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Jul 12

Manobras: margens e campos

Manuel Tiago não está

 

 

      As expressões campo de manobra e margem de manobra são mesmo sinónimas? Parece que sim, mas os dicionários, estranhamente, não as registam. A primeira, que há-de ser mais antiga, tem origem militar. A segunda é, de longe, muito mais usada.

      «Conforme temos afirmado, abalada pela luta popular, pela solidez das instituições e pelos seus próprios fracassos e escândalos, a “AD” está a perder terreno, vê reduzir-se o seu campo de manobra, tem cada vez mais estreito apoio político social» (Avanço e Derrota do Plano Subversivo, AD 1980, Vol. 2, Álvaro Cunhal. Lisboa: Edições Avante!, 1981, p. 167).

 

 [Texto 1809] 

Helder Guégués às 20:23 | comentar | favorito
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E «rover» é?...

O leitor que se esforce

 

 

      «Nesta altura, leva já 3008 dias de operação e, só nos últimos três anos, percorreu 21 quilómetros, entre a região de Victoria e a cratera Endeavour, sempre colhendo dados à passagem. Em breve terá novo companheiro, o Curiosity, o novo rover da NASA, que tem chegada prevista para agosto» («Marte como nunca se viu antes», Diário de Notícias, 10.07.2012, p. 30).

      Atiram assim as palavras estrangeiras para cima do leitor desprevenido, e este que se avenha. Rover: remotely operated vehicle for emplacement & reconnaissance.

 

 [Texto 1808] 

Helder Guégués às 16:22 | comentar | favorito
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Vai de vento em popa

Um sinónimo, um sinónimo

 

 

      «A partir dos mosquitos transgénicos desenvolvidos no Reino Unido, investigadores da Universidade de São Paulo, onde Aldo Malavasi foi professor até recentemente, fizeram a sua adaptação para as condições do Brasil. “Desenvolvemos a tecnologia para criar de forma eficiente os insetos transgénicos aqui no Brasil, pelo que não temos de os comprar em Inglaterra, o que reduz os custos”, explicou ainda o líder do projeto» («Brasil produz mosquitos transgénicos para travar a dengue», Filomena Naves, Diário de Notícias, 11.07.2012, p. 27).

      Já entrou na cabeça da maioria que não há nem nunca houve alternativa à palavra «líder».

 

 [Texto 1807]

Helder Guégués às 13:02 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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47 finais alternativos

Eh pá, tantos

 

 

      «Adeus às Armas, o romance de Hemingway publicado em 1929, conta a história de um tenente norte-americano, Frederic Henry, que serve o exército italiano durante a I Guerra Mundial, como condutor de ambulâncias, cujo desfecho é fatalmente trágico. Porém, antes da sua publicação o escritor idealizara 47 finais alternativos para o romance, que serão publicados esta semana nos Estados Unidos» («Editados 47 finais de ‘Adeus às Armas’», Diário de Notícias, 11.07.2012, p. 49).

 

 [Texto 1806]

Helder Guégués às 13:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Haveriam de passar»

Não me consumas

 

 

      «Um dia, Luís Vita apareceu no estúdio do programa Meia de Rock da Rádio Renascença com uma novidade: havia um barbeiro na Calçada do Combro que fazia uma música diferente. “Claro que foi violentamente gozado”, recorda Rui Pêgo, que com António Duarte completava a equipa do programa. “Mas o Vita tinha razão.” Rendidos a António Variações, foram gravar um programa em casa dele. “Era tudo verde. Ele tinha uma camisola de gola alta verde, as paredes eram verdes. E ele estava nervosíssimo.” Gravaram duas músicas – O Comprimido e Não Me Consumas – que haveriam de passar “até à exaustão” no Meia de Rock» («O barbeiro que fazia umas canções em casa», M. J. C., Diário de Notícias, 11.07.2012, p. 29).

 

 [Texto 1805]

Helder Guégués às 12:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Após OK do ministro»!

Como se fosse no café

 

 

      «Após mais de uma semana de “caso”, o processo foi ontem aberto à consulta pública após OK do ministro» («Cargo de Relvas em associação de folclore ajudou a equivalência», Miguel Marujo, Diário de Notícias, 10.07.2012, p. 11).

      Só com demoradas elucubrações o jornalista chegaria a uma redacção da frase que soasse e fosse portuguesa.

 

 [Texto 1804]

Helder Guégués às 12:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Se acham que sim

 

 

      «Os números do Ministério da Educação e Ciência mostram ainda que nenhum aluno conseguiu tirar 20 no exame de Português. O facto de a prova feita por 78 845 estudantes ser uma das que permitem respostas mais ambíguas é uma das justificações para que ninguém tenha conseguido acertar em tudo. Ainda assim, existem 15 que ficaram com 20 por arredondamento, ou seja, tiveram classificação acima dos 19,5 valores, numa escala de zero a 20» («35 alunos conseguiram 20 no exame de Matemática», Ana Bela Ferreira e Joana Capucho, Diário de Notícias, 10.07.2012, p. 14).

      Ainda tiveram a ajuda de outros dois jornalistas, mas saiu assim. Agora a frio, acham mesmo que a justificação é essa, as respostas poderem ser mais ambíguas?

 

 [Texto 1803]

Helder Guégués às 12:57 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Sortir/surtir»

Uma investida

 

 

      «Although her gentle insistence about this has sometimes had no effect.» «Embora a sua suave insistência quanto a este assunto nem sempre sortisse efeito.» E na semana passada li que «as gaivotas faziam sortidas no mar». Sortir, entre outras coisas, é prover(-se), abastecer(-se). Surtir é ter como consequência; dar origem a; obter resultado. De vez em vez, é recomendável que quem vive da escrita perca uns minutos a consultar um dicionário. E, para surtir efeito, reflectir um pouco.

 

 [Texto 1802]

Helder Guégués às 12:55 | comentar | favorito
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«Xeque/xeique»

Chefe de tribo africana

 

 

      Xeique? «Em português, porém, em prosa de clássicos, escreveu-se sempre xeque», lê-se na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. No Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves, entre os topónimos Xefina e Xeldém, também só irão encontrar o vazio, uma entrelinha, pois não regista «xeique». Como também o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o não regista. Ainda assim, há quem se ache no direito de «corrigir» quem escreve «xeque». Impressionante.

 

 [Texto 1801]

Helder Guégués às 12:52 | comentar | favorito
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11
Jul 12

«Catástrofe humanitária»!

Isto ainda não acabou

 

 

      «Segundo os habitantes de Krimsky, a cidade foi arrasada por uma onda de sete metros que pode ter sido provocada por chuvas ou por descargas de uma barragem situada na parte alta da cidade, revela a AFP. Este facto foi desmentido pelas autoridades locais, porém Vadim Nikanorov, dirigente da Agência Federal para os Recursos Híbridos, reconheceu que houve descargas, mas rejeita que possam ter sido a causa da catástrofe humanitária» («Rússia cumpre luto em dia de demissão de dirigente», Diário de Notícias, 10.07.2012, p. 27).

 

 [Texto 1800]

Helder Guégués às 12:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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