04
Jul 12

Desgraçado verbo «entreter»

Grande tourada

 

 

      Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS, esta tarde no Parlamento: «A única coisa que me perturba é que tratando-se a tourada de uma tradição milenar não se insinua no espírito dos deputados do Bloco de Esquerda e dos Verdes a mais pequena dúvida. Para eles, é manifesto que a tourada, exercício milenar, é um desporto que ocupou e entreteu selvagens e bárbaros durante centenas de anos.»

      «E por desfastio, como quem devaneia ao acaso, entreteve-se com estas invenções mais ou menos estapafúrdias: transformou a cabeça em esfera armilar, fez crescer asas de borboletas nas orelhas, enfeitou os dedos de bandeirinhas, etc., etc.» (As Aventuras de João Sem Medo, José Gomes Ferreira. Lisboa: BIS/Leya, 2011, 3.ª ed., p. 60).

 

 [Texto 1762] 

Helder Guégués às 22:29 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Tudo italiano

Já é descuido

 

 

      «O dono da escudaria italiana respondeu que sim, senhor, mas para isso o dono da Ferrari teria de deslocar-se a Turim, à Pininfarina. Foi preciso a intervenção de Sergio Pininfarina para o impasse se resolver: um encontro em terreno neutro, num restaurante em Tortona, a meio caminho entre Modena (Ferrari) e Turin (Pininfarina). E a ligação entre as duas casas italianas durou até hoje» («Mundo automóvel diz adeus ao pai do ‘design’», Ana Marcela, Diário de Notícias, 4.07.2012, p. 32).

      Ana Marcela não nos lê — e não deve ter pena. Só nós, leitores do Diário de Notícias, é que o lamentamos. E donde vem aquele a de «escudaria»? Do étimo — scuderia — não é de certeza. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «escuderia». Vimos aqui que se escreve Módena. «Turin» só no desleixo encontra explicação.

 

 [Texto 1761]

Helder Guégués às 16:54 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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«De resto»

Atirado ao muladar

 

 

      Já aqui agitou um pouco os ânimos: «— De resto — Eis aí uma locução que se atirou para o muladar das coisas inúteis por cheirar a francês. Mas milheiros de exemplos clássicos há que a absolvem da pecha que lhe assacam. Vou citar dois apenas e de mestres de polpa, que valem por todos os demais: “De resto, a agitação é sinal de vida”. (Machado de Assis: A Semana, 181). — “De resto, é uma circunstância esta pouco importante”. (Castilho: Obras, 55.º, 130)» (Canhenho de Português, P. José F. Stringari. São Paulo: Editorial Dom Bosco, 1961, p. 65).

 

 [Texto 1760]

Helder Guégués às 16:25 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Gigaelectrãovolt»?

Agora é tudo pegadinho?

 

 

      «Os dados de dezembro da ATLAS e CMS mostraram pela primeira vez “um excesso de eventos” nas colisões de partículas realizadas a níveis de energia da ordem dos 126 gigaelectrãovolt (GeV) – a ATLAS – e 124 GeV (a CMS), o que poderia ser um sinal da presença do bosão Higgs naquelas zona de energia. [...] Nos últimos meses de trabalho, desde então, as equipas das duas experiências conseguiram duplicar os dados de dezembro, e a energia das colisões passou de 7 TeV (teraeletrãovolt) para 8 Tev» («O ‘dia D’ da ‘partícula de Deus’», Filomena Naves, Diário de Notícias, 4.07.2012, p. 27).

      Deve haver alguma convicção da jornalista nisto, pois mais abaixo, num texto de apoio, lê-se: «É no Large Hadron Collider (LHC), que faz colidir protões (partículas que integram o núcleo dos átomos) a um nível de energia nunca antes atingido por uma máquina na Terra – 7 teraelectrãovolt (TeV) no ano passado, e 8 TeV já este ano –, que os físicos tentam descortinar o famoso bosão, que foi previsto em 1964 pelo físico Peter Higgs, que hoje estará presente na conferência no CERN.»

 

 [Texto 1759]

Helder Guégués às 14:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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04
Jul 12

Sereias alemãs

Tudo igual

 

 

      «Várias mulheres ativistas do grupo People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) vestiram-se ontem de peixes e deitaram-se no meio da rua em Dusseldórfia, na Alemanha, enroladas numa rede de pesca. No cartaz pode ler-se “A pesca dói”» («Sereias protestam contra a pesca com redes de emalhar de deriva», Diário de Notícias, 3.07.2012, p. 27).

      Redes de emalhar de deriva... Nunca tinha lido nem ouvido. E em alemão? Treibnetzen. E «sereia» — tanto o ser lendário como o sinal sonoro — em alemão é Sirene. Prefiro o português.

 

 [Texto 1758]

Helder Guégués às 00:39 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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