06
Jun 12

Sobre «assistente»

Ajudar é bonito

 

 

      «De arguido da procuradora Teresa Almeida no caso Taguspark, Rui Pedro Soares, antigo administrador da PT, avançou com um pedido para a constituição como assistente – “auxiliar” do Ministério Público – no chamado “caso das secretas”, que está nas mãos da mesma procuradora que o acusou de corrupção passiva» («Rui Pedro Soares também quer ser assistente no processo», C. R. L., Diário de Notícias, 6.06.2012, p. 3).

      A acepção jurídica não devia constar dos dicionários gerais da língua? Vamos redigir o texto da acepção e oferecê-lo ao Departamento de Dicionários da Porto Editora? «Pessoa ou entidade com interesses processuais específicos no processo penal em virtude da violação de algum direito seu. Embora autónomo, o assistente auxilia o Ministério Público, a que está subordinado na sua actuação no processo.» Está bem assim? Demasiado longo. Peço contributos.

 

[Texto 1647]

Helder Guégués às 09:53 | ver comentários (2) | favorito
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06
Jun 12

Tradução: «appointed»

Apontar é feio

 

 

      «Andrew Fielding Huxley nasceu em Londres, filho do escritor Leonard Huxley e da sua segunda mulher, Rosalind Bruce. Era meio-irmão do escritor Aldous Huxley e do biólogo Julian Huxley, além de ser neto do famoso biólogo do século XIX Thomas Henry Huxley. Teve seis filhos e foi condecorado pela rainha Isabel II como cavaleiro da Coroa Britânica recebendo o título de Sir em 1974. Em 1955 foi eleito membro da Royal Society e em 1983 foi apontado para a Ordem de Mérito» («O fisiologista que explicou os impulsos elétricos do corpo», Diário de Notícias, 4.06.2012, p. 43).

      Hum... «appointed a member of the Order of Merit»? Parece-me que se pode traduzir melhor. Costuma ser a primeira acepção dos dicionários de inglês-português: nomear, eleger, designar.

 

[Texto 1646]

Helder Guégués às 09:38 | ver comentários (1) | favorito
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05
Jun 12

«Tu mantém-la»

Se puderes, colega

 

 

      Há dias, ouvi na Antena 1 alguém dizer «mantia». Não foi, porém, a primeira vez. Com sorte, não será a última. Agora, caiu-me no regaço esta frase: «Se eles me venderem a capela, eu mantenho-a intacta. Diz-lhes.» «Mantém-na intacta onde?» São dois amigos, tratam-se por tu... A forma infinitiva do verbo «manter», seguida do pronome pessoal na forma acusativa, a, neste caso, conjuga-se assim: eu mantenho-a, tu mantém-la, ele/ela/você mantém-na, nós mantemo-la, vós mantende-la, eles/elas/vocês mantêm-na. Será difícil, mas há dicionários de verbos.

 

[Texto 1645]

Helder Guégués às 21:49 | ver comentários (4) | favorito
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«Debaixo/de baixo»

Parece... Mas será?

 

 

      «Palmira estremeceu, ao ver-me assomar debaixo do reposteiro» — Camilo, no Amor de Salvação. Mas agora, que acabei de ler outra frase («Assomei o nariz de baixo do cobertor.»), voltei a ler o que se escreveu no Assim Mesmo sobre a mesma questão. Nos comentários, Kupo afirmou: «Também acho que deveria ser “de debaixo da cama” no caso trazido pelo Helder. Ou talvez “de baixo da cama” separado e sem repetição. O que é certo é que a preposição “de” deve aparecer como tal — preposição — para indicar o LUGAR DE ONDE. O “debaixo” significa LUGAR ONDE, no meu entendimento, e no de Cláudio Moreno, cujas palavras uma vez mais trago para ilustrar a questão». Efectivamente, é o que afirma Cláudio Moreno: «Meu caro Wellington: acho que detrás e debaixo são um pouco mais simples que o movediço demais; nosso idioma parece estar marcando, aqui, a distinção entre “lugar onde” e “lugar DE onde”. Compara:

      (1) Ele estava debaixo da cama (onde)

      (2) Ele saiu de baixo da cama (de onde)

      Na frase (2), de baixo se opõe a de cima; é a mesma oposição que vamos encontrar em “ele mora no andar de baixo”, “ele mora no andar de cima”.» 

 

[Texto 1644] 

Helder Guégués às 18:52 | ver comentários (4) | favorito
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«Lanço de escada»

Igual ao litro

 

 

      Um leitor do Ciberdúvidas quis saber se é «lance de escadas» ou «lanço de escadas» que se diz. O consultor J. M. C. respondeu: «Lanço de escada (no singular), “secção de uma escada entre um patamar e outro”.» No TemaNet, porém, lê-se: «lanço de escadas, lanço de escada, lance de escadas, lance de escadas». Ou seja, igual ao litro. Não assim para os dicionários. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, só encontramos isto: lanço, «conjunto de degraus de uma escada compreendido entre dois patamares».

      «Praças, ruas, as típicas casas com um lanço de escadas à entrada, e o ar sereno da liberdade, e os parques imensos, tão cheios ainda de uma melancolia que já se não usa — mas é tudo para se usar, não para se ver» (Conta-Corrente, Vols. 1-2, Vergílio Ferreira. Lisboa: Bertrand Editora, 1981, p. 56).

 

[Texto 1643]

Helder Guégués às 17:08 | ver comentários (4) | favorito
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05
Jun 12

«De vez em vez»

Com rareza

 

 

      Num número de 1929 da Revista de Cultura, sobre a locução «de vez em quando», leio: «Os dicionários não mencionam de vez em vez, outra forma de exprimir o mesmo, embora usada com rareza. É interessante a simetria vocabular das quatro expressões, de igual significado: de quando em quando, de vez em quando, de quando em vez, de vez em vez.» Continua a estar ausente dos dicionários. Usada ainda é, porque acabei de a ver numa tradução.

 

[Texto 1642]

Helder Guégués às 14:50 | favorito
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