante três meses, Lynn foi ainda acusado de encobrir casos de violação de menores e de colocar crianças em risco

 

 [Texto 1720]

 

Helder Guégués às 07:08 | comentar | favorito
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