07
Jul 12

«Palavra compósita»

Acho bem

 

 

      «Não tenho a certeza de já ter lido a expressão “palavra compósita”. No caso, para traduzir o inglês “portmanteau word”. Vou pensar nisto.» Escrevi isto hoje de manhã nos 140 caracteres com que o Twitter nos espartilha. Já pensei: parece-me bem. Alguns, a mostrarem-se espertos, já disseram que se pode dar a volta: «palavra-valise».

 

 [Texto 1779]

Helder Guégués às 16:24 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas:

«Devido a»

Toda a verdade

 

 

      «— Devida a — Perguntou-se-me se é portuguêsa a forma devido a.

      Pelos jornais, revistas e livros modernos são de cotio frases assim redigidas: — não fui devido à chuva,fiquei devidos aos negócios, — etc.

      Segundo o filólogo Mário Barreto o uso de devido a “é coisa recente”, mas “pode defender-se, considerando esta forma como preposicional.”

      Em português de lei temos as formas — em virtude de,em atenção a,em conseqüência de,por causa de,por obra de, por amor de,graças a,resultante de, por e outras que tais.

      Mário Barreto, que muito a preceito sabia as coisas da língua, fez uso de devido a, como locução preposicional, nêste passo: — “Posteriormente, devido à relação com cerrar, disse-se e prevaleceu em castelhano cerrojo”. (Através, 127.)

      Sandoval de Figueiredo nos seus Vícios de Linguagem, pág. 155 e 156, diz que é galicismo a expressão devido a. Mas deixa de o ser “quando devido se emprega como particípio passivo: Isto foi devido a, estas coisas são devidas a, etc. — “O gênero masculino... é devido à influência do vinho”. (Mário Barreto: Novíssimos, 37) — “Estas imperfeições eram devidas à criação quase monástica que recebera”. (Rebêlo: H. de Port., I, 5)» (Canhenho de Português, P. José F. Stringari. São Paulo: Editorial Dom Bosco, 1961, p. 30)

 

 [Texto 1778] 

Helder Guégués às 11:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:
07
Jul 12

O verbo «lapsar» não existe

Só com soluços

 

 

      «Importa ainda perceber a razão por que mentiu – uma vez que o verbo lapsar não existe – o então deputado Miguel Relvas ao Parlamento ao comunicar ter o segundo ano de Direito quando, na verdade, apenas tinha concluído — com 10 valores — uma cadeira do primeiro ano» («Doutores há muitos», Nuno Saraiva, Diário de Notícias, 7.07.2012, p. 11).

      Pois não existe, apenas co lapsar (sem reticências, a lembrar a «Oral History (With Hiccups)»), por que a maioria dos tradutores do inglês se pela: «O colapso do Império Romano».

 

 [Texto 1777]

Helder Guégués às 08:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: